twisted-star-talks-about-new-abc-family-series

Se elogiamos a proposta de The Fosters, não podemos dizer o mesmo de Twisted. O drama adolescente do canal ABC Family vai na mesma pegada de Pretty Little Liars (uma vez que tem o envolvimento dos mesmos produtores), mas sofre de um grave problema que é comum nas produções do canal: se leva à sério demais. E quando eles fazem isso, parte para o lado da cretinice, virando alvo de piadas e galhofas de blogueiros como esse que escreve esse post.

Twisted mostra a história de uma cidade típica do interior dos Estados Unidos, pequena a ponto de todo mundo conhecer todo mundo. Em um passado não muito distante, Danny Dessai (Avan Jogia), na época com 11 anos de idade, assassinou a própria tia com a ajuda de sua corda de pular. Suas duas melhores amigas na época, Lacey (Kylie Bunbury) e Jo (Madelaine Hasson), ficam chocadas, assim como toda a cidade, que toma conhecimento do crime, e por conta disso, a amizade do trio é desfeita.

Danny é enviado para um reformatório, passa cinco anos de sua vida longe da sociedade, e quando completa 16 anos, por decisão de sua mãe (Denise Richards), ele volta para a mesma cidade do crime, no mesmo colégio onde ele estudava com suas ex-amigas, que por sinal, tomaram caminhos diferentes. Uma virou uma baranga perdedora, e a outra, foi para a turma das patricinhas superpopulares. Jo e Lacey voltam a ter algo em comum depois de cinco anos: Danny.

Por sinal, com a volta de Danny ao mundo dos normais, temos logo de cara um assassinato: Regina Crane (Karyn Moore), uma das estudantes que está louca para “fornecer forte” para o suposto psicopata, acaba contando que sabe “por que ele matou a própria tia” (sim, amigos… esse é o “grande mistério” da série…), apenas para atrair o garoto para a casa dela. E a partir daí, começa toda a trama misteriosa de Twisted, com várias perguntas a serem respondidas.

E com Denise Richards como “bônus”.

DENISE RICHARDS, AVAN JOGIA

Pra começar, eu quero deixar claro que, se minha mãe fosse a Denise Richards, eu também teria todos os motivos do mundo para ser um psicopata. Dito isso, Twisted tem um piloto muito fraco. A premissa da série em si é quase absurda, e só não é absurda por completo porque sempre temos que pensar na possibilidade dessa volta para a mesma cidade e o mesmo colégio ser “algo previamente pensado”. E não será surpresa para qualquer pessoa minimamente inteligente pensar que a verdadeira assassina é a própria mãe de Danny.

Aliás, é bom deixar para registro: Danny, muito provavelmente, viu a mãe matar a tia, por algum motivo torpe/injustificável qualquer, e assumiu a culpa para que a mãe não fosse presa. Nessa volta, para esconder os seus rastros, a mãe começa a matar todo mundo na cidade que sonha em conhecer o verdadeiro segredo. Bom, com isso, te poupei de algumas semanas de uma série ruim, contando a minha versão do final de temporada (sim, pois acho muito difícil ver essa série sendo renovada).

Mas se você pensa em insistir assim mesmo… bom, as atuações são fracas, as situações são patéticas, e os personagens não contam com nenhuma carisma para convencer o telespectador a voltar para o próximo episódio. Pelo contrário: usa das técnicas mais baratas e oportunistas em seu roteiro, para levantar o mistério como chamariz para o telespectador. Exemplo: a típica cena de final de episódio que “o suposto assassino tem algo da morta na casa dele”, e até mesmo a pergunta que não quer calar: “por que ele matou a própria tia?”.

Sem falar em situações contraditórias, como: a cidade inteira achando que Danny é um sociopata, e mesmo assim, metade das meninas do colégio doidas para dar para ele. Ou até mesmo a amiga perdedora, que nunca bebeu, e jamais foi convidada para uma festa do colegial, sair fazendo body shot com o amigo da dona da festa, como se não houvesse o amanhã. E chegando em casa bêbada. Na companhia do suposto sociopata!

Aí eu te pergunto: que pais são esses que deixam a filha passar por tudo isso? Detalhe: o pai da perdedora é delegado da cidade!

Com tudo isso, se você ainda vai insistir em Twisted, eu te digo “boa sorte, e não diga que eu não te avisei”. As chances do final ser algo óbvio e decepcionante são enormes, e ao longo dessa primeira temporada, a série tem tudo para ser uma grande comédia de erros. Mas talvez o problema está em mim: não poderia esperar muita coisa do ABC Family mesmo…