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A série Vai Que Cola, exibida pelo canal Multi Show, é um dos meus “guilty pleasures” da vida. Eu sei que a série não é aquela que podemos chamar de “que maravilha”. Pelo contrário: eu sei que é ruim e meio tosca. Mas é o “humor chão” que me diverte. Dou risadas com algumas coisas lá apresentadas, e depois de duas temporadas de 40 episódios, ver o filme não foi uma missão tão complicada assim.

Mas confesso que preciso ter cuidado e critérios para falar sobre o mesmo. Já que eu também tenho plena convicção que muita gente vai torcer o nariz para o tipo de humor feito na série e no filme. Não posso culpá-los. Além de não ser possível gostar de tudo, eu mesmo reconheço que não é o tipo de comédia que vai agradar aos ditos “gostos mais sofisticados”. Mas vamos falar do filme em si.

Vai Que Cola – O Filme mostra parte da origem da chegada de Valdo/Valdomiro Lacerda (Paulo Gustavo) no Méier e na pensão da Dona Jô (Catarina Abdala), mais como forma de apresentar esses personagens para o grande público, uma vez que a imensa maioria dos telespectadores estão conhecendo esses personagens nesse filme. Para quem já viu a série, a história já é conhecida. A boa notícia é que esse resumo para apresentar os personagens não dura mais do que cinco minutos no filme.

Valdo, muito metido a ostentação e obcecado pelo poder, é passado para trás pelos seus amiguinhos malacos da Beta Engenharia (assinando uma série de contratos sem ler, que no final viram provas do esquema de corrupção da empresa contra ele mesmo). Foragido da polícia, entra na primeira van que encontra no caminho… cujo destino é o Méier. Lá, vai parar na pensão da Dona Jô, que é o oposto de Valdo: honesta e trabalhadora. Decide acolher Valdo em sua pensão porque tem um coração de mãe… e porque já acolhe um bando de encostados e vagabundos na pensão. Um a mais não ia fazer diferença.

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Na pensão da Dona Jô, tem de tudo: mordomo/concierge/transformista/performer/crosdresser, viúva de bicheiro, periguete metida a webcelebrity, gringa falsa doida para dar um golpe, e um nerd doido pela Dona Jô. Essas pessoas bem diferentes até que vivem bem juntas, e reconhecem Valdo como um deles. Apesar do mesmo rejeitá-los o tempo todo. Mas por não ter outra saída, nosso “herói” fica por lá, entregando quentinhas para as casas do bairro

Até que, em um belo dia, os amiguinhos de Valdo da Beta Engenharia aparecem, com uma proposta irrecusável para nosso protagonista: voltar ao tão amado apartamento do Leblon, mas através de um outro esquema que visa a venda desse apartamento, que está muito irregular. Ao mesmo tempo, a pensão da Dona Jô está seriamente comprometida em sua estrutura, e é interditada. Sem lugar para ir (todos eles), Valdo decide acolher a turma em sua antiga residência, ao mesmo tempo que articula a venda/golpe do imóvel.

Vai Que Cola – O Filme não tem muitas surpresas, nem mesmo para aqueles que nunca viram a série na vida. É um filme um tanto quanto óbvio na sua proposta geral, com um final previsível, e com uma cena final que tem uma das assinaturas da série: a dificuldade em finalizar bem uma história, ou dar uma cena final que feche de forma adequada o que foi contado anteriormente. Essa é uma das coisas que me incomodam na série, e no filme, voltou a acontecer.

De qualquer forma, Vai Que Cola – O Filme diverte. Talvez por conta da competência de alguns nomes envolvidos no elenco (Samantha Schmutz, Cacau Protásio, Marcus Majella, Fernando Caruso), que contam com um ótimo timing de comédia. Esses sabem fazer rir, e conseguem aproveitar um texto que é mediano para oferecer um resultado final divertido. Não que o texto do filme seja tão ruim assim, mas como penso sempre no fato que muita gente pode torcer o nariz para a série, e ainda assim pode dar algumas risadas com os personagens que eles interpretam, podemos comprovar aqui a competência dos citados.

Sobre Paulo Gustavo… é o Paulo Gustavo. O forte dele é a improvisação do texto, e não a interpretação. Ou seja, é um bom humorista, e não um bom ator. Mas como estamos falando de um filme de humoristas, não precisamos fazer críticas sobre esse aspecto. Aqui, vai muito do fato de você gostar ou não do que o Paulo Gustavo faz. Ou do Paulo Gustavo “pessoa física”, em alguns casos.

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Um ponto positivo do filme é ele manter uma das boas características da série, que é a “quebra da quarta parede”. Em Vai Que Cola, os erros de gravação são aproveitados nos episódios, dando uma cara mais de teatro informal. No filme, essa quarta parede é quebrada quando o protagonista Valdo conversa com o público, apresentando os personagens do seu núcleo e explicando algumas das situações do filme, colocando o telespectador na trama, mesmo que de forma indireta. Até mesmo erros de continuidade são “produzidos”, apenas para aproveitar essa característica de narrativa.

Por fim, Vai Que Cola – O Filme não é de todo mal. Quem gosta da série (que é uma das maiores audiências do Multi Show hoje) fatalmente vai gostar do filme. Quem nunca viu a série, pode se divertir com o humor chão presente na produção. É uma opção para quando você não tiver nada para fazer no final de semana, ou naquela tarde de domingo sem futebol (o que será o caso desse final de semana, curiosamente).