Zootopia

Não desista. Aprenda a conviver com as diferenças. Aprenda a não julgar pelas aparências.

Zootopia é mais uma animação da Disney voltado para as crianças, cheio de mensagens positivas, mas recheado de lições de panos de fundo para os adultos que vão levar as crianças para assistir o filme. Não tem o mesmo impacto emocional que Divertida Mente, mas é um filme bem estruturado o suficiente para deixar tudo muito claro para quem está assistindo a história.

Sabe, temos de novo várias metáforas em forma de um longa de animação, que conversam diretamente com todos os públicos. Mais uma vez é um filme infantil apenas pelo caráter de animação, e por apresentar animais falantes, algo que apenas as crianças (e adultos com alto teor etílico) compram tal ideia. Mesmo assim, como produto de entretenimento, agrada a todas as faixas etárias.

A história dos dois personagens principais, a coelha Judy Hopps (Ginnifer Goodwin – no Brasil, Monica Iozzi) e da raposa Nick Wilde (Jason Bateman – no Brasil, Rodrigo Lombardi) tem diversas similaridades com as suas próprias existências, mas apresentam diferenças que se encaixam perfeitamente na estrutura narrativa do filme, que é bem simples e direta. As crianças vão se identificar facilmente com as motivações dos dois personagens, que são inevitavelmente carismáticos, o que ajuda e muito para se manterem preso à história.

A raposa e o coelho se encontram por conta de seus interesses comuns. Suas diferenças os completam em torno de um único objetivo comum. Como é normal em uma animação desse porte, os dois vivem uma grande aventura, onde descobrem que mesmo com origens, filosofias de vida e raciocínios lógicos bem diferentes, são justamente essas diferenças que os aproximam para alcançar os seus respectivos objetivos. E, inevitavelmente, se tornam bons amigos no processo.

Amigos improváveis, aliás. Uma coelha (presa) jamais se tornaria amiga ou sequer confiaria em uma raposa (predador). Mas como em Zootopia “você pode ser o que quiser”, os dois acabam se tornando amigos, apesar de todas as dificuldades. Essa é uma das claras lições que o filme deixa: o respeito às diferenças. Em saber conviver com o diferente. E que muitas vezes aquele que convencionalmente pode te prejudicar será o único a lhe estender à mão para te ajudar.

Além disso, Judy é uma coelha que não desiste. Nunca. E essa é a grande lição de Zootopia: não desistir. Seguir tentando, continuar lutando por seus objetivos. No final das contas, você conta com você mesmo para realizar tudo aquilo que você quiser. E se você tiver disposição para fazer tudo o que for possível ou necessário pelos seus sonhos, certamente eles serão realizados. Por mais distante que eles estejam.

zootopia-selfie-02

Tudo isso é passado pelo filme, mas sem ter a mesma carga emocional do que Divertida Mente. Zootopia é naturalmente mais leve na sua forma de apresentar os conflitos daqueles personagens. É uma típica história onde temos heróis e vilões, e toda a investigação que Judy e Nick se envolve é algo tão evidente, que o filme acaba naturalmente se tornando algo mais infantil, mas igualmente divertido para todos os públicos.

É possível ver referências a grandes filmes como O Poderoso Chefão, Missão: Impossível e, porque não, Frozen (já que é um filme da casa), além de uma explícita referência à Breaking Bad. Além de piadas internas pensadas no norte-americano médio (como a lentidão dos funcionários do departamento de trânsito). Tudo isso é colocado no filme de forma que o mesmo funcione, e o resultado é uma animação com ritmo, que não te cansa e nem te deixa com vontade de dormir.

Os diálogos são bem montados, algumas piadas são muito boas, e a produção da animação como um todo mostra como a Disney sabe o que está fazendo. Também vai um destaque em especial para o trabalho de dublagem da versão brasileira, reforçando de novo que é sim possível ter uma produção dublada com uma ótima direção de dublagem.

Por fim, Zootopia é um ótimo filme para esse começo de outono. É diversão garantida. É divertido, é bem feito, tem várias lições que as crianças precisam aprender e os adultos precisam relembrar. Fará você se esquecer dos problemas cotidianos, mas se lembrar que até em um mundo onde os humanos não tem qualquer tipo de interferência é possível encontrar as mesmas viciações de convivência que encontramos no nosso mundo.

Até porque “a vida real é difícil, todos nós cometemos erros, e a mudança real começa dentro de você”.