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Wes Craven deixou esse mundo aos 76 anos de idade, depois de ser derrotado na luta contra um câncer no cérebro. Esse homem deixa um legado para várias gerações de fãs de cinema, TV e cultura pop que poucos conseguiram. E o que torna o seu feito mais inacreditável é que ele fez isso pela viés mais rejeitada da personalidade humana: o medo.

Craven sabia muito sobre eu e você, sem jamais ter conversado conosco. Como psicólogo, ele sabia muito bem qual era a origem dos medos da maioria de nós. E projetou tudo isso em suas obras, de forma brilhante. A ponto de oferecer filmes que são considerados hoje referências do gênero, onde os casos mais icônicos são as séries cinematográficas A Hora do Pesadelo e Pânico.

Ok, ele também dirigiu o filme ‘Música do Coração’ em 1999, que vai totalmente na contramão do gênero que o tornou mundialmente conhecido. Mas aí é outra história.

Voltando ao mundo do terror, Craven conseguiu o que era considerado impossível: transformar personagens de terror em ícones de cultura pop. Freddy Krueger, por exemplo, é um dos personagens mais lembrados e amados de pelo menos três gerações. As pessoas não se limitam a assistir os filmes. Acabam comprando conteúdos, se vestindo igual ao assassino com cara deformada, se fantasiam como ele no Halloween, e depois de tanto tempo, o mesmo virou até ‘anti-herói’ contra outro personagem icônico (Jason), e foi parar no mundo dos videogames.

E a máscara de Scream? Ícone pop total.

Aliás, a série de filmes Pânico foi uma espécie de ‘reinvenção’ do gênero de terror, já que Wes Craven entendeu que a nova geração de fãs de cinema não estava tão predisposta a apenas sentir medo, mas sim se divertir no processo. E foi ele quem encontrou o timing perfeito entre terror e comédia nos quatro filmes apresentados.

Hoje, não só a série de TV da MTV (que tinha a produção executiva assinada por Wes Craven) mantém essa proposta, como vários outros filmes e séries da atualidade buscam combinar esse mix de diversão e bizarrices. De onde você acha que Ryan Murphy cria os seus universos regados à ácido e perversões sexuais das temporadas de American Horror Story? Desse referencial estabelecido por Craven anos antes.

Então… a morte de Wes Craven deixa o mundo ‘menos assustado’, mas ao mesmo tempo mais ‘pobre’ e triste. Perder uma mente criativa desse porte é um grande pecado para a nossa geração, para esse tempo onde vivemos de carências de novas e boas ideias. Mas nem tudo é eterno nesse mundo. Nem mesmo os pesadelos.

Por isso… Wes Craven, obrigado por me deixar com medo. Não foi tão ruim assim. Suas obras serão eternas justamente por popularizarem o medo, e tornar esse sentimento algo mais aceitável para nós. Até porque você mostrou que sentir medo pode ser algo divertido, intrigante, criativo e único. Não imagino o mundo do cinema sem Fredy Krugger. Esse é tipo de legado que só alguém muito especial é capaz de estabelecer.