Para Alfonso Cuarón, apesar das séries cinematográficas que o mundo testemunhou desde 2001, ainda existe uma grande diferença entre cinema e televisão: a criação de experiências que vão além de contar uma história.

“Há incríveis expressões de narrativa e personagens, mas não tantas experiências cinematográficas no meio (televisivo). Nesse ponto, os exemplos das minisséries que admiro profundamente, é mais pela narrativa do que pela realização.”

Cuarón tem um favorito entre os cineastas que fazem TV: David Lynch, afirmando que a terceira temporada de Twin Peaks deixou a história em um segundo plano para entregar uma experiência única.

“Oxalá mais séries fossem tão atrevidas como Twin Peaks, com um cineasta que não está limitado à sua narrativa. Ele só está criando o seu mundo, e não é apenas a história: é a sua atmosfera, seu foco cinematográfico. Me encanta a sua ambiguidade. É como passear pelo subconsciente de uma mente muito diferente.”

O vencedor do Oscar por Gravidade não pensa em dirigir uma série (por enquanto), mas reconhece estar muito interessado pela ficção televisiva, por oferecer vantagens importantes em relação ao cinema. O problema é que, uma vez que o relato acaba, por não deixar imagens impactantes, ele pode cair no esquecimento.

“A TV oferece uma oportunidade incrível para narrativa e personagens. Os estúdios estão completamente presos a essas coisas. Temem de alguma forma espantar as pessoas dos cinemas, ou distraí-las dos efeitos visuais.

Com muitas séries, me confundo sobre quem é quem. Me vicio quando vejo uma série, mas quando ela termina, me esqueço se era o detetive dinamarquês ou o gótico norte-americano. Alguns escritores e diretores são sensacionais ao gravitar em torno da TV, se é que podemos chamar assim. É emocionante. Vamos ver como tudo evolui.”