A guerra é, provavelmente, o cenário ideal para ilustrar o melhor e o pior do ser humano. Em todas as suas lamentáveis formas, é a desculpa perfeita e um mecanismo infalível para submergir-se no mais profundo da alma dos personagens, estremecendo a alma do espectador regados com pólvora, explosões, morte e tragédia.

O gênero bélico possui uma quantidade de peças que, equilibrando o fator dramático com a espetacularidade inerente a um conflito armado deu lugar para obras primas do cinema, como Apocalypse Now ou Platoon, por exemplo.

Com 12 Heróis, filme de Jerry Bruckheimer, se postula sem sucesso a aumentar a lista de filmes de guerra memoráveis, aplicando mais uma vez (de forma descafeinada) a fórmula já vista em Falcão Negro em Perigo, tomando como base uma piada da história militar moderna norte-americana e transformando em um filme tão correto e formal que chega a perder alma e emoção, elementos necessários para esse tipo de filme.

 

 

12 Heróis tem no seu maior ponto débil o superficial tratamento dos seus protagonistas: um grupo de militares cujos conflitos internos e motivações se limitam à vingança impulsionada pela exaltação patriótica. Uma tara que mostra o desperdício de elementos de primeira qualidade no elenco (secundários do porte de Michael Peña e Michael Shannon) e no roteirista Ted Tally, vencedor do Oscar por O Silêncio dos Inocentes.

Nesse último, além de refletir a pobre gestão de recursos artísticos, mostra uma indiferença que, apesar dos esforços, faz avançar a trama sem qualquer tipo de implicação. O que poderia ser um exercício notável, imersivo e emocionante é reduzido a mais um panfleto militar, dominado por um maniqueísmo vergonhoso.

As deficiências na hora de gerenciar o drama de 12 Heróis não o transformam em um produto falido. O filme tem doses suficientes de testosterona para manter o clima durante mais de duas horas. A narrativa mantém seu pulso com uma sequência de ação tão caótica como espetacular, que exprime cada centavo dos ‘modestos’ US$ 35 milhões do seu orçamento.

 

 

12 Heróis não vai entrar no olimpo do cinema bélico (nem vai passar perto). Não cria a empatia necessária, seu tratamento do conflito afegão é torpe e simplista, e é incapaz de transmitir as sensações do soldado no campo de batalha além da tensão gerada nas trocas de tiros.

Quem busca uma desculpa para se desconectar da realidade e ver duas horas de ação sem qualquer sentido, terá aqui o filme perfeito, encabeçado por um Chris Hemsworth sempre entregue aos filmes que faz, em um filme que demora em desaparecer da memória.

No mesmo tempo necessário para se pronunciar a palavra ‘Al Qaeda’.