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Diz a lenda que uma boa série de suspense garante o envolvimento do público à medida que ela responde algumas perguntas, para poder criar novos mistérios. Hoje, a maior série teen do momento não é “tão boa” como quando achávamos que seria a três anos atrás. A série é fortemente inconclusiva, fazendo com que seja perigoso à saúde assistir 24 episódios de sua temporada. Mais: é uma fonte quase inacabável de absurdos que um grupo de roteiristas pode criar a cada episódio que passa. Esse é apenas um dos problemas pelos quais essa poderosa série de mistério teen passa.

Qual é o papel do público nisso? Como estamos cooperando ou buscando soluções para termos de volta as mais de 65 horas desperdiçadas assistindo um programa que se apega numa trama principal (mais velha que a própria Odete Roitman quando morreu), que é o velho “Quem matou?” Este artigo tem como o princípio dar dicas para salvar a maior vergonha televisiva da atualidade: Pretty Little Liars.

Como tantas séries em exibição no momento, os problemas de Pretty Little Liars (a partir de agora vamos chamar de PLL, abreviação carinhosa dada pelos fãs) são múltiplos, e às vezes parecem intransponíveis. Primeiro, e o mais importante: faltam roteiristas capazes de desenvolver a história (inclusive eu acho que os roteiristas de The Following fizeram estágio em PLL). Esse fato sozinho é mais do que alarmante, pois significa que o que vemos na tela nada mais é do que um monte de retalhos costurados aleatoriamente, gravados sem alguma linearidade, somente contando com o talento das atrizes (é questionável essa minha última afirmação) que são especialistas em fazer cara de surpresa e correr do nada pra lugar algum.

A série não tem mais para onde ir, por culpa exatamente da falta de coragem dos produtores e roteiristas de criar um novo gancho para conduzir a história. Essa falta de criatividade está causando danos irreparáveis à série, e a irritabilidade de quem assiste. Tudo por que o “Quem Matou?”, “Quem é-A?” não interessa mais a ninguém.

Mas existe salvação. Sim, caro leitor. A salvação existe e eu vou dar aqui as 6 dicas para que o roteiro de PLL se restabeleça e encontre o caminho para a solução genial que vai tornar a série o programa mais “cult“, já exibido no ABC Family (e eu não estou falando de Cult, aquela série vergonhosa da CW).

Dica 01Falar que a série é uma experiência “Dadaísta” (os hipsters vão adorar): se você acha que PLL não é uma série burra, ela é culta, sim muito culta. A série é uma experiência do movimento artístico Dadaísta, surgido na Alemanha na década de 1920. PLL é uma série cuja principal característica é a ruptura do formato tradicional de roteiro televisivo. Como no Dadaísmo, nada precisa fazer sentido, nem ser explicado, deixa para o lúdico “explicar tudo” (vai até parecer série da HBO – sinto cheiro de Emmy no ar).

Dica 02A contratação de Shonda Rhimes como consultora criativa: Shondinha, (como eu gosto de chamar) não é a grande showrunner da ABC, com séries aclamadas pelo público? Shonda, com seu cajado da morte, iria eliminar todos os personagens aleatórios (quem sabe até uma das protagonistas,seria um novo mistério – “Quem matou Hannah Banana?”),  deixando só quem interessa na série, e os roteiristas teriam que lidar com menos personagens, conseguindo guiar a trama de forma mais construtiva. O grande problema de PLL é que tem muita desgraça acontecendo e ninguém morre, nem quando é afogado no lago ou atropelado por Sidney Andrews (que saudade de Melrose Place… isso sim era série boa).

Dica 03 – Falar que a série é um prelúdio de The Following: o “Tean A” na realidade é uma seita (assunto que está em alta atualmente). PLL foi pioneira nesse assunto, criando uma seita de adolescentes para infernizar as quatro garotas. Depois, era só dizer que eles estavam treinando para “algo maior”, e isso explicaria o fato da polícia nunca descobrir nada e de todo mundo “convenientemente” ajudar a seita em algum momento para chantagear as garotas. Se tiver seita, ninguém tá preocupado com que algo faça sentido.

Dica 04 – Falar que tudo não passa de um reality show: o roteiro da série é uma grande metalinguagem (todo mundo adora essa palavra), é o “show da vida”, e tudo não passa de um cenário, com os pais das personagens sendo atores, os professores são atores, a cidade é um grande cenário, e isso explica o fato de ninguém fora as quatro não perceber que nada de errado está acontecendo, e que os personagens que desparecem no meio da cena, na realidade estão escondidos atrás do cenário. Quem sabe se rolar uma vaquinha dá pra contratar o Jim Carrey pra uma aparição especial.

Dica 05 – Criar um portal para um universo paralelo: as pessoas amam essa história de universo paralelo (não cansam nunca), e com isso, PLL consegue explicar por que os personagens voam no meio da cena, sem algum sentido. A explicação seria que eles são sugados pelo outro universo, porém eles esquecem e ficam confusos nessa transição de universo, o que justificariam eles nunca saberem o que estão fazendo e nem para aonde estão indo.

Dica 06 – Só um apocalipse zumbi para salvar a série: (inclusive já até deram o gancho para esse plot na última cena do season finale), e com a qualidade técnica de atuação de todo o elenco, iria cair como uma luva. Na realidade, a morte de Alisson foi o estopim para o início desse apocalipse (quando se tem zumbis, nada precisa fazer sentido). Já que a série não tem coragem de matar alguém, os personagens poderiam morrer e voltar como mortos-vivos. Assim, todos os aleatórios voltariam para série.

E como se trata se uma série teen (não existe pessoas feias em uma série teen), eles poderiam voltar pálidos e brilharem a luz da lua, vagando pela floresta da cidade (vocês já repararam que as protagonistas da série vivem andando no mato aleatoriamente?). Para os mais românticos, o Ezra, professor e pedófilo, poderia voltar como zumbi, e a menina Aria teria como objetivo de vida buscar a cura dele, enquanto tenta sobreviver nesse mundo hostil. Contando com ajuda da sua turminha do barulho, é claro.

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Protagonistas de Pretty Little Liars: sexy e perigosas.

Para resumir essa lista de desafios e problemas que a série enfrenta, você pode até perguntar:  “por que – e como – alguém ainda assiste isso?”.  A cada dia o buraco no roteiro de PLL fica maior, o sentido da série muda radicalmente, e a consideração com o telespectador é zero. Só se pode imaginar que essa bomba televisiva alguma hora exploda a cabeça de todo mundo. De raiva ou de tédio. Nas ultimas temporadas, vimos a série que era descontraída e agradável virar um caldeirão desgovernado, onde nada parece acontecer.

Agora a boa notícia. A ABC Family acabou de renovar a série para a quinta temporada (que maravilha), e ainda anunciou o seu spinoff (a trama de PLL é tão complexa, que em uma série não dá pra explicar). O nome da série é Ravenswood, nome da cidade vizinha onde a história de PLL acontece (deve ser do outro lado do lago). A cidade sofre de uma terrível maldição, e cinco estranhos (deve ser a Mysterius Machine – não seria bom?) começam a investigar seus mistérios (ah, tá!). A série tem como criadora Marlene King e estreia durante o Halloween, logo após o tradicional episódio especial de Pretty Litle Liars.