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Não podemos culpar a Fox por tentar. Ou será que podemos? Já tem gente dizendo dentro do canal que Utopia nada mais é do que uma das “heranças malditas” deixadas pelo ex-CEO do canal Kevin Reilly. Até porque, em uma semana, o reality perdeu mais da metade de sua audiência. Mas… deixemos os números de lado, e vamos falar do programa em si: afinal de contas, é uma Utopia acreditar que Utopia pode dar certo?

Na verdade, a ideia da Fox até que não foi ruim. Colocar 15 pessoas (a maioria delas malucas ou com sérios distúrbios emocionais) em uma grande fazenda com recursos limitados, onde eles tem um único objetivo comum: criar a “sociedade perfeita”. O prazo para isso acontecer é de um ano, e não há regras previamente estabelecidas. São eles que criam as suas próprias regras, de acordo com suas convicções, em um entendimento comum ou individual.

Basicamente, vale tudo em Utopia. Desde não fazer nada até agredir um coleguinha de acampamento. Diferente de outros realitys – onde quando uma agressão acontece, ou um comportamento inconveniente é detectado, o envolvido é expulso imediatamente do programa -, se o pau quebrar, eles que se virem para resolver. Só há uma intervenção externa se algum participante ficar muito doente, ou se acontecer um acidente mais grave.

Os participantes podem sair da Utopia quando quiserem, mas também existe um sistema de eliminação de elementos, onde a cada mês um participante é eliminado pelo grupo de pioneiros, que será substituído por outro participante escolhido pela produção da Fox. Esse ciclo vai durar durante os 12 meses do programa (se é que ele vai chegar aos 12 meses). Diferente de outros realitys, eles não estão completamente isolados: um celular (celular, não smartphone, e da década de 1990) está disponível no local do experimento, mas o grupo precisa instalar a rede elétrica local para poder utilizá-lo.

Aliás, algumas dificuldades são impostas aos participantes. A necessidade de iniciar uma plantação para obter alimentos naturais, sistema de água sem torneiras, a necessidade de buscar ovos e leite por conta própria e outras limitações estão presentes. Tudo para tornar a vida dos pioneiros um pouco menos confortável.

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Sobre os participantes? Como eu disse antes, muitos deles não batem bem: tem o caipira ruivo do Texas, o advogado almofadinha, o pastor que fica chocado com as meninas que ficam nuas o tempo todo, a garota que tem dois namorados E  uma namorada, o sem teto de Nova York que fica revoltado quando fica sabendo que precisa compartilhar as suas poucas coisas com o restante do grupo, a adepta do Yoga E do naturismo, o tarado bêbado metido a pegador… é um grupo realmente “sui generis”.

Porém, recomendo que não se apeguem muito ao programa, pois tem tudo para ser cancelado. Sua audiência em uma semana despencou, passando de mais de 6 milhões de telespectadores na estreia (em um domingo) para 1.9 milhão do último episódio exibido nos EUA (em uma sexta-feira). Sua demo está em 0.7, e se manter esses números, muito provavelmente a Fox vai retirar o programa do ar.

Se você me perguntar se Utopia é bom ou ruim, eu poderia dizer “as duas coisas”.

A ideia até que não é ruim. Eu mesmo assistiria um programa com essas pessoas bizarras com facilidade. Mas jamais faria isso durante um ano. É tempo demais para qualquer programa. Sem falar que entendo que poucas pessoas se interessam por um programa que não tem vencedores, onde a única “vitória” é criar uma comunidade perfeita (algo que não deve acontecer, por tudo o que aconteceu nos primeiros dois dias de confinamento).

No final das contas, Utopia deve ser cancelada sem muitas cerimônias. A Fox acabou colocando no ar uma encrenca que será difícil para administrar. Quase dá para imaginar que eles criaram uma encrenca para eles mesmos: um programa praticamente sem regras pode colocar numa fria um canal cujo ex-CEO deu a entender que não tinha regra nenhuma para aprovar ou cancelar séries (abraço, Hyeroglyph).