Transformers: O Último Cavaleiro

É oficial: eu tenho sérios problemas com Michael Bay!

Transformers: O Último Cavaleiro ERA para ser uma espécie de sequência de um novo arco iniciado com A Era da Extinção. Até tem uma sequência lógica de eventos. Porém, cita temas e resgata personagens da primeira trilogia, o que indica que nosso menino Bay se arrependeu de certas escolhas do filme anterior, optando por buscar aqueles elementos que os fãs da franquia gostam de ver nos filmes. Como, por exemplo, robôs gigantes se destruindo em batalhas frenéticas e computadorizadas.

Acontece que, nessas escolhas, Michael Bay decide renunciar a outras que, automaticamente, contrariam não apenas aos fãs de Transformers, mas também aos que esperam o mínimo de coerência na história apresentada em tela. Por mais que os defensores da franquia bradem com orgulho o bordão “coerência pra quê?”, ela se faz necessária em toda e qualquer história de ficção. Mesmo que ela seja totalmente calcada na fantasia, uma vez que Transformers deixou de ser uma simples história de ficção, com um plot de fundo vindo de um jogo de RPG (praticamente).

A gente sabe que os Transformers sempre estiveram em nosso planeta. Desde os tempos dos dinossauros. Logo, é meio tenso a audiência ser obrigada a rever diversos momentos históricos da humanidade onde os robôs alienígenas tiveram a influência decisiva para a resolução dos conflitos. Isso foi interessante uma vez (em O Lado Escuro da Lua), e duas vezes, no máximo (em A Era da Extinção, até mesmo porque iniciou um novo arco dentro da franquia). Na terceira vez, começa a parecer que é mais uma estratégia reciclada de um Michael Bay que não tem mais criatividade para novas histórias.

Agora, voltamos aos tempos das batalhas medievais do Reino Unido. A era de Rei Arthur, de Merlin e dos Cavaleiros da Távola Redonda. Descobrimos que tudo aquilo se resolveu com a ajuda de robôs cavaleiros. 12, para ser mais exatos. Assim como aconteceu com os 12 cavaleiros da Távola. Ah, sim… eles, com a ajuda dos poderes mágicos do mago Merlim. Que é bêbado, e não tem poder mágico algum. Sua magia também é alienígena, já que seu cetro mágico tem poderes de outro planeta.

E tudo isso cria a tal conexão com o presente, de várias formas. Por exemplo, a família de origem britânica que é da linhagem do Rei Arthur, que acaba arriscando sua vida de tempos em tempos para ajudar os Transformers a salvarem a humanidade. Sim… a mesma família do menino Sam dos três primeiros filmes (que zoada no Shia LaBeuf…).

 

 

E até compreensível que o planeta Terra tenha virado uma zona depois que Optimus Prime foi embora para se encontrar com os seus criadores (que enganaram ele bonito no filme anterior). Afinal de contas, ele era o líder dos AutoBots, e sem ele, cada um fez o que quis. Resultado: os humanos criaram uma força especial para parar os robôs gigantes. Menos em Cuba, é claro, pois lá eles podem tomar sol.

O que eu realmente não entendo é o refúgio do Megatron. Afinal de contas, eu já me conformei com o fato dele ser imortal e indestrutível, pois Prime acabou com ele no filme anterior, e ele segue lá, vivo e inteiro. Porém, ele é totalmente recuperado, mas não aproveita a ausência do seu arqui-inimigo para tocar o terror na Terra? Ou o vilão SEMPRE PRECISA DO HERÓI para ameaçar o planeta?

Pois é. Megatron, que sempre chamou os humanos de insetos e é um robô mega poderoso, fica refugiado, até quem um talismã, que já estava na Terra há algum tempo (com um robô samurai abatido), é encontrado por Cade (Mark Wahlberg), que vira o homem mais procurado do planeta. Não porque o amuleto pode ajudá-lo a encontrar o cetro do poder utilizado por Merlin, mas porque o objeto tem energia alienígena, e quem tem contato com seres de outro planeta (seja ele qual for) acaba se tornando um procurado do estado.

É interessante colocar elementos novos que criam a conexão do passado com o presente, com uma nova personagem que é parente distante de Merlin (logo, essencial para a resolução do conflito). O problema é quase apelar para o sexismo para mostrar a tensão sexual entre Cade e Viviane. Beirou ao mal gosto, sinceramente.

 

 

Transformers: O Último Cavaleiro é o filme errado, no lugar errado. Talvez se parte do arco desse filme estivesse no filme anterior, as histórias poderiam funcionar melhor. Quero dizer, se o plot principal de A Era da Extinção fosse o quinto filme, incluindo o final onde Optmus Prime vai atrás dos seus criadores (criando um gancho óbvio para o sexto filme), teríamos uma história com uma sequência lógica mais orgânica e bem construída.

Porém, nem isso salva Transformers: O Último Cavaleiro de uma inconstância desconfortável de estrutura narrativa e resolução de problemas.

Michael Bay claramente tenta resgatar alguns dos elementos que se tornaram marca registrada da franquia Transformers. Por exemplo, alguns dos personagens queridos pelos fãs, estão de volta (William Lennox, Seymour Sinners), tentando criar a conexão direta com os primeiros filmes. Isso mostra que entregar Optimus Prime e BubbleBee não era o suficiente para a audiência. Outra coisa que volta no quinto filme é o humor cretino, com piadas até bem localizadas, cutucando o cenário político internacional e remetendo à cultura pop. Alias, BubbleBee voltou a ser bem humorado, algo que criou a empatia dos fãs ao longo desses anos todos.

Até entendo a tentativa de Michael Bay em contar uma história um pouco mais complexa, com uma trama que tenta ser elaborada, apesar da repetição de conexão da história de fantasia com o passado da humanidade. Insisto que isso já é uma mostra de “não sei mais o que vou contar”, mesmo com Bay afirmando em entrevistas que tem histórias para mais 19 filmes da franquia.

Sobre a parte técnica do filme, nada pode se dizer de negativo. É um filme com uma computação gráfica excelente, cenas de batalha muito bem feitas e bem produzidas. Afinal de contas, ninguém sabe explodir as coisas tão bem no cinema quanto Michael Bay.

O que não entendo, definitivamente, é o que motiva as escolhas de Michael Bay para resolver os seus problemas.

 

 

Voltando um puco para a situação anterior. Transformers: O Último Cavaleiro, tem um tempo muito menor de cenas de lutas entre robôs, o que é bom, pois procura contar uma história. Mas ao mesmo tempo, desagrada um pouco os fãs da franquia, que estão no cinema para ver robôs alienígenas gigantes entrando na porrada.

Outro problema sério em Transformers: O Último Cavaleiro foi o enorme destaque para a pequena Izabella nos promos, ela encher o saco para ficar com Cade e seus amigos robôs gigantes para, no final das contas, ela ser apenas o pombo-correio dos amigos Transformers, sendo que a invasão alienígena era um problema em escala global. Ah sim, e colocar o robozinho azul dela para destruir um canhão. E nada mais. Era para ela ser mais efetiva na trama, já que era o ponto de conexão emocional de Cade no filme.

E isso porque não citei os dois pontos que transformam Transformers: O Último Cavaleiro em um filme de magia e fantasia, deixando a ficção científica de lado. Aliás, o filme faz clara piada disso, quando um engenheiro da NASA (Tony Hale) tenta resolver o conflito todo com a ciência e a física, e falha miseravelmente. É um dos bons pontos de humor do filme.

Mesmo assim… não salva de ter soluções simplesmente vergonhosas, totalmente desprovidas de lógica, com uma estrutura narrativa que vai pro espaço rapidamente. Optimus Prime desaparecendo por quase 30 minutos no filme, no quente do conflito. Megatron ausente boa parte do filme, e só aparecendo para roubar o doce da criança…

 

 

Transformers: O Último Cavaleiro não é apenas um filme ruim. Ele é um filme errado. A impressão que tenho é que agora vale qualquer coisa para arrecadar quatro ou cinco vezes o orçamento do filme, que é o que normalmente essa franquia consegue arrecadar. Mas não sei se dessa vez será tudo tão simples: o filme teve a pior arrecadação para o primeiro final de semana até agora, e começo a entender que os problemas apresentados no quarto filme (que tem 2h45 minutos de uma porradaria sem nexo) já fazem reflexo no interesse do grande público nessa nova história.

Enfim, a única coisa certa é que a confusão da franquia Transformers continua em 2019, já que o sexto filme foi confirmado. Antes disso, teremos Transformers Universe: BubbleBee, o primeiro spinoff da franquia, que estreia em 2018… com outro diretor!

E ter um novo diretor me dá esperança de dias melhores pra todos nós.