Riverdale

 

Eu quase morri junto com Jason ao longo do piloto. Mas estou feliz que a CW voltou a ser um pouco “aquele canal que eu aprendi a amar” (entendam que eu estou sendo irônico nessas aspas).

Riverdale é mais uma série adolescente insossa, baseada em uma história da Archie Comics, que tenta se levar à sério colocando os jovens como núcleo central de um crime não solucionado. Combinado “Eu Sei O Que Vocês Fizeram No Verão Passado”, Twin Peaks, Pretty Little Liars com as séries adolescentes colegiais juvenis fúteis que você viu na CW ao longo de 10 longos anos (sem trocadilhos), mostra mais uma trama de mistério e clichês absurdos, que tentam conquistar aqueles mais desprovidos de qualquer senso de coerência para ver uma trama como essa.

A série acontece na pequena cidade de Riverdale (dããã), onde tudo acontece normalmente até que o pobre Jason morre nas águas do rio local. Há quem diga que foi acidente, há quem diga que foi assassinato. Mas fato é que o crime é investigado, e a vida segue.

A irmã força um luto, o pai é omisso, a mãe não esconde que gostou que o moloque morreu… enfim… Uma moça volta para a cidade vinda de Nova York, depois do seu pai se envolver em um escândalo daqueles. Acaba se interessando por um dos colegas de colégio, que quer ser músico, mas está no time de futebol americano (que “barra de vida” difícil de lidar, não?).

Paralelo à isso, outro estudante tem informações sobre o que aconteceu na manhã da morte de Jason, mas não pode fazer nada porque nesse dia ele estava pegando a professora do colégio, e se ele abre o bico é ela quem perde o emprego.

Diante de tudo isso, ainda temos uma investigação para descobrir a verdade sobre o que rolou com Jason. Não que eu me importe, mas sou obrigado a informar isso para vocês.

 

 

Nem preciso dizer que não gostei do piloto de Riverdale.

A série é cheia de clichês e esteriótipos batidos na TV norte-americana. Alguns desses clichês são zoados pela própria série, como o falso beijo lésbico. Não ajuda muito a ganhar a simpatia da série, pois tudo é muito over, principalmente no argumento principal e nas atuações dos personagens principais.

O argumento em si da série não é nenhuma novidade na TV. Logo, se vai apresentar isso, ao menos não caia na mesmice também de colocar personagens caricatas. Dá-se a entender que o criador da série orientou a equipe de roteiristas e diretores que desenvolvessem a trama acreditando que a audiência da CW não tivesse a capacidade de compreender tudo o que estava acontecendo, ou que não compreendem subentendidos e subliminares dos personagens.

Não que eu não acredite nisso, mas enfim…

A mãe é a grande vilã, o Luke Perry/Dylon do Barrados no Baile é o pai bonzinho, temos o estudante boboca que não sabe o que quer da vida, a irmã de falso luto tem sempre o ar soturno de quem esconde algo, tem a estudante boazinha, a estudante que vem de fora para reconstruir sua vida…

A trama em si é outra coisa pasteurizda e óbvia. Também dá pra imaginar que a solução sera a óbvia, ou seja, alguém inesperado aparecendo como culpado pelo crime. Ou até suicídio, já que não precisamos ter lógica alguma nesse tipo de série. Sem falar nos clichês de conflitos adolescentes no colegial, disputa por ascensão social, humilhação de cheerleaders e outras bobagens típicas desse tipo de série.

Não posso dizer que Riverdale me decepcionou. É fraca e sem graça, tal e como previsto. Vendo pelo lado bom da coisa (se é que ele existe), estamos vendo de volta a CW “roots”, aquela que “aprendemos a amar”. Depois de tantos acertos com as séries de heróis da DC, parece que a boa e velha CW volta a rondar, apresentando uma série que não precisava existir por conta de sua baixa qualidade.

Por outro lado, como eu não duvido da capacidade de desprendimento da “família CW”, não será surpresa se eu ler ou ouvir por aí que “Riverdale é a nova Twin Peaks”… e um novo megahit pode nascer, mesmo contra a nossa vontade.

Se você tem a cabeça no lugar e pouco tempo livre na sua grade de programação, passe longe de Riverdale.