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Antes de qualquer coisa, eu te peço, amigo leitor: não leve Wet Hot American Summer a sério. Até porque nem eles mesmos se levam a sério. O negócio aqui é totalmente gerenciado pelo fator zoeira, e se você quer encontrar o mínimo de coerência nesse tipo de série… você precisa rever os seus conceitos, ok?

Dito isso, a Netflix apostou na adaptação para o formato de série do filme (quase) cult de 2001, que para muitos era um ilustre desconhecido, mas que voltou a ficar em evidência pelo fato de contar com praticamente todo o elenco do longa, que na época não era tão famoso assim. Ironicamente (ou não), a grande maioria deles decolaram suas carreiras depois do filme, a ponto de retornarem para essa história, ‘só pra brincar’.

Sim, amigos. Estamos falando de nomes que são hoje de peso no cinema e na TV, mas que em 2001 não eram considerados superastros como hoje. Exemplos: David Hyde Pierce (talvez o mais famoso da lista na época, por conta de Fraiser), Michael Ian Black, Zack Orth, Paul Rudd, Chris Meloni, Molly Shannon, Ken Marino, Joe Lo Truglio, Amy Poehler e Braldey Cooper. Todos eles contam hoje com carreiras consolidadas, e toparam voltar para fazer os oito episódios da série da Netflix.

Sem falar nos amigos dos caras, que são igualmente famosos, e que decidiram participar da brincadeira: Jon Hamm, John Slattery, Josh Charles, Kristin Wiig, Jason Schwartzman, Chris Pine, Micael Cera, Jayma Mays, Weird Al Yankovic, entre outros. E esse é mais um chamariz natural para que qualquer pessoa se interesse em assistir a série.

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Mas falando de Wet Hot American Summer. A série mostra um dia no acampamento Firewood, onde os pais deixam os pré-adolescentes e adolescentes durante o verão para comprar um pouco de paz e sossego nas suas vidas. O problema é que não estamos falando de um dos mais organizados acampamentos de verão do mundo, onde os instrutores contam com interesses particulares bem peculiares, pouca habilidade com os pais e acampados, e muito desejo de fornicação entre os funcionários. E tudo isso atrapalhava um pouco.

Mas espere. piora.

O acampamento está cercado de algumas ameaças, além dos próprios monitores e alunos. A pior delas é uma ação governamental que está jogando lixo tóxico na região, e a descoberta desse material pode levar a uma conspiração envolvendo a mais alta esfera do poder dos Estados Unidos. E eles vão ter que lidar com isso, ou derrubar Ronald Reagan do poder.

Ok, eu sei que isso não tem nada a ver com um acampamento de verão. Mas como disse, nada disso tem qualquer sentido. E é por isso que a série é tão legal.

Wet Hot American Summer é ambientada na década de 1980. Logo, temos todos os clichês da época, assim como a trilha sonora que coloca o telespectador na atmosfera proposta. Sem falar que a adaptação que a Netflix fez na estética visual da série grita o tempo todo os anos 80, mostrando mais uma vez que eles sabem o que estão fazendo.

Por outro lado, quando falamos da estética do elenco, ela é tosca, e de propósito. Afinal de contas, todo mundo do elenco original está 14 anos mais velho, e seria ridículo ver esses personagens fazendo papéis com quase a metade da idade que eles possuem hoje. A solução aqui foi, de novo, ‘assumir a zoeira’: gente gorda usando camiseta com número menor, várias perucas, caras e bocas… enfim, qualquer coisa para deixar a coisa bem escrachada, e de propósito.

Outro detalhe a ser destacado é que aqueles que são mais atentos vão perceber como eles solucionaram a questão de colocar tanta gente boa em uma única série. Não só isso: atores com agendas muito diferentes, e alguns deles com projetos em atividade. Nesse caso, a solução encontrada foi distribuir esse elenco em diferentes núcleos. Alguns deles simplesmente não se encontram ao longo de toda a temporada. Já outros grupos de atores tem praticamente todas as cenas compartilhadas em seus respectivos plots.

Isso mostra a complexidade da produção nesse aspecto. Vários sets de gravação, um tempo maior gravando as cenas para que todos pudessem participar, e por tabela, um trabalho maior na pós-produção. A série conta com um trabalho muito bom de edição, roteiro e montagem. Para colocar tudo isso de forma coerente na trama, foi necessária uma grande habilidade técnica dos profissionais envolvidos.

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Mas… Wet Hot American Summer vale a pena?

Sim. E Muito.

A série é um besteirol completo, com piadas bem sacadas e algumas mais absurdas, bem no estilo ‘filme que não se leva a sério’. Foi feita para fazer você rir de forma fácil e descompromissada, sem precisar ligar o cérebro para entender uma piada. Talvez a geração mais nova perca uma ou outra referência da época, e até entendo que os mais velhos vão se divertir ainda mais. mesmo assim, é o tipo de série que a audiência de todas as idades poderá conferir.

Como a Netflix disponibiliza todos os episódios de uma vez, foi muito fácil e rápido assistir todos os oito episódios da série em um final de semana (quatro no sábado, quatro no domingo). Para quem está disposto, fica realmente muito fácil conferir a série de uma tacada só.

Wet Hot American Summer é altamente recomendada para quem gosta de comédia pastelão, ou para quem curte um humor que não faz o menor sentido. Para quem curte piadas estúpidas e imbecis, um texto que é ágil e direto, que não te deixa entediado.

E o mais importante: é uma grande brincadeira entre os profissionais envolvidos. Todo mundo resolveu se divertir diante das câmeras. E o resultado é diversão garantida para o telespectador.