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Dizem que vir de outra cidade dos Estados Unidos para Nova York é o mesmo de você viver debaixo da terra por 15 anos e, ao sair, descobrir um mundo completamente novo. É exatamente isso que Tina Fey e Robert Carlock pretendem contar em Unbreakable Kimmy Schmidt, nova comédia da Netflix que estreou nessa semana.

A série segue a vida de Kimberly ‘Kimmy’ Schmidt, que passou os últimos 15 anos de sua viva vivendo em um bunker subterrâneo, por ordens de um culto maluco que dizia que o ser humano provocou o apocalipse. Quando ela é resgatada, entende rapidamente que isso foi tudo uma cascata do tal ‘guru’: o mundo continua do jeito que era, e todas elas podem retomar suas vidas.

Enquanto suas coleguinhas de isolamento decidem voltar para as suas cidades de origem para retomar a viva que viviam antes de entrarem no culto, Kimmy se encanta com Nova York, e decide recomeçar ali. Sem se importar com o quão peculiar é a cidade (e quando uso o termo ‘peculiar’, quero dizer ameaçadora, esmagadora, bizarra, excêntrica…). Afinal de contas, ela nunca quis ser mais uma no grupo. Sempre foi destemida, impetuosa, desafiadora… imparável.

A série vai mostrar – com toda a excentricidade possível – como é esse processo de redescoberta da Kimmy como cidadã do mundo, em um cenário cheio de possibilidades. Nossa protagonista vai conhecer os meandros do mundo moderno, mas também aplicar os aprendizados obtidos no isolamento. E vai tentar equilibrar tudo isso nessa sua nova fase da vida, onde o pouco que ela pode obter pode ser sempre algo interessante para os novos caminhos que estão por vir.

Vale lembrar que Unbreakable Kimmy Schmidt foi inicialmente aprovada pela NBC, que depois se deu conta que tinha aprovado séries demais para a temporada 2014-2015, e repassou a produção para a Netflix. E como sabemos como é o sistema do serviço de streaming mais amado do mundo de trabalhar, todos os 13 episódios dessa primeira temporada estão disponíveis para o assinantes assistirem, na hora e ordem que quiser.

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Assisti os dois primeiros episódios, e devo confessar que esperava algo pior. Unbreakable Kimmy Schmidt apresentava em seu material promocional um potencial para ser algo muito mais fraco do que 30 Rock foi. Porém, como estamos diante de uma obra da dupla Tina Fey/Robert Carlock, o resultado final acaba sendo um pouco melhor do que o esperado.

Por ser 100% ambientada em Nova York, é impossível não lembrar de 30 Rock em vários momentos. Aliás, a estrutura narrativa e trilha sonora remetem automaticamente à comédia de Liz Lemon na NBC. Porém, pelo menos nesse começo, as resoluções dos conflitos dos personagens são mais simplórias, até mesmo para que o grande público consiga acompanhar a série.

É claro que algumas metalinguagens e referências à cultura pop estão presentes em Unbreakable Kimmy Schmidt. Porém, não são tão conceituais e específicas do que em 30 Rock (até porque as temáticas são diferentes; uma das reclamações em 30 Rock era que a série contava com várias piadas internas que só aqueles que estavam por dentro do mundo da TV entenderiam). As situações apresentadas na trama são mais acessíveis, já pensando na possibilidade de alcançar um público maior.

Particularmente, achei a personagem Kimmy Schmidt um tanto quanto detestável, mas é compreensível. A série lida com a metáfora daqueles que descobrem um mundo completamente novo, na maior cidade do mundo (em relevância, não em tamanho). E entendo que muita gente deve ficar mesmo abobalhada na primeira vez que se depara com essa nova realidade. Porém, me irritou um pouco.

No final das contas, Unbreakable Kimmy Schmidt é uma comédia leve, que se propõe a mostrar a história de alguém que quer ser dona do próprio destino, enfrentando com ânimo e disposição a vida em um cenário completamente novo e inusitado. Não sei se vou ver os 13 episódios (provavelmente sim), e acho que uma boa fatia daqueles que se identificaram com 30 Rock podem gostar da nova série. Mas entendo que ela ainda tem algo a mostrar para convencer de vez.