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Desde que a Netflix começou a exibir séries originais em 2012, a plataforma adicionou muitas séries, ganhou audiência rapidamente, e renovou a grande maioria das suas produções sem maiores dificuldades… até agora.

A Netflix finalmente começou a ter uma visão mais próxima da TV tradicional, escolhendo as séries com maior retorno comercial e deixando de lado as produções menos rentáveis. Em um mês, The Get Down, Sense8 e Girlboss foram canceladas. Algo até então inédito na plataforma (três cancelamentos em um mês).

Os cancelamentos lembram que Reed Hastings (CEO da Netflix) deixa claro o seu objetivo em fazer com que todos na empresa se arrisquem mais, tentem ideias mais loucas e diferentes, e que, em função disso, o número de cancelamentos pode aumentar. E a relação custo-benefício volta a ser protagonista quando Ted Sarandos (CCO da Neflix) afirma que manter um show caro com baixa audiência é algo bem difícil, independente do modelo de negócio adotado.

A seguir, um pequeno guia das séries recém canceladas pela Netflix, e por que elas foram canceladas.

 

 

Hemlock Grove

 

Não é a primeira série original da Netflix, mas foi a primeira a ser cancelada em 2014, quando foi renovada para a terceira e última temporada, com os 10 episódios estreando na plataforma em 2015. Nesse caso, o cancelamento aconteceu pela soma do fator criativo (não queriam estender muito a história) com a relação custo-benefício (as poucas horas que os assinantes dedicavam à série).

 

 

Lilyhammer

 

O drama norueguês foi a primeira iniciativa de programação original na plataforma, em 2012. Mas depois de três temporadas, a série foi cancelada por conta dos altos custos dos direitos da série, além dos custos escalonados de produção, sendo considerada um “desafio econômico” a parceria com o canal de TV norueguês. Estava difícil para a Netflix manter os direitos globais exclusivos da série.

 

 

The Killing

 

Um ano depois da Netflix ressuscitar Arrested Development, o serviço de streaming fez o mesmo por The Killing, baseada em uma popular série dinamarquesa, que foi cancelada duas vezes pelo AMC antes de receber uma quarta temporada de seis episódios. Depois disso, a Netflix não encomendou mais episódios da produção, sem dar maiores explicações.

 

 

Marco Polo

 

A série histórica foi a primeira série original da Netflix, mas era uma grande pedra no sapato da empresa. A primeira temporada de 10 episódios teve um orçamento de nada menos que US$ 90 milhões, e quando a série foi cancelada em dezembro de 2016, teve um orçamento total para as duas temporadas de mais de US$ 200 milhões. O buzz da série foi pequeno, as críticas não muito favoráveis e, apesar dos executivos da plataforma afirmarem que Marco Polo era um sucesso global (sendo muito popular na Ásia e na Europa), os fatores financeiros foram decisivos para esse cancelamento.

 

 

Longmire

 

O A&E cancelou o drama western depois de três temporadas, mesmo sendo o drama original mais visto do canal (motivo: não se alinhava com aquilo que os anunciantes do canal queriam). A Netflix entendeu que era uma boa ideia salvar a série, já que não dependia do formato tradicional de anúncios da TV. Três temporadas depois, Longmire conclui a sua jornada. Um caso de sucesso aqui.

 

 

Bloodline

 

Os criadores e produtores de Bloodline tinham planos para cinco ou seis temporadas, mas a série foi cancelada após apenas três temporadas. A Netflix teria notificado o time de produção e a Sony Pictures Television sobre a opção de não seguir com a série um pouco depois do anúncio para a renovação para a terceira temporada, em julho de 2016. Além disso, a encomenda de episódios foi reduzida de 13 para 10 episódios, o que aumentou a tensão entre os envolvidos. Mesmo com a opção de renovação, a terceira temporada chegou a ficar incerta após o fim dos incentivos fiscais no estado da Flórida para as produções de entretenimento, aumentando assim os custos de produção da série.

 

 

The Get Down

 

Desde que o projeto foi anunciado em fevereiro de 2015, o drama musical de Baz Luhrmann dava sinais de que seria um processo caótico de produção. Com múltiplos atrasos, a série se deparou com os problemas financeiros, com um orçamento final de US$ 120 milhões, se tornando assim a série mais cara da história da televisão (por temporada produzia). A visão ambiciosa de Luhrmann não foi suficiente para manter a série viva, e a Netflix esperou até a estreia da segunda metade da primeira (e única) temporada para anunciar o cancelamento. Luhrmann esperava se envolver com o projeto por pelo menso dois anos, mas ele mesmo afirmou que era difícil conciliar seus projetos cinematográficos com o tempo que ele teria que se dedicar à The Get Down.

 

 

Sense8

 

Uma semana depois de anunciar o cancelamento de The Get Down, a Netflix anunciou o cancelamento de Sense8, depois de 23 episódios e 16 cidades em 13 países visitados. O motivo para o cancelamento era justamente os elevados custos de produção, e a desfavorável relação custo-benefício (Sense8 só era megahit no Brasil; nos demais países, era uma série com baixíssima audiência). Porém, o barulho dos fãs nas redes sociais foi tão grande, que o serviço de streaming decidiu encomendar um series finale com duas horas de duração.

 

Girlboss

 

Girlboss não teve vida longa depois de críticas negativas, e a Netflix optou por cancelar rapidamente a comédia baseada na vida da fundadora do Nasty Gal. Os 13 episódios da série contavam com Charlize Theron como produtora executiva, além de Sophia Amoruso, a protagonista dos acontecimentos. Sophia lamentou a decisão em sua conta no Instagram, e chegou a dizer que tinha esperanças que a série seria renovada depois que Flaked, protagonizada por Will Arnett, alcançou a segunda temporada, mesmo com críticas negativas.