Tem alguém na NBC que está muito feliz. Duas de suas novas comédias, The New Normal e Go On, conseguem se estabelecer como comédias promissoras, e em alguns casos, surpreendendo positivamente, melhorando de forma considerável em relação aos pilotos de suas produções. Particularmente, as duas séries tiveram os seus melhores episódios na última semana, oferecendo boas perspectivas de futuro.

Começando por The New Normal (S01E03, Baby Clothes). Disparado, o melhor episódio até então da nova comédia de Ryan Murphy. Ótimas piadas, mesmo com um argumento central que pode parecer desinteressante para algumas pessoas, mas com o mesmo objetivo de abordar temas que boa parte dos norte-americanos nem querem chegar perto de discutir (casamento gay, paternidade de homossexuais, sexualidade precoce, etc).

Pela primeira vez a série falou isso de forma mais clara e direta, levantando questões que valem a discussão. Exemplo: a “cultura do ódio”, que parece disseminar em nossa sociedade, e que lentamente começa a contaminar aqueles que não são adeptos à tal prática. As pessoas não respeitam as diferenças. São apenas “tolerantes” com tais diferenças, apenas para não se fazerem de “vilãs” para seus filhos e os outros membros da sociedade. Porém, de forma velada, seguem transmitindo os valores do “não respeito” ao que é diferente.

Mais: existem regras para violência física, para o desrespeito e discriminação aos deficientes, mas em relação a outros grupos, isso não acontece. De fato, os seres humanos não são iguais e, na prática, não possuem direitos iguais. E o desafio de David e Bryan é criar seu filho (ou filha, ainda não se sabe) de forma onde ele terá que “driblar” essas dificuldades e intolerâncias (que ficam disfarçadas em um “estou tentando ser legal com você”), e ao mesmo tempo, dar a segurança para que essa criança tenha orgulho da família que tem.

Estou me segurando para não mandar spoilers, mas o que posso adiantar é que, pelo menos por enquanto, The New Normal faz um grande trabalho. Melhrou muito em relação ao piloto. É claro que fico ainda com um pé atrás por ser o Ryan Murphy, e por saber o que ele fez com séries como Nip/Tuck e Glee. Quero saber se ele vai manter essa coragem toda de abordar tais temas, mantendo a linha do humor e sarcasmo, mas falando sério quando preciso. Se conseguir, certamente vai colher os frutos do bom trabalho.

The New Normal mantém uma média de 6 milhões de telespectadores por episódio desde a estreia, o que é um bom sinal para o seu começo.

Go On segue também em uma melhora. Aos poucos, vamos conhecendo melhor os personagens, e o foco mesmo vai ser a vida de Ryan King e a dinâmica com o seus novos amigos do grupo de ajuda. Fato é que Ryan ainda está na fase de “negação” em relação à morte de sua esposa (imagino eu que, quando ele alcançar a “aceitação”, a série acaba), e precisa lidar com isso constantemente, até mesmo pela sua sanidade mental. Não que ele esteja ficando louco, mas acordar todas as noites, no mesmo horário, não é algo saudável.

Mas o mais legal em Go On é que, além de percebermos que precisa mesmo ter alguém que saiba escrever para Matthew Perry (um dos criadores da série também foi um dos responsáveis de Friends) para que ele mostre o seu melhor, a mensagem clara da série é: “ninguém consegue seguir em frente sozinho”. Por mais que Ryan se veja como o cara descolado, o locutor popular e aquela pessoa que (teoricamente) está bem resolvida, ele mesmo começa a perceber que precisa mesmo do grupo de apoio para seguir em frente.

Vale lembrar que Go On não é classificada como uma comédia, e sim, como uma dramédia. E quando necessário, se apresenta assim. Em alguns momentos, a série acaba pegando para esse lado mais sentimental, mostrando o quão especial pode ser os pequenos gestos que você pode ter na vida para superar algum problema ou uma fase difícil considerada duradoura. Nesse aspecto, a série vai bem, mantendo uma certa regularidade.

E isso se reflete na audiência. Depois da já esperada queda de audiência entre o primeiro e o segundo episódio, Go On se estabilizou em uma média de 9.5 milhões de telespectadores nas duas últimas semanas. É uma média elevada para uma série na NBC. Ajuda o fato dela ir ao ar depois da exibição de The Voice, mas se conseguir reter essa audiência nas próximas semanas, é sinal que os norte-americanos aprovaram a proposta da série.

Fico feliz por ver a recuperação da NBC nas comédias. Com o sucesso de The Voice, e com uma nova comédia com Michael J. Fox chegando para a próxima fall season (2013-2014), não é nenhum absurdo dizer que o canal do pavão está no caminho certo para recuperar a sua liderança na audiência da TV norte-americana, assim como acontecia nas décadas de 1970, 1980 e 1990.