Porcentagem de spoilers: 10%.

Jay Prichett é meu herói! Pense: ele é casado com uma baita de uma MILF, é bem sucedido na vida, e ainda sobrevive à tortura do seu cunhado mais imbecil, em pleno aniversário de 65 anos? Nem MacGuyver faria melhor!

A série que tomou de assalto o Emmy 2012 volta para sua quarta temporada com uma história principal bem definida, e pelo menos duas histórias secundárias que podem render assunto para uma temporada inteira. E não sei se é por causa de um bom humor repentino do começo do final de semana, ou porque tudo o que eu vejo depois do lixo chamado The Neighbors merece ser indicado ao Emmy, fato é que faz um bom tempo que não me divirto tanto com um episódio de Modern Family.

Não me entenda mal. Ainda adoro a série. Mas, convenhamos: a temporada passada foi a mais fraca até aqui, e até questiono se realmente merecia tantos Emmys. De qualquer forma, a boa notícia é que o episódio de estreia da nova temporada foi redondinho, mostrando bem quais são os objetivos da série para os próximos meses. Primeiro, a história central: Jay vai ser pai na terceira idade, e isso você já sabia no final da terceira temporada. O problema estava no fato que o patriarca dos Prichett não queria surpresas no seu aniversário, e considerava a ideia de ter uma criança com idade avançada algo realmente muito ruim. Logo, se esperava o pior tipo de reação dele.

Porém, mais uma vez, Modern Family mostra porque é tão legal, pois lembra todo mundo que precisamos mesmo confiar naqueles que mais amamos, pois quando esperamos que eles vão ter a reação mais comum, eles podem nos surpreender. E acredite, Jay surpreende. E muito. Mesmo porque ele literalmente vê a sua vida passando diante dos seus olhos por diversas vezes na “surpresa” armada por Phil. Logo, vai entender que saber que vai ser pai com mais de 60 é a melhor coisa que pode lhe acontecer.

Aliás, velhinhos do Emmy: essa é a temporada para Ed O’Neill ganhar o seu Emmy por Modern Family, ok? Fica a dica.

Cameron e Mitchell ainda precisam lidar com a frustração de não conseguirem o filho adotivo tão esperado. Como esperado, a série faz piada com isso (com uma grande referência gay, que encaixa perfeitamente com o contexto da situação… mesmo que literalmente), e os dois terão que enfrentar isso ao longo da temporada. Não creio que eles vão desistir tão facilmente da chance de dar um irmãozinho para Lily, que até deu um nome para o novo irmão. Para compensar, eles procuram substituir um ser vivo por outro, e descobrem que, assim como o processo de adoção de humanos, a adoção de animais passa por um processo de avaliação, para descobrir se os pais podem ou não manter o animal vivo.

Julie Bowen foi muito questionada por ganhar de novo o Emmy em sua categoria. Nesse episódio, como teve foco, mostrou porque mereceu, apresentando mais uma vez um dos seus principais defeitos: a inveja contra a madrasta Gloria. Sim, pois Claire sonha com o dia de ver a esposa do pai mais gorda que ela, e quando isso acontece, percebe que a realidade não corresponde muito bem com aquilo que ela sempre sonhou. Além disso, no lugar de ficar cuidando da vida dos outros, vai ter que cuidar mais dos seus próprios filhos e suas ideias mirabolantes, como trazer o namorado para morar em casa, por exemplo.

No final das contas, foi um ótimo episódio de Modern Family, e um bom começo de temporada. Como disse antes, fazia um bom tempo que não me divertia tanto com a série, e espero que ela mantenha esse ritmo, até mesmo para reforçar o merecimento por todos os Emmys recebidos nesse ano. Afinal de contas, a gente já sabe que eles conquistaram de assalto a crítica e os especialistas em TV nos Estados Unidos. Mas precisa agradar ao público também. Até mesmo porque todos nós queremos continuar nos identificando com algumas cômicas situações familiares exibidas na tela da TV.