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A arte imita a vida. Essa é a ordem correta. A vida só imita a arte quando queremos viver uma realidade alternativa, ou em uma ilha que é uma rolha que prende o mal na Terra (sério, essa piada nunca vai morrer).

Vivemos em uma era da televisão onde a criatividade morreu. A próxima temporada de TV nos Estados Unidos (temporada 2016-2017) será a temporada dos reboots, remakes e adaptações. Se por um lado esta é uma aposta segura e que, em alguns casos, pode resultar em sucesso garantido (The X-Files foi uma das maiores audiências da temporada), em outros só mostram como vamos ter séries de gosto duvidoso, datadas e pouco atraentes (Rush Hour foi um dos grandes fracassos da temporada).

Diante disso, os olhos dos telespectadores se voltam para a realidade. Seja no formato de realitys, que mostram a vida de pessoas diferentes, bizarras e desajustadas, seja pelos realitys competitions, que concentram hoje algumas das maiores audiências da televisão, ou seja pelos eventos esportivos, que são garantia de público diante da televisão. Se é o futebol americano então…

Fato é que poucas coisas roteirizadas se salvaram na última temporada, concentrando e capitalizando audiência. Empire (Fox), Grey’s Anatomy (ABC), The Big Bang Theory (CBS) e NCIS (CBS) são os casos mais emblemáticos. Mesmo assim, em alguns dos casos citados ainda perdem para o Sunday Night Football (NBC). Se bem não dá para competir com a NFL, então, deixemos esse exemplo de lado.

Ver realitys como The Voice (NBC), Survivor (CBS), The Amazing Race (CBS), Undercover Boss (CBS), MasterChef (Fox), Dancing with The Stars (ABC), The Bachelor (ABC) e até American Idol (Fox) com audiência maior do que as séries regulares mostra o interesse claro das pessoas na realidade. Não tanto pela imprevisibilidade dos fatos, mas porque a vida real é mais atraente. Pode te decepcionar às vezes, mas não vai chegar ao cúmulo de matar um neurocirurgião porque o ator decidiu sair da série, ou ressuscitar pessoas, ou ter zumbis que nadam e raciocinam.

No Brasil, esse sintoma se repete, mas com outra vertente. Os acontecimentos políticos, muitas vezes imprevisíveis, são mais atraentes do que novelas e séries. A ponto de inspirar a Netflix em desenvolver uma série inspirada nas investigações da Operação Lava Jato. E já podemos imaginar a baita série que vai ser. Plot twists não vão faltar.

Mas mesmo pegando pelo aspecto tradicional da TV no Brasil, temos casos de sucesso dos mais diversos. Nem falo do Big Brother Brasil (Rede Globo) e A Fazenda (Record), que mesmo com um formato desgastado conseguem se manter no ar. The Voice Brasil (Rede Globo), Bake Off Brasil (SBT), Batalha dos Confeiteiros (Record). Cozinha Sob Pressão (SBT), MasterChef Brasil (Band) e outros são exemplos claros do que estou falando. Ficaram entre as maiores audiências da temporada por aqui. E tudo indica que o próximo a entrar na lista é o The X-Factor Brasil (Band/TNT).

Eu mesmo já estou vendo mais realitys do que séries regulares. Com o passar do tempo, só ficaram as séries que considero ser realmente muito boas, dignas de serem acompanhadas toda semana. Histórias insossas e sem muitas perspectivas de futuro fatalmente perderão audiência para qualquer canal que decidir exibir a Palmirinha Onofre fazendo alguma receita na televisão.

Pelo simples fato que: realidade > ficção.