Michael Bay

Muita gente tem arrepios quando tomam conhecimento sobre um novo filme da saga Transformers, pois já sabe o que está por vir: uma acumulação átona de explosões, gente suada, militares que salvam o dia e mulheres exploradas como objeto sexual.

Vai ver Michael Bay queria ser fotógrafo de calendários quando era criança, não é mesmo.

Fato é que, acredite se quiser, Michael Bay é muito respeitado pelos demais diretores, por sua já comprovada capacidade técnica para produzir cenas de ação, além do seu manejo com a tecnologia para entregar essas cenas.

Bay é muito metódico, correto e profissional. Por muitas vezes, é possível ver o seu verdadeiro talento, e isso pode ser encontrado em pelo menos seis dos filmes que ele já fez.

 

 

1. A Rocha (1996)

 

Quem assiste esse filme hoje tem outra perspectiva em relação ao passado. Ação pura, diálogos memoráveis e boas interpretações de Sean Connery, Nicholas Cage e Ed Harris. É um dos melhores filmes de ação de todos os tempos.

A Rocha está longe de ser impecável, mas mostrou o talento de Bay, e com um bom roteiro pode criar um memorável filme de ação. Fez com que o conceito de blockbuster voltasse ao mainstream, introduzindo o que seria o estilo Jerry Bruckheimer de produzir cinema nos anos 2000. A prova do que estou falando? A saga “Missão: Impossível”.

 

 

2. Armaggedon (1998)

 

O fim do mundo sempre foi tratado com seriedade no cinema, mas o sucesso de Independence Day (1996) inspirou Michael Bay a mudar essa tradição, em um filme com uma premissa tão absurda, que parecia vir de um desenho animado.

Mineradores vs um asteroide gigante. Detalhe: com um Bruce Willis no seu melhor, e Liv Tyler se tornando a paixão de todos. Uma combinação altamente contagiosa.

 

 

3. Os Bad Boys I e II (1995, 2003)

 

Tem que escolher os dois. Ou quem sabe escolher o segundo, que é o primeiro filme com um humor mais negro e cheio de excessos. É uma franquia importante, não apenas porque Bay introduziu a técnica de giro de câmera ao redor dos rostos de Will Smith e Martin Lawrence, mas porque este foi o primeiro filme em que vimos Will Smith, até então o moleque chato de Fresh Prince of Bel-Air, deixar de ser o rapper simpático.

Aqui, o arquétipo de Smith como herói de ação foi definido. E esta trilogia precisa ser concluída um dia, viu, Sr. Bay?

 

 

4. A Ilha (2005)

 

Uma história de ficção científica de alto conceito, que combinava harminiosamente todos os filmes que copiou, de forma desavergonhada. Aqui, temos um belo trabalho de Bay.

Não adicionou nada de muito original, mas funcionava como um blockbuster adulto, com um roteiro divertido e boas interpretações. Pesa mais o nome do diretor nos créditos do que as suas próprias limitações. Uma proposta perfeita da ficção científica de aventura.

 

 

5. Sem Dor, Sem Ganho (2013)

 

Depois de fazer tantos filmes ruins da franquia Transformers, Bay teve sua imagem junto ao público e crítica seriamente arranhada, sendo considerado o “tio dos robôs”. Muitos se esqueceram do Bay que focava nos personagens estereotipados, que era capaz de ir além de explosões e mulheres gostosas sem filtro.

Um dos filmes mais subestimados é Sem Dor, Sem Ganho, que mostra como o sonho americano pode servir de paródia de alguns dos seus outros filmes. Baseado em um caso real tão negro como estúpido, Bay recorre à uma inesperada combinação de hilariante odisseia de três marombados com um plano de crime perfeito muito ruim.

Não há muitos filmes hoje que funcionem com essa forma, mas Bay conseguiu revisar seu estilo ao ponto de converter este filme em uma espécie de Irmãos Coen turbinado com anabolizantes.

 

 

6. 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi (2016)

 

Aqui, Bay se livrou de todos os moldes que ele mesmo criou, fazendo um filme normal, com linha argumental clara, personagens com empatia e cenas de ação rodadas in loco. É tão real, que o nível técnico exigido é maior.

Por que valorizamos as sequências de ação dos filmes de Christopher Nolan e não as desse filme ainda é um mistério, mas pode ser pelo fato do exército norte-americano ser tão patriótico, como em todos os filmes de Bay.

John Krasinski mostrou o seu potencial como protagonista, em mais uma história baseada em fatos reais, onde Bay entregou uma claustrofóbica história de assédio e heroísmo em consonância com a trilogia dos heróis de Peter Berg.