Muito provavelmente, minha colega de Spin-Off, Vana Medeiros, vai discordar radicalmente de cada toque de teclado que vou usar neste post. E nem precisa. Afinal de contas, vou falar de uma série que, a pelo menos 2 anos, ela torce pelo cancelamento. Mas que, para a alegria de muitos, não consegue estourar os rojões por isso.

Chuck (NBC/Warner Channel) é uma daquelas séries que me interessei pela premissa inicial: um geek (sim, ele está mais pra geek do que pra nerd) que tem uma vida de looser, que acaba num belo dia tendo um super banco de dados no seu cérebro. Ok, premissa boba, mas bem executada. Chuck é o tipo de série que não se deve levar a sério, pois é uma das séries que mais ri de si mesmo na TV. Mas faz isso sem ser forçado, sem precisar explicar a piada depois. Como um bom filme da Sessão da Tarde.

Um dos grandes trunfos da série são os seus personagens, e o quanto eles podem ser carismáticos diante do seu público. Zachary Levi faz um ótimo agente Chuck Bartowski, que mesmo sabendo que Sarah Walker (Yvonne Strahovski) é muita areia para o seu caminhão, é convence o suficiente a ponto de você torcer para que os dois fiquem juntos.

A própria Sarah Walker, que é uma delícia, Adam Baldwin (que não é parente do clã dos Baldwin) é bem divertido como John Casey, Joshua Gomez faz um Morgan Grimes que, por muitas vezes, você desejaria ver em um tonel de óleo de cozinha em direção à Argentina (afinal de contas, é o melhor amigo de Chuck, mas é o chato que mais atrapalha do que ajuda), uma irmã dedicada e preocupada (Sarah Lancaster, Dra. Ellie Bartowski-Woodcomb), o “Capitain Awesome” (Ryan McPartlin), todo o pessoal da Buy More (ou a paródia da Best Buy da série), enfim, todos os personagens de fácil identificação e com grande carisma.

Outra vantagem da série é que, nesta terceira temporada que se encerrou semana passada nos Estados Unidos, eles conseguiram finalmente acertar uma sequência de episódios que, se não são espetaculares, ao menos corrigiram um problema que foi evidente durante a segunda temporada: episódios com uma trama minimamente amarrada. Na Season 2, muita coisa foi apresentada à esmo, sem muito nexo, e com falhas de roteiro explícitas. E isso colocou em risco o futuro da série. Afinal todo mundo se lembra da campanha na internet (Twitter, Facebook e derivados) para que salvassem a série.

Até o Subway entrou no meio (Zachary Levi fechou uma das lojas da franquia de lanchonetes para um dos eventos visando salvar a série). Tudo isso deu resultado, e roteiristas resolveram trabalhar. A Season 3 fez com que a série melhorasse e muito, principalmente com a proposta de “No More Mr. Nice Spy”, fazendo com que Chuck finalmente se tornasse um agente de verdade, sem perder seus princípios e até mesmo seu simpático “jeito panaca de ser”. Isso sem contar em referências aos fãs, ao Subway, a temas atuais de tecnologia, e elementos de cultura pop facilmente identificados na tela da TV.

Isso tudo convenceu os executivos da NBC, e a renovação da série para a quarta temporada foi muito menos descomplicada do que o ocorrido no ano passado. A série é hoje a mais alta audiência da NBC nas segundas-feiras, e uma das séries mais vistas do canal. Não é a melhor série que o canal tem (acho Parenthood neste aspecto muito superior, nas séries dramáticas), mas considero uma das boas séries para as pessoas começaram a assistir nesta Mid-Season, onde temos poucas séries inéditas no ar.

Chuck é aquela série que tem de tudo um pouco, mas com um objetivo bem simples: divertir o telespectador, trazendo um conceito simples de “vamos entreter e nos divertir enquanto fazemos isso”. Pena que, para quem já viu tudo o que aconteceu, vai ter que esperar até setembro para retomar a história deste agente atrapalhado, que se mete em várias confusões.