E a frase da semana é: “você não pode trocar de corpos como quem troca de cards do Pokémon!”.

Olha, eu sei que tem muita gente reclamando do final de temporada de True Blood (HBO), e muitas outras reclamando da temporada como um todo. Eu não tiro a razão de vocês. Eu estou do lado de vocês. Mas digo desde já: vocês estão sofrendo porque querem! Calma! Antes de você, amigo leitor, começar a me xingar e amaldiçoar a minha mãe que resolveu ceder para o meu pai, vou explicar meu ponto. Para isso, vamos voltar ao final da segunda temporada.

Lembram da Maryanne? Aquela esquisitona, que fazia tortas de coração, ninfomaníaca, que colocou Bon Temps inteira pra transar? Ok. Lembra como ela foi morta? Ah, não lembra? Vou refrescar a sua memória: com tantos poderes, e influenciando a cidade inteira, ela foi derrotada por uma chifrada de um boi, que era um metamorfo. Sim, amigos. Simples assim. Aí eu te pergunto: você não achou isso, no mínimo, estranho? Eu, pelo menos, fiquei com um sinal de alerta ligado na cabeça, mas tudo bem. Vamos para a Season 3.

Final da Season 3: enterraram o Russel, um vampiro fudidex, que conseguiu o controle dos lobisomens, fez um discurso épico na TV, berrou que nem uma mocinha quando o seu parceiro virou compota de morango… enfim, o coitado foi enterrado acorrentado, preso no concreto. Bom, quem viu o season finale de domingo sabe agora que esse não é o melhor método para manter um vampiro poderoso preso por 100 anos. Mas isso não era o pior. O pior do final da terceira temporada é que…

A Sookie é uma fada! E isso é uma merda!

A partir daí, eu saquei o que Alan Ball estava fazendo: sacaneando com a nossa cara!

Logo, se eu tinha a pretensão de continuar a ver a sua série que, a essa altura, já tinha virado um samba do crioulo doido (depois dos argumentos, você também já percebeu isso), eu não podia mais levar essa trama a sério. Afinal, estava claro para mim que nem Alan Ball estava levando True Blood a sério. Por isso, vi a quarta temporada inteira como se fosse uma comédia. Com vampiros, lobisomens, fadas, bruxas, metamorfos, crianças possuídas pelo demônio, e alguns (poucos) humanos que moram na cidade. Mas ainda assim, uma comédia.

E me dei bem ao pensar assim.

A Season Finale de True Blood foi o resumo da ópera da temporada: fraca na sua história, com soluções patéticas, e que deixou algumas almas que achavam que veriam uma temporada “séria” da série realmente revoltadas. Mas repito: vocês estão bravos porque querem. Alguns momentos impagáveis:

– Alan Ball precisa pagar direitos para Jorge Amado. Afinal, o triângulo amoroso Sookie/Bill/Eric é o “Dona Flor e Seus Dois Maridos” sem tirar, nem por. A diferença é que os dois maridos estão mortos. Aliás, ali está o único ponto positivo de True Blood: Sookie mandou o puritanismo para o inferno! Quer fornecer para os dois vampiros de forma igual. E, no final das contas, isso é coerente. Afinal, bebeu sangue dos dois, certo? Aliás, uma regra: bebeu sangue de vampiro? Tem que pegar!

– Como você derrota uma bruxa que acumulou vários poderes ao longo da temporada? Simples! Seja uma bruxa iniciante, peça ajuda de uma fada que não sabe direito usar os seus poderes, e de sua amiga que não serviu para nada na temporada, faça um círculo com sal em torno da bruxa, faça uma oração em latim (que você não sabe direito quais são as palavras), e pronto! Os espíritos dos mortos locais te dão uma mãozinha, convencendo o espírito da bruxa a deixar aquele lugar.

Só um adendo: tinham que esperar uma temporada inteira para fazer isso? Não poderiam ter essa ideia antes? Mesmo?

– Cara Sookie…. você é uma fada! Você tem poderes! Não está na hora de começar a usá-los de forma mais eficiente? Salvar seus dois maridos de virarem churrasco não pode ser a única coisa que você serve, não é?

Outra coisa: os lobisomens serviram para quê mesmo nessa temporada? Ah, para dizer que o Alcide ainda quer pegar a Sookie, para um metamorfo se apaixonar por outra metamorfa, que foi casada com um lobisomem… enfim, pra nada, certo? Assim como as fadas. Se era para aparecer no primeiro e no último episódio da temporada (e ainda assim, para transar com o Andy, de forma bizarra), nem precisava fazer da Sookie uma fada (já que ela só sabe usar os poderes do Ryu do Street Fighter e nada mais).

Enfim, eu concordo que foi tudo muito ruim. Mas… eu me estressei com isso? É claro que não! Eu me diverti!

Dei altas risadas na temporada, pois vi toda a história com o ar de ironia que a própria série se propôs. True Blood se perdeu. Jamais vai voltar a ser a série que foi na primeira temporada, onde Alan Ball pegou todos de surpresa a cada episódio. Para quem está reclamando, é melhor esquecer, o estrago já está feito. Mas, como preciso rir de alguma coisa a cada semana no meio do ano (para ser bem específico), vamos rir de True Blood, “a melhor comédia da Mid-Season”.

E só resta duas alternativas para você: ou você para de reclamar e abandona a série… ou começa a rir da bagunça de seres mitológicos que a série da HBO apresenta.

Se for pela segunda opção, você verá que é diversão garantida.