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Lá vem ela, cheia de premonições, e pronta para ser a rainha da Inglaterra. BBC One e Starz uniram suas forças para entregar ao mundo a minissérie de dez episódios The White Queen, que vai contar parte das intrigas, traições, trairagens e infidelidades da monarquia britânica durante a Guerra das Rosas. Em 1464, a casa de York e a casa de Lancaster viviam em guerra aberta pelo reinado. E no meio do caminho, tinha essa moça aí. Vamos conhecer a história dela?

Apenas explicando: a série é baseada no best seller The Cousins’ War, escrita por Phillipa Gregory. Logo, nem tudo o que é apresentado na série é baseado em fatos reais. Dito isso, a série conta a história de Elizabeth Woodville (Rebecca Ferguson), uma pobre viúva plebeia, que perdeu tudo o que tinha quando o ganancioso/coxinha rei Edward IV (Max Irons) assumiu o reino da Inglaterra, derrotando o rei da casa vermelha, Henry VI (David Shelly). Elizabeth poderia passar desapercebida no planeta Terra, se não fosse por um único detalhe, que ao mesmo tempo é um trunfo valioso: ela tem sonhos premonitórios.

Tal peculiaridade é muito bem explorada pela sua mãe, Jacquetta (Janet McTeer), que além de orientar sobre o futuro da filha (a.k.a. manipular bem de leve o destino da moça), se auto denomina como feiticeira, o que pode lhe garantir algumas vantagens no futuro. De quebra, sabe dos podres da nova sogra da filha, Cecily Neville, Duquesa de York (Caroline Godall), o que também será útil no começo da trama.

Elizabeth entende que a melhor forma de recuperar aquilo que perdeu é “se apaixonando” por Edward IV. Como o Rei de York vê em Elizabeth uma mulher limpinha e de bom coração, vê nela a oportunidade dela ser “mais um troféu”. Por outro lado, Elizabeth sabe que o Rei Edward IV VAI MORRER e, se casando com ele, é ELA quem se torna a legítima Rainha de York (por consorte).

Já Edward IV tenta se livrar do crivo da mãe e, principalmente, de Lord Warwick (James Frain), que ajudou Edward a derrotar Henry VI, mas com um objetivo claro no ponto futuro: ficar o mais próximo possível do reinado inglês. Ele é primo de Edward (sobrinho de Cecily).

Logo, temos aqui uma trama cheia de intrigas conspiratórias, conveniências de todos os lados, traições a dar com pau, e todo aquele clima medieval, com sérias restrições orçamentárias.

The White Queen 2013

The White Queen vai claramente na onda das séries medievais que invadiram a TV nos últimos anos (mais especificamente, desde que Game of Thrones virou um megahit). Apesar de ter a chancela da BBC no projeto, não apresenta nada de extraordinário. Você não se importa com as motivações daqueles personagens em passar a perna um no outro (afinal, eles estão em guerra… logo, é o mínimo que se espera do comportamento humano), e como toda a trama é vista pela perspectiva feminina (que raramente vai ao combate), não espere por cenas de duelos sangrentos. É muito mais no esquema “olha, ele está te enganando” do que “eu vou enfiar essa espada na sua cara”.

Outro ponto negativo do piloto está nas “baixas restrições orçamentárias” da produção. Ok, eu não poderia esperar algo maior do que o que foi exibido (até porque estamos falando da BBC, e não da HBO… e se fosse uma série apenas do Starz, seria muito pior: o chroma key ia rolar solto), mas convenhamos: era gente muito limpa para estar em guerra, ainda mais no período medieval, onde as pessoas nem sabiam direito o que era banho.

E o mais importante: que trama é essa?

Tá, de novo, foi inspirado em um livro que virou best seller. Acredito que o livro é melhor do que isso, mas tudo o que vemos no piloto de The White Queen é uma trama de mentiras e trapaças, mas que não cria a empatia o suficiente para você se importar com o que acontece, ou até mesmo torcer para um dos lados. Afinal de contas, Elizabeth tem uma motivação futura, Edward IV uma motivação presente… e nada mais. Você olha para aquelas pessoas, e fala para você mesmo: “e daí?”.

De qualquer forma, são apenas dez episódios. É uma minissérie, logo, passa rápido. Mas se você cria expectativas que cabeças vão rolar, sangue vai jorrar, e algo minimamente inspirado em “Winter is Coming”, esquece. The White Queen tem uma pegada bem mais leve, quase feminina. Aliás, fica claro que os personagens principais da série são as mulheres. Logo, se for assistir, tente ver pela curiosidade. Não é o tipo de série que empolga. Eu mesmo achei uma tortura passar pelos 58 longos minutos do episódio piloto.