Charlie Sheen está de volta à TV. Anger Management (FX) finalmente foi ao ar, depois de pouco mais de um ano de toda aquela confusão entre Charlie, Lorne Michaels e os executivos da CBS, que resultaram na demissão do ator, na reformulação de Two And a Half Men (CBS), na vinda de Ashton Kutcher, e tudo mais. Como foi esse retorno? Interessante… bem interessante…

Antes de mais nada, é bom ver Charlie de volta na TV. Não que ele seja um espetacular ator, mas ele é competente em duas coisas: em fazer comédia e render assunto. Tudo bem, nos últimos meses ele rendeu assunto com suas “deusas” e festas absurdamente malucas, mas dessa vez, ele rende assunto em estrear uma série que, apesar de não ser a melhor nova comédia da atualidade, é bem promissora. E digo mais: já é melhor do que Two And a Half Men, ao menos na sua proposta.

Quem esperava um Charlie Sheen agressivo, disparando a sua metralhadora verbal e totalmente inconsequente, se enganou. Isso só durou exatos 10 segundos, os primeiros 10 segundos do episódio piloto, onde ele dá uma bela alfinetada nos seus antigos patrões. Depois disso, vemos um personagem bem centrado, como um terapeuta precisa ser, mas que ainda tem dificuldades em lidar com a sua tendência agressiva. Ou seja, bem diferente do inconsequente Charlie Harper. Mas bem diferente mesmo!

Eu mesmo estranhei um pouco no começo tal postura do personagem Charlie Goodson, mas para o contexto da série é perfeitamente aceitável. O piloto apresenta bem os personagens principais e seus respectivos coadjuvantes, com características diferentes e bons diálogos. Espero para ver se a série vai se centrar mais na vida de Charlie (acredito que sim) e suas experiências do passado tumultuado como jogador de baseball, ou se vai explorar essas dinâmicas em grupo. Aliás, as melhores cenas dos dois episódios exibidos foram justamente aquelas que envolviam a terapia em grupo.

Mas as demais situações que envolvem a trama também são interessantes. Por exemplo, um terapeuta, que tem uma “amizade colorida” com outra terapeuta, mas que procura justamente essa mesma terapeuta…. para ser a sua terapeuta. Como resultado, o sexo entre os dois acaba (afinal, um é terapeuta do outro), e conflitos de interesses surgem.

Eu sei, o parágrafo acima ficou meio confuso, mas vocês são capazes de entender.

Até a Selma Blair, que é uma atriz que eu “torço o nariz” por achar ela sem expressão (me julguem) estava bem nos dois episódios. Aliás, os personagens são bons, o elenco parece ter uma boa química em conjunto (nem sei porque usam esse jargão em textos de reviews… “boa química”… são seres humanos, e não béqueres de laboratório), e vale a pena destacar novamente os diálogos. Muito do sucesso de Anger Management deve passar pelas situações apresentadas (cena do tape de Charlie acabando com sua própria carreira é muito boa), e principalmente, pela agilidade e qualidade do texto. E nesses dois primeiros episódios, a série vai muito bem nisso.

Mas o que realmente penso da nova série do Charlie Sheen? É que deve ser uma terapia para ele mesmo.

Não estou dizendo que ele vai deixar de ser o maluco que usa substâncias ilícitas, bebe todas e dorme com atrizes pornô como se comesse um ovo frito todas as manhãs. Mas ver um Charlie Sheen em um papel de um pai comedido e minimamente centrado, cuidando da raiva de todo mundo, representa para mim duas coisas: 1) que ele mesmo quer mudar a sua imagem para o grande público (se é que isso é possível a essa altura do campeonato); 2) e que essa foi a forma que ele encontrou para lidar com os seus surtos do ano passado.

Ele soube rir dos erros do passado, fazendo Two And a Half Men por oito temporadas, e deu certo. Acredito que rir do “Tiger Blood” e todas as surtadas que ele teve em 2011 em Anger Management é uma forma dele mesmo reforçar uma proposta que ele adota há muito tempo na TV e no cinema: saber rir das próprias desgraças. Eu respeito as pessoas que sabem fazer isso. Só espero que, dessa vez, ele manere no consumo das balinhas.

Anger Management
mal estreou e já registrou um recorde, de estreia de uma série de comédia mais vista da história da TV a cabo dos Estados Unidos (5.4 e 5.7 milhões de expectadores para o primeiro e segundo episódios, respectivamente), tomando o título que era até então de Hot in Cleveland (TV Land). Particularmente, não achei a série genial ou espetacular. Achei boa, com condições de se tornar ótima, se for bem desenvolvida. E, como disse no começo do texto, eu já a acho melhor do que Two And a Half Men, que definitivamente se perdeu.

Charlie Sheen is back! E, por enquanto, pelas escolhas feitas, ele pode dizer… #winning!