Agora que sabemos em detalhes como Chuck Lorre desfez o emaranhado de fios deixados por Charlie Sheen, chegamos à conclusão mais óbvia de todas: a nona temporada de Two And a Half Men (CBS) é qualquer coisa…. menos Two And a Half Men.

Isso já era esperado. E os fãs mais conservadores da série, que defenderam até a morte a permanência de Sheen na produção, não vão nem querer chegar perto dessa nova série que a CBS estreou na semana passada. Porém, para quem quer dar uma chance para a nova série, vai algumas observações importantes. A primeira delas: Jon Cryer continua levando a série nas costas. E ele faz isso desde o final da sétima temporada. Logo, vale a pena ver a série também por causa dele.

A solução para a morte de Charlie Harper foi feita para que o personagem nunca mais volte, mas pelo menos nesses dois primeiros episódios, ele é um elemento presente na série, mesmo que em espírito. E isso é válido, já que não eliminamos as pessoas queridas da nossa vida do dia para a noite. O modo como Walden Schmidt entrou na trama também é crível, sem forçar muito a barra. Os episódios quase deram um “reset” na série, apesar de todos os demais elementos permanecerem intocáveis. Para o bem e para o mal.

Uma prova que algumas coisas não mudam (para o mal) é que Angus T. Jones teve DUAS FALAS AO LONGO DOS DOIS PRIMEIROS EPISÓDIOS! E o que mais dói é que não foram nem diálogos! Foram DUAS FRASES SOLTAS AO VENTO! Na boa, Jake Harper não serve para nada na série desde o final da sexta temporada, e se ele não aparecer mais na série, ninguém vai perceber. Poderia ser facilmente descartado da série, poupando verba de produção.

Mas, a pergunta que não quer calar sobre esses dois episódios é: quem é Walden Schmidt?

Ok, nós sabemos quem ele é, a origem dele, e como ele foi parar na casona de Malibu. Mas… tem certeza que você já não viu ele em algum lugar? Se você rever a ótima comédia That 70’s Show (Fox), vai ver que Walden Schmidt nada mais é que um Michael Kelso que ficou bilionário. Ashton Kutcher não compôs um personagem (e isso, um bom ator precisa saber fazer), e até aparenta estar mecânico no primeiro episódio, se soltando um pouco mais no segundo. Mas é o esteriótipo do bobão gostosão, que vai pegar toda e qualquer mulher da série toda vez que aparecer sem camisa em cena. Aliás, Lorre explorou de forma explícita os atributos físicos de Kutcher. E aí eu pergunto: isso é mesmo humor?

De qualquer forma, a CBS conseguiu o que queria, que era atrair os holofotes nesses primeiros episódios. Vamos ver se a série mantém a alta audiência desse seu começo (26 milhões na estreia da temporada, a maior audiência da história da série, e 20 milhões no segundo episódio), e se uma história boa se desenvolve. Até o momento, vejo Two And a Half Men como uma série estranha, que era uma coisa, e de repente, virou outra. Fica difícil dizer se a série melhorou ou piorou. Vamos dar mais alguns episódios para opinar de forma mais precisa.

E só o tempo vai dizer se vou escrever aqui que sinto falta de Charlie Harper.