Não teremos spoilers nesse post. Até porque nem podemos chamar de spoiler, uma vez que todo mundo está vendo essa série, e a mesma está passando no Brasil apenas dois dias depois de sua exibição nos Estados Unidos, pelo FX. Mesmo assim, The Walking Dead (AMC) está em uma temporada tão espetacular, que começo a me perguntar se tem como melhorar algo que já está muito bom.

Não sou um daqueles que acompanham a história em quadrinhos, mas sei que há diversas modificações entre o que foi contado em uma mídia, e o que é exibido na televisão. Mas, pelo o que posso acompanhar, o número de pessoas que estão satisfeitas com o resultado apresentado pela AMC é muito maior que os descontentes (até porque toda unanimidade é burra). E isso se reflete em sua audiência: com uma média de 10 milhões de espectadores (a maior audiência da TV paga nos Estados Unidos), com uma temporada programada para 16 episódios, já tem renovação garantida para uma quarta temporada, e com todos os acontecimentos já apresentados nessa terceira temporada, não conta uma história para ser apenas um “caça níquel”. Conta uma história consistente, ousada e atraente a cada episódio.

Nessa terceira temporada, The Walking Dead consegue agradar à gregos e troianos, e sem perder o conceito que sempre considerei básico na série:

“Essa não é uma série sobre zumbis. É uma série sobre pessoas tentando sobreviver à epidemia zumbi”.

Até porque os zumbis são descartáveis na série. Veja bem, não disse que eles não são importantes, ou que eles não precisavam existir na série. Estou dizendo que, basicamente, eles são o motivo para que essas pessoas tentem sobreviver em um cenário onde eles estão biologicamente condenados, mas mesmo assim, buscam a sobrevivência, que é por excelência o instinto mais primitivo do ser humano. Afinal de contas, 99,99% das pessoas NÃO querem morrer. Mesmo sabendo que vão.

Se você busca profundidade nos personagens, a série apresenta isso. Até mesmo aqueles que pareciam bem rasos, como Daryl Dixon e Carol Peletier apresentam algumas camadas de sensibilidade, misturadas com ações inusitadas, tornando os personagens mais atraentes. E a adição de Michonne e do Governador aumentou ainda mais esse lado que torna a série algo muito além de mandar tiros na cabeça dos zumbis (e agora, golpes de espada). E essa trama confirma a premissa que vai se desenvolvendo ao longo dessas temporadas: os perigosos não são os zumbis, mas sim, os humanos.

Ao mesmo tempo, para aqueles que reclamavam da falta de porradaria na série, estamos diante de um verdadeiro festival de zumbis e humanos mortos e até decepados nesta terceira temporada. Os roteiristas não estão economizando dessa vez na eliminação de personagens, ou em causar danos sérios naqueles que ainda sobrevivem (Hershel que o diga). Isso, sem falar na morte que muitos esperam desde a primeira temporada (vá pro inferno, Lori!).

Não acredito que The Walking Dead vai manter o mesmo ritmo a temporada toda. Até porque é muito difícil uma série hoje ser absolutamente linear na sua qualidade. Ter altos e baixos é considerado algo normal, e não vai me surpreender se tivermos episódios considerados “mais ou menos”. Também não vou me irritar por isso. Até porque eles já conseguiram me entreter muito bem nos primeiros cinco episódios dessa primorosa terceira temporada.