Dois mundos. Duas mentes. Dois propósitos. Uma mesma cidade. Só um vai prevalecer. Demorou, mas finalmente consegui assistir a premiere de Vegas, a aposta western da CBS. E olha, posso dizer que valeu a pena a espera. A série é uma tentativa de trazer novamente ao horário nobre da TV dos Estados Unidos um estilo de série que chegou até a ter categoria própria nos primórdios do Emmy, mas com o passar do tempo, caiu no esquecimento. E posso dizer que a CBS não fez feio.

Contextualizando (se bem que não há muito o que explicar dessa vez): a série mostra a cidade de Las Vegas na década de 1960, mostrando o início do crescimento efetivo da cidade como a meca da jogatina norte-americana. A história se centra em seus dois opostos, o Xerife Ralph Lamb (Dennis Quaid) e o mafioso/bandidão Vincent Savino (Michael Chilklis). Vincent sai de Chicago e vai para Las Vegas para comandar de perto as suas operações ligadas ao cassino local, e eliminar todo e qualquer ser vivente que ouse atrapalhar o desenvolvimento do seu negócio (nem sempre lícito), e Ralph está lá para colocar ordem no lugar, usando métodos nada convencionais. Na verdade, alguns desses métodos são fora do regulamento, como pede a cartilha de um bom xerife durão.

Os dois personagens principais de Vegas são inspirados em personalidades reais, que fizeram parte da história da região e da cultura norte-americana. No caso de Ralph Lamb, a inspiração vem do antigo Xerife de Clark County, Ralph Lamb, que exerceu o cargo entre 1961 e 1979. Já o personagem de Vincent Savino é baseado no chefão da máfia Marcello Giuseppe Caifano. E esse é um ponto positivo da série. Logo de cara, propõe ao telespectador que os personagens viveram algo semelhante à pessoas que fizeram parte da história de tudo aquilo, assim como outras produções do gênero fizeram (um exemplo recente é o da recém premiada minissérie Hatfields and McCoys).

Mesmo não sendo o tipo de série que normalmente assisto, eu gostei do piloto de Vegas. Essa foi a série que a CBS mais gastou dinheiro na sua produção, e isso fica bem claro em todo o piloto, com uma recriação da Las Vegas de 1960 bem competente. A ambientação da série é bem feita, todo mundo está com o sotaque do interior dos Estados Unidos, e tudo está no seu lugar certo. O enredo do piloto é bom, mesmo sendo uma série investigativa, que tende a ser um pouco sonolenta em alguns momentos.

Um dos pontos fortes da série é o seu elenco. Com nomes de grande destaque por lá, como Quaid, Chiklis, Carrie-Anne Moss e Jason O’Mara (ok, esse último nem tanto), certamente vai atrair a atenção do público. E, particularmente, gostei muito das atuações dos dois protagonistas. Você tem muitas chances de virar fã dos personagens centrais da série por motivos diferentes: o Xerife Lamb mostra quem é que manda logo de cara, com atitudes quase insanas, e uma cara de descontente constante, mas ao mesmo tempo, carismática. Já o mafioso Savino consegue ser gentil e educado quando necessário, sarcástico a maior parte do tempo, e quando parte para a violência, o faz no estilo Vic Mackey. Quem viu The Shield sabe do que estou falando, e vai dar graças a Deus por ele ter voltado ao normal, e não mais se portando como um idiota patético, como em No Ordinary Family.

Vale também registrar o charme e a elegância de Carrie-Anne Moss como a advogada assistente do condado, Katherine O’Connell. Sou fã da atriz há tempos, e vale a pena conferir o que ela tem a oferecer ao telespectador em Vegas. Já Jason O’Mara, apesar de todas as minhas críticas à ele, parece que finalmente entenderam que ele não pode ser protagonista, e sim coadjuvante. Afinal, quando foi o ator principal da série, ele derrubou duas produções (Life on Mars US e Terra Nova… se bem que essa segunda foi derrubada), mas nessa aqui, parece que encontraram o papel certo para ele: ser o cowboy irmão mais novo do xerife da cidade. Não compromete ninguém fazendo isso.

Aliás, já viram o quanto que Jason O’Mara viajou no tempo em quatro anos? Estava no futuro, foi para o passado, mas por causa de um erro de computador, voltou mais para o passado ainda, retornou para o futuro, foi para um futuro mais distante ainda, onde a Terra está ferrada, aproveita uma fenda no espaço/tempo, para ir até um passado alternativo… para depois cair na década de 1960!

De qualquer forma, eu gostei do piloto de Vegas. A série é bem feita, e se você curte o estilo série policial, você vai gostar. A produção é bem feita, o elenco é forte, e a trama é na medida certa para quem curte histórias de máfia e bangue-bangue. Penso eu que será renovada sem maiores dificuldades. Até porque o “meião” dos Estados Unidos deve se identificar com a história da série de imediato.