trial & error

 

Difícil achar graça em uma série onde só o John Lithgow realmente tem graça.

Trial & Error, nova comédia da NBC, entrega um humor nonsense, em uma realidade nonsense, mas que não funciona na maioria dos casos. Nada contra o humor imbecil. Eu gosto de ver bobagens na TV. Mas elas precisam funcionar. As piadas precisam funcionar. E até a tosqueira tem que fazer sentido para mim.

Caso contrário…

 

Trial & Error mostra a história de um advogado de Nova York que vai para uma dessas cidades do interior dos Estados Unidos, super conservadoras e arcaicas, defender um caso que é praticamente indefensável. Um senhor maluco/lunático (Lithgow) é acusado de assassinar a esposa, onde supostamente ele arremessou a coitada pela porta de vidro de sua casa.

Ele, obviamente, alega inocência, afirmando que já encontrou a mulher tropeçada na porta estilhaçada. O que complica a sua situação são as evidências indiretas, uma vez que ele também foi acusado de assassinar a primeira esposa e tinha um caso com o seu personal trainer.

Lembrando que, pelas leis da pequena cidade, ser homossexual é um crime.

Mas o que torna a vida do nosso advogado protagonista um inferno é a cidade como um todo. Além do seu escritório ficar dentro de uma loja de taxidermia, ele tem como funcionários no seu escritório improvisado uma secretária com uma série de distúrbios comportamentais, um assistente que tem primo na polícia mais não serve para nada, e um especialista forense que fica excitado em situações estressantes.

Para completar, a promotora quer arrancar a cabeça dele para ter visibilidade na cidade, e a juíza do caso não vai com a cara dele, achando nosso “herói” muito pedante e almofadinha, uma vez que ele veio de Nova York.

 

Eu não achei graça em Trial & Error. As piadas são nonsense, mas sem graça. O texto não empolga, e os argumentos gerais da série não conseguem prender. É claro que os mais curiosos querem saber se o réu será condenado ou não (pelas leis da cidade ele pode ser eletrocutado, ou pior, atacado por um urso). Mas isso não é o suficiente para me segurar e acompanhar uma temporada completa. Nem mesmo pela eventual curiosidade mórbida.

É o tipo de série onde um personagem precisa salvar tudo e, nesse caso, “só John Lithgow salva”.

Bem sabemos como Lithgow é um excelente ator, independente do fato de ser uma trama cômica ou dramática. Mas especialmente nesses personagens mais surtados, ele vai muito bem. Vide 3rd Rock From The Sun, que durou várias temporadas com ele interpretando um alienígena maluco.

Logo, não é surpresa alguma ver ele se dando bem em um papel com um DNA cômico similar.

Já os demais estão de medianos para baixo. Ainda não dá para se animar com nosso amigo advogado, que pode até ganhar corpo nos próximos episódios. Mas como cada produção hoje precisa empolgar cada vez mais rápido, ele deixou mesmo a desejar pelo menos nesse princípio.

O que mais me causa estranheza é que mais de 80% das pessoas que votaram no Roasted Tomatoes aprovaram a série. Bom, pode ser o impacto inicial. Vamos ver se nos próximos episódios a audiência mediana se mantém.

Mas recomendo que vocês não se apeguem. Ainda mais na NBC.