Guarde esse número: 1.9. Sim, pois esse é o número equivalente a 38% de 5.2. Mas… o que era razoável, com possibilidade de melhor, escorregou feio nessa semana. Antes eu tivesse dormido por… sei lá… 478 horas ao invés de ver o terceiro episódio de Anger Management (FX), que foi ruim demais, se comparado ao seu começo.

“Charlie Tries Sleep Deprivation” apresenta um argumento meio bobo, que começou em uma descoberta mais boba ainda. Teria sido muito melhor substituir o sono pelo álcool, já que boa parte das pessoas que eu conheço falam a verdade quando estão bêbadas, e não quando estão bêbadas… de sono! Mas isso não foi pior do que me certificar que a melhor piada do episódio, por incrível que pareça, foi a do velhote jogando Nintendo Wii embaixo de um cobertor (imaginem a cena na sua mente. Imaginou? De nada!).

Parece que a série se esforça cada vez mais em limpar a barra de Charlie Sheen, colocando ele em um personagem centrado e sensato. Afinal, não está certo ele pegar (fisicamente) a própria paciente, que sob efeitos do sono, o deseja sexualmente. Por outro lado… ah, não tem outro lado. Todo mundo sabe que é estranho ver um Charlie Harper, Crawford, Goodson, ou seja lá quem ele faça na TV… centrado, porém, garanhão. Será que isso se mantém nos próximos episódios?

Argumentos mal explorados, piadas fracas, falta de foco no objetivo do episódio. Sei lá. Você, amigo leitor, me responda com sinceridade: o sono te faz mesmo dizer a verdade? Tá, você me deu a resposta, mas vamos supor que sim. E se a verdade te tornar um perfeito pateta, que fala besteiras como “quando eu disse xixi, eu quis dizer água”, fazendo a piada “pee in my face” (aliás, péssima…)? Terrível, não? Pois é. Um dos pacientes de Charlie diz essas besteiras quando entra no chamado “pleno estado de relaxamento e sinceridade”.

Bom, lembra dos 1.9 que citei lá em cima? Pois é… 1.9 milhões de norte-americanos descobriram que Anger Management é “fogo de palha”. Aliás, fogo de palha tem mais efeitos morais do que a nova série de Charlie Sheen. Talvez eu tenha sido complacente (como um hímen da Ângela Bismarck… sim, ela teve mais de um) e fui otimista demais na review dos dois primeiros episódios, e não tenha visto o óbvio: a série não é engraçada a ponto de me fazer rir. Aliás, nem a mim, nem à minha tia de 85 anos, que ri de (quase) qualquer coisa.

Talvez a série melhore. Acho pouco provável. Mas, baseado nesse último episódio, meu ânimo caiu bem mais que 38%.