A vida ensina o tempo todo, e reaprender a viver na terceira idade é um dos processos mais enriquecedores para qualquer pessoa. Quanto mais depressa você entender como a vida deve ser vivida, as chances de você ser mais feliz aumentam consideravelmente. E Acertando o Passo (Findind Your Feet, 2017) fala exatamente disso: em como bem viver no fim da vida, aproveitando ao máximo todas as possibilidades.

Quando Sandra Abbott (Imelda Staunton), conservadora mulher da elite britânica, descobre que o seu marido está mantendo um caso extraconjugal por cinco anos, ela vê o seu mundo desabar. E o que resta dos escombros acaba desaparecendo, quando o seu marido decide seguir a vida com a outra, acabando com um casamento de 35 anos.

Sandra decide então ir pedir abrigo e ajuda para a única pessoa com quem ela realmente poderia contar (uma vez que ela vivia em um mundo de superficialidades, onde as pessoas não são amigas de verdade): sua irmã mais velha, Bif (Celia Imrie). Acontece que Bif tem uma visão de mundo completamente diferente de Sandra, em um estilo de vida alternativo e espírito totalmente livre, indo de sexo com vários parceiros até o consumo da maconha (medicinal, é claro).

O filme mostra como Sandra precisa reaprender com Bif o que é viver de verdade, com leveza, bom humor e desprovida de pré-conceitos. E o principal fio condutor dessa mudança é a dança, atividade de era uma das preferidas de Sandra, mas que foi abandonada por ela quando decidiu se casar e abraçar a vida do marido.

 

 

O que torna Acertando o Passo um ótimo filme é que os personagens são humanizados e cheios de camadas. Mesmo Sandra, que aparentemente é fútil e hipócrita, se revela alguém com uma personalidade um pouco mais complexa do que se limitar em ser a chata da família. Aliás, cada um dos personagens principais contam com personalidades que os tornam interessantes e carismáticos.

Isso faz com que você automaticamente se lembre de uma porção de pessoas que conhecemos no nosso dia a dia que refletem tais personalidades. E o resultado disso é uma empatia automática ao filme e aos seus personagens.

Além disso, os dramas que cada um deles apresenta ao longo de 1h51 de filme são críveis e acessíveis. De novo, de forma irremediável você vai dizer “eu conheço alguém que se parece com essa personagem” ou “tem muitas mulheres que acabam passando por isso”. Para aquelas pessoas mais atentas ou observadoras, vai compreender as situações apresentadas no longa, e vai aprender com essas situações.

De forma envolvente, Acertando o Passo apresenta uma série de dramas pessoais dos principais personagens, mas com o toque de humor britânico que estamos acostumados. Essa combinação é mais que interessante, e faz com que o filme passe muito rápido.

 

 

A parte de produção do longa é bem feita, com cenas de externas em Londres e em Roma que ambientam muito bem a história. E as cenas de dança são divertidas e carismáticas, o que deixa o resultado final emocional e divertido.

Acertando o Passo não é o filme que vai mudar a sua vida. O roteiro é mais do que previsível, e as resoluções são óbvias. Mesmo assim, é o tipo de filme que você chama de “queridinho” logo nos primeiros 30 minutos. Não é tempo nem dinheiro perdido, especialmente para o seu público alvo.

O filme é mais do que recomendado para as nossas vovós, ou para aquela tiazona louca que muita gente tem na família. E é quase obrigatório para as mulheres que pararam no tempo, acreditando que ter um nome e uma reputação a zelar é muito mais importante do que ser feliz e ter um espírito livre.

Os mais jovens podem assistir para aprender as lições desde já. Pois vão precisar desse aprendizado no futuro.