Porcentagem de spoilers: 80%.

“Você é a minha alma gêmea, e sempre será a minha alma gêmea…”. Mas, mesmo assim, tenho essa mesma cara de assustada que a Callie mostra acima. Sim, porque a coisa está assustadoramente ruim para Grey’s Anatomy. E o pior: não é ruim nem para o lado do dramático. É ruim do tipo “Shonda Rhimes está trollando todo mundo, e nem esconde mais isso”.

A impressão que dá é que aconteceu o seguinte: o primeiro episódio era para ser esse, mas como Eric Dane decidiu sair da série um pouco antes da temporada começar, ela decidiu “matar” o personagem antes de qualquer outra coisa, e aí sim, inciar a temporada no segundo episódio, em uma proposta que foi explicada por Meredith no começo do episódio: embaralhando as cartas. Ou seja, explicou o que aconteceu depois do acidente, mas mostrando essa história bem resumida, e em saltos, sem precisar ficar três meses explicando tudo o que aconteceu.

Por um lado, eu entendo os objetivos desse episódio, e suas causas e consequências. Afinal de contas, eu não posso ser frio e insensível a ponto de ignorar o fato que esses médicos caíram de um avião, que ficaram uma semana perdidos no mato, sem água, comida ou recursos para salvar aqueles que estava mais feridos, e é absolutamente normal que traumas e sequelas dessa experiência venham à tona. Ok, é normal. Mas… precisava repetir o drama da Chistina, que mais uma vez se mostrou o maior paradoxo da série?

Yang mais uma vez se porta como a esquisitona letárgica em momentos de crise. Mas… logo ela que se julga “a mais forte, vil, cruel e insensível médica de Seattle”? Ah, pelo amor de Deus, quanta incoerência! Ok, de novo, levo em consideração que um avião caiu, e ninguém sabia se ia sair vivo dessa. Mas foi a mesma Yang que, assim que o avião caiu, se preocupou com o chinelo, acordou Meredith, ajudou a buscar Derek, tentava salvar Mark… e aí, quando é salva… surta?

Outro ponto de extrema irritação nesse episódio está na crise de Arizona, que perdeu a perna. Caramba, aquela perna ia ser cortada de qualquer forma! Durante uma semana ela foi cuidada pela surtada da Yang, que tentou proteger o ferimento com folhas! Ou seja, a coisa mais óbvia do mundo era aparecer uma infecção naquela perna, não acham? É simplesmente inútil lutar contra o destino, e continua sendo uma bobagem sem tamanho argumentar que “minha vida não é a mesma sem uma perna”. Repito: prótese existe pra isso. E outra: Callie deu a ordem para Karev para não só cumprir um dever de medicina, mas principalmente, para salvar a mulher que amava. Arizona deveria agradecer.

Até mesmo a explicação da morte do Mark (que não abriu a boca no primeiro episódio) foi bem contraditória. Em vários momentos do episódio, Mark aparece dando força para Derek (que teve a explicação mais melhorzinha do episódio), e tentando dar a entender para Callie que, no final, tudo ia ficar bem. Para se ter uma ideia do tamanho da alegria do Sr. McSteamy, ele SEQUER CITOU O NOME DE LEXIE GREY ao longo do episódio. E, de repente, não mais do que de repente… ele resolve “desistir da vida”. Os medicamentos não funcionam, as funções vitais começam a falhar… e ele fica em coma, para morrer! Sério? É isso mesmo? Não tinha uma forma mais dígina e coerente de morrer não?

É claro que tudo tem um lado bom. Ou não: Yang e Meredith, brigando. Uma, chamando a outra de egoísta. E resolvendo tudo isso com um simples telefonema. Amizade de verdade é isso, não é?

E a prova definitiva que Shonda Rhimes está tirando sarro da cara de toda a audiência de Grey’s Anatomy é que ela mesma sabe que copiou Lost descaradamente no finale da oitava temporada. Tanto, que faz piada disso com o texto de Miranda Bailey (que mais uma vez, e é sempre bom frisar, virou uma inútil na série). Resumindo: falou na cara de todo mundo que fez isso, e ainda perguntou “e daí?”.

A nona temporada de Grey’s Anatomy ainda não começou, infelizmente. Foram dois episódios que não acrescentaram em nada na história, apenas explorando as consequências do acidente. Quem sabe no próximo a temporada começa. E está cada vez mais difícil continuar com a série. Do jeito que está, eu desisto até o meio da temporada.