speechless

Eu sei… Speechless estreou em setembro de 2016. Mas entenda que vivemos a era do Peak TV, ou seja, temos que escolher o que assistir, pois é humanamente impossível assistir tudo.

Como estamos na summer season e as coisas tendem a andar um pouco mais devagar, eu decidi ver algumas das séries que ficaram para trás. Aquelas que não curti o argumento logo de cara, mas que foram renovadas. Estou assistindo também para entender por que elas foram renovadas. E Speechless é um desses casos.

Estamos diante de mais uma série familiar da ABC, mostrando uma família que foge do convencional ou tradicional, com alguma peculiaridade que a diferencia das demais. Tal e como todas as comédias familiares do canal hoje. E posso dizer que eles não só entenderam que a sua audiência quer ver esse tipo de série, como também manjam em como fazer.

Dito isso, a família DiMeo tem membros com personalidades diferentes, mas que se unem em torno daquele que mais precisa: JJ é um jovem com paralisia cerebral, mas que possui um peculiar (e ácido) senso de humor. E, talvez por ele não poder falar nada, os demais membros da família são a voz dele ao mundo (ou porque é uma família ítalo-americana, e todo mundo sabe como os italianos falam até pela nuca).

Na tentativa de buscar uma vida melhor para JJ, a mãe Maya busca um novo lar mais próximo do colégio que supostamente oferece uma melhor inclusão para o seu filho com necessidades especiais. Na prática, nada disso dá muito certo, e ela acaba se esquecendo que tem outros filhos para cuidar. Algo absolutamente normal nesse cenário.

Speechless se propõe a levantar discussões interessantes, que vão além da questão da inclusão: preconceito, aceitação, a falsa sensação de inclusão, mães super protetoras, filhos que conseguem se equilibrar pelos seus próprios sentimentos… o piloto da série é prazeroso de se ver por poder detectar claramente tais questões sendo abordadas na narrativa e nos diálogos dos personagens.

Aqui, temos ótimas interpretações, e um texto que funciona o tempo todo. Em linhas gerais, o piloto da série não apresenta nada de revolucionário, mas entrega o básico bem feito. Há algumas similaridades com The Middle (principalmente no modo bagaceira de ser dos membros da família central), mas consegue manter a sua identidade própria na maior parte do tempo.

A série recebeu na primeira temporada uma encomenda completa de 23 episódios, e foi renovada para a segunda temporada. Estou tentado a ver a temporada toda, mas imagino que sua renovação aconteceu com méritos.

Para quem curte as comédias da ABC, Speechless é uma aposta segura. Pode ser diversão garantida.