Eu fui um dos críticos mais severos sobre a postura de Rick Grimes em The Walking Dead (AMC). Não sou leitor dos quadrinhos, logo, não sei como o personagem agiu por lá. Mantendo minha visão somente ao conteúdo televisivo, desde a quarta temporada eu queria Rick Grimes fora da série. E motivos fundamentados não me faltavam.

Todo grupo de sobreviventes precisa de um líder. E Rick Grimes efetivamente foi um líder por excelência. Sem ele, o grupo de sobreviventes (que, do grupo original, hoje só existem dois ou três) seria dizimado muito mais rápido. E o sentido de unidade de grupo que ele estabeleceu foi decisivo para alguns que ainda estão vivos depois de tanto tempo.

Por outro lado, eu constatei que em várias oportunidades o nosso amigo Rick Grimes nada mais foi do que um líder de uma manada de gafanhotos disfarçados de seres humanos. Eu explico: ele conduz o grupo para um determinado local razoavelmente estável, fica com aquela insuportável desconfiança que algo está errado ali, entra em conflito com o líder daquele local, o seu grupo destrói tudo o que está estabelecido ali, os zumbis chegam e eles são obrigados a se deslocarem para outro lugar.

E repetir todo o processo.

O grupo liderado por Grimes fez isso pelo menos duas vezes antes que eu abandonasse The Walking Dead no início da quinta temporada. Por mim, até Negan estava melhor como líder. Sem falar que Rick mandou para o espaço o seu equilíbrio mental e emocional há tempos. Não poderia mais liderar um grupo de pessoas, sendo que ele não tinha o controle sobre ele mesmo.

 

 

Então, não vou negar: comemorei quando li a notícia que Andrew Lincoln deixaria a série. E confesso que fiquei satisfeito com a solução dada pelos novos roteiristas da trama para o seu personagem. Sei que muita gente pode não ter gostado do que viu, já que o cenário de apocalipse zumbi não sugere tal solução.

Porém, estamos falando de um personagem importante demais para a série. Os principais acontecimentos dessa narrativa passaram por ele. Muitas das motivações do grupo seguiram a visão dele.

Logo, entendo que a melhor solução foi essa. E poucas vezes o recurso de salto no tempo na narrativa de uma história foi tão bem aplicada.

Sem dar muitos spoilers, mas… último episódio de The Walking Dead com Rick Grimes? Mais ou menos. Só se for no elenco regular. Fica mais fácil dizer um “até qualquer dia, Rick Grimes” depois de tudo o que testemunhamos ontem.