Ontem (12), faleceu Stan Lee, aos 95 anos.

Você pode não saber quem foi Stan Lee, mas eu sei. Ele foi um dos autores mais importantes da história dos quadrinhos (ou comics), se não for o mais importante.

É responsável direto pela criação de mais de 200 personagens (179 vilões, 60 heróis), que alimentaram o imaginário de várias gerações. Tais personagens resultaram em um dos maiores impérios de mídia do mundo, a Marvel, além de entregar um dos mais ambiciosos projetos cinematográficos da história, a Marvel Cinematic Universe (19 filmes conectados em 10 anos).

Nas suas tramas, Stan Lee sempre teve um claro foco para as questões sociais e mudanças culturais. Tentou ao longo da vida entregar para as crianças e adolescentes valores que ele considerava fundamentais para um adulto com valores éticos e morais sólidos, ao mesmo tempo em que os discursos por ideais mais justos para todos era algo bem claro.

De forma sutil, cada um dos personagens tinha uma característica que se relacionava com os marginalizados, discriminados e rechaçados por serem diferentes. Tais personagens evoluíram com o passar do tempo, mas mantendo a sua essência e os aspectos que o identificam com o coletivo.

Em 1968, ele assinou um artigo que possui um texto tão atemporal, que vale para os dias de hoje. Se encaixa como uma luva para o que vivemos em 2018.

Segue:

“Vamos deixar uma coisa bem clara.

A intolerância e o racismo estão entre os males sociais mais mortíferos do mundo nos dias atuais. Porém, diferente de um time de super vilões disfarçados, não podemos deter esses males com um soco ou uma pistola de raios.

A única forma de destruir tais males é expondo eles – para revelar ao mundo como o insidioso mal que são na realidade; a intolerância é um ódio irracional – um ódio cego, fanático, indiscriminado.

Se o seu objetivo são as pessoas negras, você vai odiar TODAS as pessoas negras. Se um pele vermelha (índio norte-americano) te ofendeu uma vez, você vai odiar a TODOS os peles vermelhas. Se um estrangeiro superou você em um posto de trabalho, você vai odiar a TODOS os estrangeiros.

Esse ódio contra pessoas que você nunca viu – e pessoas que você nunca conheceu – com a mesma intensidade – com o mesmo veneno.

Agora, não estamos dizendo que não é razoável um ser humano irritar outro ser humano. Porém, apesar do fato de qualquer pessoa ter o direito de não gostar de outra pessoa, é algo totalmente irracional e insano condenar toda uma raça – ou depreciar uma nação inteira – ou mostrar desprezo a toda uma religião.

Mais cedo ou mais tarde, devemos aprender a julgar as demais pessoas pelos seus próprios méritos. Mais cedo ou mais tarde, se o homem quer ser digno do seu próprio destino, devemos encher os nossos corações de tolerância.

Porque então, e só então, seremos verdadeiramente dignos do conceito de que o homem foi criado à imagem de Deus. Um Deus que nos chama a TODOS de Seus filhos.”

Obrigado, Stan Lee. De coração.