Greys

Final de Grey’s Anatomy é um dos grandes eventos televisivos do ano, e não perde nada para o natal, dia das mães, final de brasileirão e novela das nove. Desmarquei todos os meus compromissos, abandonei todos os meus trabalhos, e fiz um balde de pipoca do tamanho da grandiosidade da sua criadora. Mais: nesse ano eu fui conferir a previsão do tempo, e liguei para a companhia fornecedora de energia da minha cidade para saber se tudo ia funcionar normalmente, para que nada atrapalhasse o momento de apreciar os 40 minutos de Perfect Storm, episódio final da nona temporada da série.

Quem é fã de Grey’s sabe do que eu estou falando. Afinal, todos os anos esse evento televisivo nos faz perder a cabeça,  nos levando a cogitar como a tragédia irá modificar a vida dos personagens, ou se aqueles que mais amamos sobreviverão ao roteiro impiedoso de Shonda Rhimes. Mas esse ano, ela nos preparou uma surpresa diferente.

Para começar, assistir ao episódio foi uma montanha russa para meu fraco coração. A cada cena apresentada, o episódio nos  dava a entender que algum personagem iria sofrer um atentado, seja ele pela falta de energia ou pela tempestade que não parava de cair nos céus de Seattle. É incrível como a série ainda consegue nos manter tão angustiados com o futuro dos personagens, e que apesar de todo o terrorismo criado por Shonda nas redes sociais semanas antes do episódio ir ao ar, ficamos com esse sentimento de impotência e de torcida para que no final tudo dê certo.

Afinal bombas, atentados, tiroteios e quedas de aviões nos fazem acreditar que tudo pode acontecer. E realmente tudo acontece a começar pela tempestade que isola o hospital e o transforma em uma “cidadadela”, um lugar recolhido em sua autonomia, que possui claramente um sentido de enclausuramento e esse sentimento cresce à medida que o episódio avança, com a queda de energia e com a dificuldade das situações que como de praxe se impõe no episódio final.

Apesar das situações complicadas, Shonda nos leva para um episódio que tem um final digno de Glória Perez. Quando a luz se acende, ela não vem só para tirar o Seattle Grace do cenário sombrio, mas sim para fazer os nossos heróis enxergarem a verdade que a alma deles não conseguiam enxergar.

Todos os riscos de mortes foram extinguidos, e tivemos uma sequência de “eu te amo, eu te quero e não posso viver sem você”, para arrematar todo o drama vivido pelos personagens nas últimas cinco horas de tempestade. E então, nossos amados doutores tiveram uma clara lição: quando o coração fala, você não pode ignorar, seja pelo instinto materno que grita, seja pela noiva que descobre que ama outro homem, ou pela médica que quer pedir perdão para o colega, ou pela mágoa da esposa que arrancou a sua perna.

Enfim, prevejo uma décima temporada de muita luz, onde iremos acompanhar a vida de personagens que enxergam a vida com muito mais clareza e verdade, numa história onde o mais importante é ouvir o coração e segui-lo. Gloria Perez ficaria orgulhosa de Shonda Rhimes. Ou com inveja, dependendo do ponto de vista.