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A verdade está lá fora. E, pelo visto, aqui dentro, temos mais mentiras do que imaginávamos.

Eu sou da “geração Arquivo X”. Apesar de não assistir muito a série quando ela estava no ague, acompanhava alguns episódios com a minha irmã mais velha, que simplesmente adorava. Eu fui ver a série completa anos depois, e achei incrível como a Fox conseguiu oferecer um conteúdo de entretenimento abordando de forma séria e coerente as manifestações extraterrestres e eventos inexplicáveis. Tudo bem, acho que a série se perdeu depois da 6ª temporada. Mesmo assim, deixou um legado inestimável para a televisão, uma vez que é a série de ficção científica mais bem sucedida de todos os tempos.

Quando começamos o SpinOff.com.br em 2009, jamais imaginamos que um dia escreveríamos sobre um episódio inédito de The X-Files. Parecia algo impossível, já que a série terminou em 2002. Porém, o destino quis que a Fox ressuscitasse a série por mais seis episódios, jogando caminhões de dinheiro na porta de Chris Carter, David Duchovny e Gillian Anderson (ah, o Mitch Pileggi também ganhou uma bolada) para reviverem a série que se tornou um cult, por toda a representatividade e simbolismo que trouxe uma legião de fãs para a frente da TV na noite de ontem (24) para ver essa volta.

Oficialmente, a Fox trata esta como uma décima temporada, e por isso temos a numeração S10E01. É uma limited series, no estilo que foi 24: Live Another Day (Fox), exibida no ano passado, mas dá sequência aos acontecimentos concluídos na 9ª temporada, em 2002.

 

ATENÇÃO! ALERTA DE SPOILERS!
Se você não viu a volta de The X-Files, é altamente recomendado parar de ler esse post aqui.

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Dito isso, vamos aos fatos… que eu acho que não serão muito agradáveis.

14 anos se passaram desde o fechamento do departamento do governo responsável por investigar eventos relacionados às atividades extraterrestres, ou a The X-Files. Desde então, Fox Mulder (David Duchovny) desapareceu, mas seguiu de olho no que acontecia pelo resto do mundo, com a ajuda da internet. É claro que se manteve paranoico, e tomou medidas para não ser localizado ou espionado. Mas seguiu investigando os eventos de forma independente, apenas e tão somente porque “ele queria acreditar”. Afinal de contas, ele quis acreditar por uma vida toda. Não iria parar só porque o governo dos Estados Unidos não apoiava mais suas teorias.

Já Dana Scully (Gillian Anderson) seguiu sua vida. Foi cuidar do filho que teve com Mulder, voltou a ser médica e psicóloga. Ainda mantinha contato com Walter Skinner (Mitch Pileggi), que mantém o seu emprego como diretor-assistente no FBI. Mas não mais tentou pensar nos acontecimentos que mudaram sua vida de forma definitiva. Apesar de sempre ter em mente que algo não era muito certo nela, e que de alguma forma ela tinha alguma influência ou carga genética alienígena.

Até aí, beleza.

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A vida desses três personagens centrais volta a se cruzar quando Tad O’Malley (Joel McHale), um âncora de um noticiário de internet, começa a ganhar evidência e notoriedade por levantar uma hipótese até então jamais imaginada por Fox Mulder (que “queria acreditar” que a verdade estava lá fora): toda a suposta conspiração de ameaças alienígenas, manifestações sobrenaturais e até eventos terroristas como os ocorridos em 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque nada mais são do que uma grande manipulação do governo norte-americano para não apenas encobrir a presença de alienígenas no planeta Terra, mas de se utilizar de suas tecnologias para a manutenção do poder. E isso tem acontecido por décadas.

A conexão de Mulder e O’Malley para essa teoria vem de um dos casos mais antigos do The X-Files. Sveta (Annet Mahendru), que alega ter sido abduzida por diversas vezes por alienígenas, na verdade teria sido sequestrada pelos próprios agentes do governo norte-americano, que a testaram com amostras de DNA e fecundações com genes de alienígenas. O maior indício disso é o fato de serem os humanos que retiravam os bebês dela, e não os aliens.

Scully mantém a sua principal característica: ser cética a todas as teorias conspiratórias de Mulder. Entende que tudo isso é um absurdo que beira à uma traição, e tenta convencê-lo de que ele deve desistir dessa sandice toda. Porém, como nem ela mesma mais acredita em tudo o que ouve e vê, não só ela testou o DNA de Sveta como o dela mesma.

Depois de não acreditar no primeiro resultado, Scully fez a leitura genética dela e de Sveta. E chega a conclusão de que “elas não estão sozinhas”.

Em resumo: a temporada de The X-Files será uma jornada de Mulder e Scully em desmascarar o governo que os enganou por mais de uma década, basicamente produzindo manifestações alienígenas para ocultar os seus reais interesses: a utilização dessa tecnologia extraterrestre contra os próprios humanos.

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Bom, eu já li alguns comentários onde algumas pessoas não gostaram muito da volta de The X-Files, principalmente por conta desse plot. É uma espécie de “o jogo virou, não é mesmo?” com um gosto amargo para muita gente. Quer dizer então que tudo o que as pessoas assistiram por nove longas temporadas não serviu para nada? É tudo brinks, minha gente? Pegadinha do Mallandro? Olha, eu entendo o que eles estão sentindo. De verdade. Mas… será que apresentar seis novos casos absurdos seria o suficiente para chamar a atenção dos fãs nostálgicos? Ou criar um link definitivo com tudo o que aconteceu (ao mesmo tempo tornando a série acessível para quem nunca viu) não é mais interessante?

Deixando essas questões de lado, eu acho que a volta de The X-Files tem pontos positivos e negativos. O grande ponto negativo (talvez) foi citado no parágrafo anterior. Como ponto positivo, entendo que a essência da série ainda está lá. Os elementos básicos que caracterizam Arquivo X se mantém vivos, principalmente nos personagens. Mulder continua a ser o cara da fé, de acreditar naquilo que ninguém acredita, mesmo ele sendo paranoico a ponto de tampar a lente da webcam do seu notebook. Já Scully se mantém a cética, aquela que é racional, que só acredita no que vê, ou naquilo que a ciência determina como crível.

Até que a própria ciência mostra que a incredulidade de Scully não vale muita coisa.

Sem falar que as teorias conspiratórias, outra grande marca da série, voltam a ficar em evidência. Agora, uma grande teoria envolvendo o próprio governo dos Estados Unidos, onde dessa vez já sabemos que não há muito o que esconder: Mulder e O’Malley estão certos. Resta saber como eles vão resolver isso, e revelar a verdade para toda a nação.

Logo, não achei tão ruim a opção de Chris Carter em dar a entender que tudo o que aconteceu não valeu de nada. É uma virada até oportuna, para não cair na mesmice de ser a série dos casos sobrenaturais e inexplicáveis. Sem falar que a série manteve a sua premissa do “a verdade está la fora”. E está mesmo. Porque aqui dentro tem um monte de gente mentindo pra caramba.

Sobre a produção, a Fox jogou dinheiro na série, e tudo está muito bem feito. Até mesmo as cenas de chroma key estão bem produzidas (sim… tem cenas com fundo verde ou azul, e dá para perceber…). Não achei o roteiro do episódio de se jogar fora (pelo contrário: teve uma coerência bem sólida) e o texto da série se mantém muito bom. Aliás, parabéns para o menino Joel McHale, que conseguiu segurar bem a onda em fazer um personagem sério.

Enfim, The X-Files está de volta. Temos uma segunda parte da premiere ainda para analisar. Farei um segundo post sobre o assunto. Pelo menos de início, acho que a volta da série na Fox agrada. Como disse, entendi como se sentiram as pessoas que reclamaram das decisões tomadas. Mas eu prefiro aceitar o que está vindo. Por enquanto.