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“O homem é o animal mais cruel que existe”. É com esse pensamento em mente que temos True Detective, a nova proposta da HBO que promete reinventar as séries policiais. De saída, é possível dizer que ao menos há potencial para isso acontecer. Até porque a premissa é, no mínimo, bem louca.

A história se se centra em em dois detetives com perfis psicológicos muito diferentes. Tão diferentes, que chega a assustar um deles. O detetive Martin Hart (Woody Harrelson) é descrito como “o cara comum”, com esposa e filhas. Faz o seu trabalho e pronto, sem envolvimento emocional com os casos, e vivendo uma vidinha pacata. Porém, tudo começa a mudar quando ele passa a conviver com o seu novo parceiro, o detetive Rustin “Rust” Cohle (Matthew McConaughey)… que é exatamente o oposto de Hart.

Cohle é uma alma perturbada. Solitário, sem esposa, sem filha, sem ninguém. Livre para sair por aí bebendo, consumindo substâncias ilícitas e com tempo de sobra para ler livros sobre crimes sexuais e teorias conspiratórias das mais diversas. Se envolve profundamente com os crimes que investiga, interpretando os códigos mais macabros nas vítimas e pistas. E todos esses elementos fazem de Cohle um ser muito estranho. Aliás, estranho perto dele é um ser absolutamente normal.

A série viaja em diferentes janelas de tempo. No tempo presente, Hart precisa ajudar a polícia a interpretar o perfil de Cohle, que em um passado não muito distante, deve ter feito alguma m*rda gigante, para que outros policiais procurem compreendê-lo (ou compreender o que ele fez). E, como toda história tem um começo, um terceiro salto para o passado é dado, para mostrar a origem de tudo.

True Detective é uma série da HBO, e não nega isso. Desde sua premissa fora dos padrões até a estética da série, tudo isso mostra a qualidade empregada na produção. Também vale a pena destacar as atuações de Harrelson e McConaughey (que também são produtores executivos da série), que estão muito bem no piloto, fazendo papéis mais profundos do que qualquer coisa que eles já tivessem feito antes.

Alguns podem achar que o piloto da série possui um ritmo lento e sonolento. Particularmente, discordo. A proposta de mostrar um detetive perturbado a ponto de achar que a humanidade deveria “dar as mãos a caminho da extinção” é interessante demais para você sequer cochilar. Entendo que, tal como outras séries da HBO (e da TV paga em geral), eles precisam contar uma história antes de ir para a ação. E, nesse caso em particular, essa história precisa ser contada com o máximo de detalhes possível.

Por fim, entendo que True Detective tem um bom potencial para ser a nova série “queridinha” da HBO. Pelo menos todos os elementos para isso estão lá. Se você gosta de séries do gênero, as chances de gostar dessa são enormes. Pretendo acompanhar para ver onde essa história vai dar. Até porque estou curioso para saber qual foi o nível da m*rda feita por Cohle.

E até temo por isso.