Up All Night (NBC) começou muito bem de audiência (mais de 10 milhões de espectadores). O que é algo relativamente fácil, quando temos nomes como Christina Applegate, Will Arnett (mesmo depois de Running Wilde), Maya Rudolph e Lorne Michaels, como produtor executivo da série. E posso dizer que sua proposta é, no mínimo, interessante.

A série conta a história de um casal moderno, que toma um passo decisivo na vida: ter uma filha. E, como é dito claramente no final do episódio, “chega uma hora na vida que você tem que escolher entre a cara e a bunda. Não dá para ter os dois”. Sem dar muitos spoilers, Up All Night fala das consequências da escolha que o casal teve em ampliar a família, da felicidade da mãe em não ficar sozinha na velhice (e olha que para isso ela levanta a hipótese do marido estar morto), e de como conciliar tudo isso em um cotidiano agitado. É legal a série mostrar um formato de família moderna, onde a mãe trabalha como produtora de um programa de TV do estilo “Oprah”, e o pai ficar em casa, cuidando da filhinha.

O piloto não te faz chorar de rir, mas é um piloto que vai bem na sua proposta de mostrar como a série é. Os três personagens principais conseguem ser seres humanos normais (apesar da Maya Rudolph ter os seus “momentos de Maya Rudolph” – quem viu ela no Saturday Night Live sabe do que estou falando), com comportamentos e diálogos normais. Mesmo a situação do pai de família que não sabe procurar queijo no supermercado é perfeitamente crível. E quanto ao pai que joga videogame? Isso está ficando cada vez mais comum.

Mas o ponto mais interessante da série é justamente quando os pais se deparam que a vida deles mudou com a chegada da filha. Não dá mais pra ficar de balada a noite inteira, e rapidamente eles se dão conta que o ritmo festeiro dos dois precisa desacelerar. Principalmente por entenderem que a dedicação da vida deles é por ela. Escolhas representam renúncias. E, no caso deles, as noitadas de bebedeira e karaokê terão que acabar.

No geral, o piloto é bom. Não deve empolgar a maioria daqueles que buscam uma comédia mais escrachada. A pegada da série é outra, mais tranquila, mais linear. Os fãs de Christina Applegate vão ficar contentes, pois ela está ótima como sempre. E para aqueles que passaram a odiar Will Arnett por causa de Running Wilde, podem ficar tranquilos: o piloto de Up All Night prova que, quando Arnett não está envolvido na produção da série, e sua única função é atuar, ele faz bem. E, felizmente, faz o papel de um cara normal, que enfrenta os conflitos da nova fase da vida, e não um babaca caricata que compra um pônei pequeno só para fingir que é um gigante.

Vale dar mais chances para Up All Night. Mesmo porque a série está nas mãos do gênio Lorne Michaels. Ainda é difícil dizer se ela vai se manter, e principalmente, se ela vai cair no gosto do americano médio. Talvez aqueles que esperavam uma comédia pastelão se decepcionem com o piloto. Mas para aqueles que comprarem a proposta da série, que é mostrar essa nova fase da vida adulta de um casal moderno, pode ter uma boa surpresa com essa comédia da NBC.