Já que eu estava por aqui mesmo e precisava escrever sobre um filme que pode trazer alguma audiência para o blog, resolvi escrever sobre A 5ª Onda, filme de ficção científica/suspense pós-apocalíptico de 2016, dirigido por J Blakeson e baseado no livro homônimo de Rick Yancey. E posso dizer que até pensei que não iria suportar ao filme de 1h52 minutos. Mas como você pode perceber, eu estou aqui para escrever algumas linhas sobre ele.

A 5ª Onda conta a história de uma invasão alienígena que tem como principal objetivo exterminar a humanidade, já que os alienígenas entendem que nós, seres humanos, estamos ocupando um local que eles precisam. Não foram muito específicos sobre a necessidade deles, e isso torna o motivo de invasão e extermínio um tanto quanto banal. Mas como vimos a mesma coisa no cinema em diversas oportunidades, não podemos criticá-los ou sentir uma estranheza pelo fato.

Fato é que a invasão foi dividida em cinco ondas.

A primeira retirou todos os recursos elétricos, deixando os humanos sem comunicação, água potável e meios de transporte. A segunda onda veio em forma de terremotos e maremotos, acabando com as cidades costeiras. A terceira onda veio através da modificação genética das aves, potenciando o vírus da gripe aviária e matando boa parte da população global. A quarta onda aconteceu com os alienígenas consumindo o cérebro de humanos hospedeiros, que passaram a agir de acordo com as ordens dos alienígenas.

Com a faca e o queijo na mão, a quinta onda consistia em colocar humanos contra humanos, para que eles se matem e, eventualmente, os mais fortes que sobreviverem acabam com o destino final de virarem escravos dos alienígenas.

Curiosamente, as crianças e jovens, sempre sem crédito com os adultos e teoricamente mais fortes, acabam sendo os responsáveis pela quinta onda, ao mesmo tempo que um grupo de jovens decide se erguer como voz da resistência para tentar acabar com a dominação alienígena de alguma forma.

 

 

A 5ª Onda é até uma ideia bem pensada, mas um tanto quanto mal executada. Apesar do plot ser minimamente interessante, é preciso entender que já é difícil fazer um filme de ficção científica funcionar de forma coerente e racional, já que a história precisa ser minimamente crível para convencer o espectador que a sua narrativa faz sentido, ao mesmo tempo que a história precisa ser atraente para quem está assistindo.

Por outro lado, o seu roteiro é meio previsível, com um plot twist fraco demais. Você logo solta um “é óbvio” quando determinados acontecimentos são revelados, e o desinteresse toma conta no segundo ato. Mesmo porque mal dá para ver o filme (está tudo no escuro para reforçar que eles estão sem energia elétrica – com exceção da base militar, é claro), e isso acaba prejudicando a experiência de um modo geral.

A 5ª Onda até que tem uma ação interessante, mas não basta apenas atirar a esmo. É preciso acertar o alvo. E, nesse caso, eu não sou o alvo desse filme. Pode ser uma narrativa interessante para o público pré-adolescente (que é o natural comprador desse filme), mas se você é uma pessoa que costuma prestar a devida atenção para os acontecimentos envolvidos em um filme e se incomoda com algumas soluções que simplesmente acontecem do nada ou sem muito sentido de ser, recomendo que você tenha uma boa dose de paciência ao assistir esse filme.

Eu não estou aqui dizendo que o filme é uma porcaria. Ele até tem uma boa produção, e tenta não forçar tanto a barra com efeitos visuais, o que poderia resultar em um filme com história pouco crível algo ainda menos crível. E no elenco estão nomes bem interessantes, como Chloë Grace Moretz, Nick Robinson, Ron Livingston, Maggie Siff, Alex Roe, Maria Bello, Maika Monroe e Liev Schreiber (esse último fazendo a cara dele de Liev de sempre).

Só acho que A 5ª Onda peca por ter uma história insossa e previsível em vários momentos. Sem falar nos clichês que não surpreendem ninguém e não agregam em nada na história. Nem como elemento motivador para algumas decisões tomadas.

 

 

Por isso, se você vai mesmo assistir A 5ª Onda por vontade própria, eu reforço a recomendação para que você cultive em seu íntimo uma boa dose de paciência e até boa vontade, pois não é um dos filmes que vai mudar a sua vida. Se você for uma pessoa mais crítica, as chances de você sair aborrecido com o filme são consideráveis. Dependendo do nível de exigência, não será surpresa se você não gostar.

Agora, para aqueles que realmente gostam de ficção científica adolescente, pode até gostar do filme. Principalmente se olhar para os pontos positivos do longa.

O ideal mesmo seria assistir ao filme desprovido de qualquer senso crítico e lógico, mas como isso é impossível, eu desejo boa sorte a todos.