Aretha Franklin nos deixou, aos 76 anos.

A maior cantora da história (segundo a revista Rolling Stone) nos deixou no mesmo dia em que Madonna completa 60 anos de vida. E isso não é por acaso. Há um grande simbolismo nesses dois eventos.

O principal deles é o discurso forte de respeito às mulheres. As duas fizeram isso, cada uma no seu tempo.

Aretha Franklin cantou ao mundo RESPECT. Em um tempo onde nem a mulher, nem os negros eram tão respeitados. Talvez a missão de Franklin na Terra foi cantar os seus anseios de forma tão vibrante, que sua música transitou por gerações, inspirando outras mulheres a fazer o mesmo.

 

 

Aretha Franklin poderia cantar qualquer coisa. E cantou de tudo, incluindo ópera. Não me esquecerei do Grammy Awards de 1998, onde ela lindamente aceitou o desafio de interpretar Nessum Dorma, em uma noite onde até Celine Dion disse NÃO para uma das peças mais emblemáticas do universo musical erudito.

 

 

Pois bem… Aretha se fez respeitada. Impôs respeito. Disse a que veio de várias formas.

Madonna foi além no discurso. Cantou EXPRESS YOURSELF, e disse para todas as mulheres: “garota, se respeite para que ele te respeite também; se aceite, para que ele te aceite também; se faça ouvida, para que ele te ouça”.

Madonna completa hoje 60 anos de uma vida intensa onde, assim como Aretha fez, cantou os discursos que ela defendia, e as verdades de sua existência. Toda mulher inteligente gostaria de ser como ela, ou ao menos ter a coragem que ela tem para fazer os discursos certos, nos momentos corretos. Toda mulher gostaria de ter a atitude de uma Madonna para virar o jogo de suas vidas.

 

 

O mundo se tornou um lugar melhor com essas duas fortes e corajosas mulheres. É uma pena que hoje perdemos uma grande estrela. Uma cantora singular. Uma voz apaixonada, vibrante, poderosa.

A ausência de Franklin será enorme. Profundamente sentida, não apenas nos aspectos da música, mas no contexto de exemplo a ser seguido. Perdemos um símbolo de mulher próspera, no melhor estilo “contra tudo, contra todos”.

O câncer no pâncreas (um dos mais devastadores) derrotou a “dama do soul”. Vamos dançar menos e nos emocionar menos.

É claro. Temos Madonna chegando aos 60. Temos um dos mais claros exemplos sobre como as canções de Aretha influenciou mulheres igualmente fortes. E tenho certeza que a música daquela linda mulher negra será eterna.

 

 

Mas…

O que resta a nós, que amamos a boa música?

Reverenciar as duas poderosas expressões musicais que brindaram nosso tempo com talentos singulares. Agradecer às forças superiores por deixarem lições valiosas para o nosso tempo.

Rezar.

E aqui, mais um ponto de conexão entre essas duas mulheres incríveis.

Madonna enfrentou o mundo com LIKE A PRAYER, um dos seus maiores sucessos comerciais. Canção no estilo gospel bem polêmica, onde compara a devoção ao homem amado com uma oração de fé. A fé no amor por um homem quase sentificado ao seus olhos.

Já Aretha Franklin tem em um dos seus maiores sucessos a emblemática I SAY A LITTLE PRAYER, onde a mulher amada reza e agradece a presença daquele homem que ama em sua vida, e como esse amor que ela sente perneia cada momento do seu dia, deixando tudo mais belo, harmonioso e especial em sua existência.

Morte e vida.

Aretha Franklin. Madonna.

Nada é por acaso. Tudo está conectado.