Antes de qualquer coisa: para os leitores com a mente mais limitada, é sempre bom “desenhar” (porque explicar não dá) que esse é um texto bem humorado. Tá, é um saco ter que explicar a piada, mas algumas pessoas levam tudo tão à sério, que é necessário fazer esse adendo. Esse texto não visa ser “a palmatória do mundo”. Só quer emitir opiniões pessoais (imparcialidade não é o forte desse blog, e nunca vai ser) com bom humor, sarcasmo e ironia.

Logo, se você vai se ofender com o que vai vir a seguir… azar o seu!

Mas o fato é que: Ryan Murphy é um GÊNIO! E até o Emmy dessa vez concorda comigo. Tanto, que ele vai receber um Emmy honorário, só pelo seu “conjunto da obra” (de apenas três séries… e The Glee Project).

Se você nunca ouviu falar em The Glee Project (Oxygen), você não sabe o que está perdendo vendo o seu “spun off”, Glee (Fox). Dentre os reality competitons que temos na TV norte-americana, essa produção se destaca por ser simplesmente tudo aquilo que a gente sempre sonhou ver em Glee, mas Ryan Murphy nunca deixou acontecer: uma história. Cheia de clichês, momentos constrangedores, plot twists que os candidatos já sabem, reações espontâneas e tudo o que um reality show pré formatado merece ter. Mas com elementos que você só encontra em The Glee Project.

Pra começar, Ryan Murphy tomou a sábia decisão de colocar o seu reality em um canal minúsculo, o Oxygen, que não era absolutamente nada há dois anos atrás. Ou vai me dizer que você sabia da existência desse canal? Para você ter uma ideia, o Oxygen foi literalmente descoberto com The Glee Project. E isso não é para qualquer um. Depois, ele conseguiu o sonho de todo e qualquer roteirista de TV: ter “personagens” em forma de candidatos. Todos prontos como “personagens”. Mas todos disputando “o melhor prêmio da TV: um arco de sete episódios em Glee”. E ele vendeu muito bem essa ideia.

E, como cereja do bolo… ele aparece na TV fazendo caras como essa…

Ou então, essa…

Admita: como não resistir?

Voltando aos candidatos (que são os verdadeiros astros do programa), você tem um genuíno bando de perdedores (sem querer ofender ninguém, mas essa sempre foi a ideia de Glee), que até possuem talento, mas seus medos e inseguranças os tornam ainda candidatos incompletos, que precisam se desenvolver e até mesmo se descobrir em alguns casos durante o programa… fazendo coisas que exigem que eles tenham um pouco mais de talento. E eles não possuem esse talento todo! Veja bem, não é maldade da minha parte. É um fato estatístico. A maioria dos adolescentes ainda não estão prontos como seres humanos para fazer qualquer coisa na vida. As exceções se destacam, e viram especiais naquilo que fazem (ok, toda regra tem sua exceção; vide o Justin Bieber e os Jonas Brothers).

Mas serem perdedores incompletos é a grande graça de The Glee Project. Você vê os típicos dramas e conflitos de adolescente projetados na tela, como crises existenciais, duelos de ego e não aceitação da própria imagem sendo elevados a níveis realmente excêntricos (como o caso de um candidato que “estava se descobrindo como bissexual” durante a temporada… aliás, que história chata…), e mesmo assim, eles não desistem. Sabe, essa é até uma mensagem positiva do programa (e, sem brincadeira, é algo que Glee também tenta passar): mesmo você sendo subestimado por todos, se você tem um sonho, nada vai te parar. Exceto o Ryan Murphy fazendo um “poker face”, te eliminando do programa, é claro!

E o melhor de tudo é ver essa combinação de imaturidade, falta de talento e fé no futuro em algumas situações que vão “do genial ao bestial” com apenas um episódio de diferença. É diversão garantida. Tanto pelo lado positivo quanto para as ótimas risadas rendidas.

Os treinadores são outros elementos importantes de The Glee Project. Além de serem os mesmos que trabalham com os profissionais de Glee, eles atuam de forma quase paternal com os candidatos. Pode ser estranho e engraçado, mas isso fez com que eles fossem carismáticos para o público também.

Ok, em situações normais de temperatura e pressão, essas pessoas não poderiam dar 10% de trabalho que dão, mas mesmo assim, eles fazem de tudo para que os seus pupilos se saem bem. Nem sempre conseguem, pois talento não se enfia goela abaixo. Mas eles se esforçam. E com o bônus que eles são muito mais mentores do que Will Schuster foi em qualquer momento das três temporadas de Glee.

Por fim, The Glee Project apresenta tudo o que há de mais espontâneo no adolescente norte-americano atual. Se a “cultura do perdedor” está na moda, o programa que mais representa isso hoje é The Glee Project, onde o que importa é se você é mais ou menos diva, confiante ou covarde, centrado ou desobediente. Tem as músicas no momento certo, ninguém sai cantando pelos corredores do set de gravação do nada…

… e tem o Ryan Murphy!

Então, se eu sou você, desistia agora de Glee, e ficava direto com The Glee Project. É o melhor de Glee, mas sem a Lea Michelle, o Cory Monteith, o Chris Colfer, o Matthew Morrison…