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Vou repetir: prefiro o fim do mundo do que assistir a mais do que dois episódios de You, Me and the Apocalypse.

Falando bem sério: o que Bob Greenblatt, CEO da NBC, tem na cabeça? O que leva este ser a comprar uma série já exibida no Reino Unido (canal Sky 1) em setembro de 2015, para ser exibida nos Estados Unidos em janeiro de 2016? Mais: o que leva a minha pessoa a escrever sobre essa série quase duas semanas depois que ela estreou no país do baseball? Só porque eu não tinha absolutamente nada melhor para fazer durante o carnaval? Na boa, dormir seria melhor.

Aliás, eu dormi. Dormi nos primeiros dez minutos do episódio piloto dessa série. Na verdade, minha vontade era ou morrer ou pedir para que o meteoro realmente caísse na Terra. Tudo bem, eu compreendo que é uma dramédia, e compreendo que é uma dramédia britânica. Mas… era mesmo necessário fazer isso comigo e com várias pessoas de bem e inocentes que tiveram que assistir a um troço tão chato?

You, Me and the Apocalypse mostra como um grupo específico de pessoas que nunca se encontraram na vida tentam evitar o inevitável: o apocalipse. Todo mundo entra no modo loucura total quando descobrem que um cometa (não é um meteoro, veja bem… um cometa…) entrou em rota de colisão com a Terra, que por sua vez está com os dias contados. Mais precisamente 34 dias contados.

Cada uma dessas pessoas tem uma tragédia pessoal para lidar.Jamie Winton (Matthew Baynton) é um banqueiro britânico que tenta encontrar a sua esposa desaparecida há sete anos, além da sua mãe biológica. Com a revelação do fim do mundo, ele também descobre que, além de ser adotado, tem um irmão gêmeo. Já Rhonda MacNeil (Jenna Fischer) está presa nos EUA, acusada de hackear a NSA. Na verdade, quem fez isso foi o seu filho Spike (Fabian McCallum), e ela tenta protegê-lo. Na prisão, ela encontra ninguém menos que a líder do movimento de supremacia branca, Leanne (Megan Mullally), que vai ajudá-la na luta por sua sobrevivência.

Nesse meio tempo, o irmão de Rhonda, Scotty (Kyle Soller) e seu namorado Arnold (Paterson Joseph) trabalham para “tentar para o cometa” (isso é possível?) que causaria o apocalipse. Por fim, no Vaticano, o Padre Jude (Rob Lowe) e a Irmã Celine (Gaia Scodellaro) trabalham para encontrar o potencial Anticristo e salvador do mundo.

No fim das contas, todo mundo vai parar em um bunker subterrâneo, e ver o fim do mundo pela TV mesmo.

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You, Me and the Apocalypse lembra um pouco a premissa da série Como Aproveitar o Fim do Mundo (Rede Globo), mas sem investir na metáfora do “aproveite cada dia como se fosse o último”. A série aposta na histeria coletiva e no desespero individual como combustíveis “motivacionais” para as ações que vão acontecer ao longo da minissérie (sim, só deve ter uma temporada essa porcaria… mesmo porque eles não vão ter nada para contar depois que o mundo acabar, não é mesmo?). Ou seja, temos eventos isolados, que inicialmente não se conectam, e que beiram o absurdo o tempo todo.

O problema é que esse conjunto de absurdos combinados não resultam em algo engraçado. Pior: nem entram declaradamente no tom dramático que a série também sugere. You, Me and the Apocalypse é algo estranho. Não consegue se definir de forma declarada, em uma caminhada onde as situações são apresentadas, e a tendência de você não se importar com nada se reforça a cada minuto dos primeiros episódios. Não sei… talvez eu seja burro para não entender o humor britânico… ou talvez o humor britânico é bem fraco em algumas oportunidades (e aí a culpa não é minha).

Sem falar no óbvio: de onde Greenblatt entendeu que os norte-americanos iriam mesmo gostar desse tipo de série? Apenas porque tinha nomes conhecidos pela audiência, como Jenna Fischer, Megan Mullally e Rob Lowe? Isso não é o suficiente. Ainda mais em se tratando da audiência da NBC, que desde o fim da era “Must See TV” perdeu a sua identidade sobre o que realmente gosta dentro das séries de comédia.

Com exceção do Saturday Night Live (uma instituição na TV norte-americana) e Undeateable (que é a prova cabal que a audiência da NBC não gosta mais de séries de comédia), o que vinga naquele canal dentro desse gênero?

Enfim… como o próprio conceito de fim do mundo sugere, é preciso viver intensamente, cada dia como se fosse o último. E eu não quero nem pensar na hipótese de perder meu precioso tempo assistindo à insossa You, Me and the Apocalypse.

De novo: prefiro o meteoro.