Me preparei para assistir a segunda temporada de Episodes (BBC/Showtime) com todo o rancor e receio do mundo. Afinal, o final da primeira temporada foi de esquecer, e a audiência da série era medíocre, e isso, sem falar no fato que, de forma não merecida, Matt LeBlanc tinha sido indicado ao Emmy no ano passado, por fazer um Joey Tribbiani mais contido.

Mas, não é que para minha surpresa (positiva), a série deu uma boa melhorada? Ok, não está “beirando a perfeição” como alguns dizem (e saiba que respeito tais opiniões, logo, espero que respeitem a minha), mas não posso negar que a segunda temporada da série foi muito melhor que a primeira. Vamos a alguns pontos.

Assisti os nove episódios da segunda temporada em um final de semana, mas tomei o cuidado de assistir os episódios em horários que o sono não afetasse minha avaliação (como depois do almoço, por exemplo). Mas, independente disso, acho que minha avaliação seria a mesma, e a melhora é visível.

Confesso que os primeiros episódios me incomodaram um pouco, com argumentos fracos e piadas de mau gosto (como “você deixou derramar manteiga na sua calça”), mas felizmente a temporada se centrou mais sobre outras coisas além do Matt LeBlanc fazendo o Joey.

Sean (Stephen Mangan) e Beverly (Tasmin Greig), que eram para ser protagonistas na primeira temporada, foram efetivamente protagonistas na segunda. Eles (e todos os outros personagens) ficaram mais moldados e definidos, e deram uma bela suavizada na chatice da Beverly, que ficou mais humana, se permitindo a cometer erros, e sem ter os acessos de raiva sem sentido que a destacaram negativamente na primeira temporada.

Merc Lapidus (John Pankow) e Carol Rance (Kathleen Rose Perkins) também tiveram maior destaque, uma vez que a série se focou mais nas idas e vindas da própria série dentro da série (ou “Pucks!”), que como era de se esperar, foi um estouro na estreia, mas caiu vertiginosamente na audiência, depois que teve que competir com uma série de um cachorro falante… que Merc recusou, e foi parar na ABC.

Coadjuvantes menores, como a esposa de Merc, Jamie Lapidus (Genevieve O’Reilly) e Myra, a assistente “com cara de vômito” (Daisy Haggard) tiveram mais destaque na temporada, e tiveram funções importantes para a mecânica da temporada. Mas não só isso: o texto de Episodes melhorou, se tornou mais ágil e menos arrastado.

Confesso que foi fácil ver os nove episódios da temporada, uma vez que sua narrativa foi mais linear, com argumentos mais interessantes. Por exemplo, foi bom ver como ficou a relação de Sean e Beverly depois dos incidentes do final da primeira temporada, e ver como isso se resolveu foi, no mínimo, inusitado. E o final da segunda temporada é anos-luz melhor que o da primeira.

Ok, algumas coisas não mudam. Não dá para acertar em todas as piadas. Algumas foram simplesmente sem graça, mas apareceram em quantidade bem menor do que na primeira. E, como você pode imaginar… Matt LeBlanc foi Joey Tribianni a temporada inteira. Porém, eu entendo essa decisão. Existem dois motivos muito bem justificados para que alguém dissesse para LeBlanc “vai lá e faz o que você sabe fazer de melhor”… e ele foi o imbecil que nós todos amamos.

O primeiro é que tenho (quase) certeza que, no Reino Unido, a forma como os americanos veem as sitcoms é uma piada bem interessante. É quase como ver um experimento científico. E poucas coisas representam esse jeito idiota de fazer comédia (e, veja bem, isso não é uma crítica; os americanos sabem fazer isso como ninguém) como o personagem de Joey Tribbiani. E isso, ao redor do mundo.

O segundo motivo é bem óbvio: os americanos esperam ver Joey Tribbiani na tela. Aliás, eles esperam ver qualquer um do elenco de Friends (NBC) em seus papéis originais, não importa em qual produção estejam. Bom, devem estar feliz com a Jennifer Aniston. Afinal, 99,9999999% de tudo o que ela fez depois de Friends é ela no papel de Rachel Green, mas com outro nome.

E, vamos admitir: se Matt LeBlanc só sabe fazer o Joey, ele faz o Joey como ninguém. E ele não teve dúvidas em encarnar o ator fracassado/burrão/pegador que todos nós amamos ver por 12 temporadas (nas duas temporadas de Joey/NBC, nem tanto…). Por isso, se todo mundo adorou ele na primeira temporada, onde ele tentou se conter para ser quem ele realmente é (e ainda assim foi indicado ao Emmy), a segunda temporada deve consagrá-lo de vez, com a crítica dizendo “he’s back” em alto e bom som.

Enfim, a segunda temporada de Episodes me surpreendeu positivamente. De fato, a série melhorou, e verei a terceira temporada sem medo. Não acho que a série virou “genial, beira a perfeição, é a melhor da Mid-Season 2012” e outras coisas que andei lendo nas redes sociais. Mas, pelo menos, apagou boa parte da má impressão da porcaria que foi a primeira temporada. E, se é para ver LeBlanc fazendo o que sabe de melhor, sem nenhum tipo de pudor… vamos nessa! São apenas nove episódios. Recomendo que você assista de coração aberto. As chances de você gostar são grandes.