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Westworld, a adaptação da HBO para o filme de Michael Crichton, é a grande aposta para “a nova Lost”.

O mix de western e ficção científica já mobiliza intensos debates na internet, com fãs teorizando como loucos sobre os enigmas da trama, e críticos comentando a violência explícita da narrativa.

É claro que Westworld gerou muito barulho midiático, e a HBO se deu bem com isso.

Aliás, precisava disso.

Precisava de um drama que mobilizasse as massas, e mesmo com as críticas de esse movimento poder representar um vício para muitos, fato é que a série coloca na mesa questões filosóficas muito interessantes.

E é o mínimo que pedimos de uma boa ficção científica. Certo?

 

 

As teorias dos fãs

 

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Parte muito importante da visibilidade de Westworld vem das teorias dos fãs.

Desde o começo, muitos começaram a dissecar fotograma a fotograma cada episódio, em busca de símbolos ocultos e pista para os mistérios.

 

ALERTA DE SPOILERS!

A partir de agora, teremos spoilers sobre a primeira temporada de Westworld. Se você não viu a série e não quer saber antes, pare de ler o post nesse momento!

 

Quem é Bernard?

 

Uma das questões mais discutidas entre os fãs.

Um robô oculto nos créditos da série poderia ser Bernard (Jeffrey Wright), chefe de Comportamento. Westworld confirmou a suspeita no sétimo episódio, deixando claro que Robert Ford (Anthony Hopkins) o controlava.

Mas a série foi além, revelando que Bernard foi construído por Ford a imagem e semelhança de Arnold, seu velho colaborador, morto no parque há mais de 30 anos.

Então… qual é a do Bernard? Ford só queria um amigo? Ou é o seu espião para manejar os anfitriões?

 

 

As duas linhas temporais

 

A história vivida em Westworld estaria acontecendo em duas ou até três linhas temporais diferentes.

A teoria inclui que William (Jimmi Simpson) é, na realidade, o Homem de Preto (Ed Harris). Várias trocas de vestuário de Dolores apoiam essa teoria.

Suas lembranças de vidas passadas são muito vivas, e podem ser o seu presente ou dois momentos diferentes do seu passado.

Quem defende essa teoria indica que a viagem de Dolores com William forma parte desse passado, de um evento que aconteceu 30 anos antes no parque.

Será que essas linhas do tempo se integrarão? Ou apenas servem para revelar respostas sobre alguns mistérios do parque, e para contextualizar o despertar de Dolores no presente?

Nesse presente, também ocorre a trama de Maeve e a luta pelo controle das instalações de Ford e Delos.

 

 

Quem é o Homem de Preto?

 

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Mais um elemento que levanta a teoria de Westworld trabalhar com duas linhas temporais.

O Homem de Preto é um misterioso visitante que só quer descobrir os segredos mais profundos do parque. Conhece tudo sobre as instalações, mas quer ir além.

Não sabemos seu nome, e aos poucos recebemos pistas de sua real identidade. Mas são pistas vagas, que geram especulações.

 

 

A nova narrativa de Ford

 

 

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O que Ford realmente quer?

Só sabemos que ele quer um anova narrativa, e para isso manipula meio parque. A junta diretiva de Delos quer detê-lo, pois não confiam nele. Mas… no que consiste essa nova narrativa?

Foi ele quem implantou uma atualização a programação dos robôs. Podem ter mais robôs encobertos no parque?

Com isso, também se manipula a narrativa externa do parque, como se Ford atuasse como o Arquiteto de Matrix. Bom, pelo menos em teoria.

Ford chegou aos extremos para proteger sua narrativa, sendo um semi-Deus na trama da série. Ou quem sabe agindo como um maluco obcecado por Westworld.

 

 

Onde está Westworld?

 

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Não só a sua localização geográfica, mas também espacial e temporal.

Fica mais ou menos claro que a série está ambientada em um futuro mais ou menos próximo. Um pouco mais complicado é adivinhar onde o parque está construído.

Pode não estar na Terra, mas em outro planeta ou lua do sistema solar.

Não há muitas pistas sobre isso, e os fãs só podem deixar a sua imaginação trabalhar.

 

Vale lembrar que Westworld está renovada para a segunda temporada, que só deve estrear na HBO em 2018.

 

 

Central de Teorias

 

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Todas as teorias e várias outras que apareceram ou foram descartadas ou desmentidas diretamente. E tudo isso rendeu material para podcasts e fóruns de discussão.

Meio mundo está discutindo Westworld. Algumas pessoas de forma muito tangencialmente, e outros dissecando cada capítulo. Quem acabou de começar a ver a série pode se sentir meio perdido diante de tanta discussão.

Todas as teorias também alcançam os grandes veículos norte-americanos, que começam a se perguntar até onde a série pode chegar. As teorias mais populares tem sua evolução acompanhada pela grande mídia, episódio por episódio, sendo a especulação das duas linhas temporais a mais comentada.

Mas Westworld levanta outras questões, que vão além da análise obsessiva de seus fotogramas para antecipar respostas aos seus mistérios.

 

 

Os debates de Westworld

 

A série acontece em um parque temático habitado por robôs com aparência humana (os anfitriões), onde os visitantes (os convidados) tem via livre para fazer o que quiser, incluindo os seus desejos mais obscuros.

Os anfitriões sofrem as ações dos convidados, ms ao final de cada dia a memória dos robôs é apagada, para que a narrativa seja mantida.

Porém, alguns desses robôs começam a se rebelar contra essa situação.

 

 

O que nos torna humanos?

 

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É a pergunta mais clássica nesse tipo de histórias. Se as máquinas se parecem com os humanos, possuem emoções humanas, lembranças e são conscientes de sua individualidade, elas deixam de ser máquinas?

Ao longo da primeira temporada, vemos como há vários anfitriões que começam a experimentar desvios comportamentais. Lembram suas “vidas” passadas (ou narrativas anteriores do parque), começam a assediar e se questionam sobre o que está acontecendo.

Duas anfitriãs femininas se destacam nesse aspecto: Dolores (Evan Rachel Wood) e Maeve (Thandie Newton).

Os caminhos que as duas seguem na série caem em investigações científicas sobre quando podemos dizer que um ser humano adquire consciência própria, ou discussões filosóficas sobre livre arbítrio, imperativos morais e até a importância da memória como as características que nos separam dos primatas.

Westworld parece se inclinar para a capacidade de tomarmos nossas próprias decisões, e para a forma que nossas lembranças forjam quem somos. Blade Runner já mostrou como isso é importante nos conflitos e características pessoais.

 

 

A violência sexual contra as mulheres

 

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O comportamento despreocupadamente cruel e violento dos visitantes contra os robôs, especialmente contra os robôs femininos, é outro elemento de discussão.

Westworld revela quem são de verdade muitos dos visitantes, que totalmente despojados de artifícios e convenções sociais, acabam expondo suas reais naturezas.

Da forma como a série mostra, a circunstância dessa característica resulta em massacres sem sentido, estupros, e outros absurdos que seriam recorrentes na trama.

Isso gerou forte polêmica antes da estreia, questionando se a série se aproveitava da violência, ou se na realidade a utilizava para fazer uma crítica sobre a mesma.

Lisa Joy, co-criadora de Westworld, afirma que todos se esforçaram para que a série não se tornasse uma fetichização desses atos, explorando o crime e o tormento dos personagens dentro da história.

Entendemos que a HBO, que já se viu envolvida nessas polêmicas em outras oportunidades, já estivesse preparada para isso, consciente das consequências.

A pergunta que fica é: a nudez se justifica dentro da historia, ou é um truque barato para apelar para os instintos mais básicos da audiência?

 

Essas e outras perguntas só continuarão a ser respondidas (ou ampliadas) em 2018.