A busca pela nova voz do Brasil começou. A Rede Globo estreou hoje (23) a versão brasileira de The Voice, colocando muita gente que escreve sobre TV e séries para trabalhar antes do Emmy Awards 2012. E posso dizer que The Voice Brasil começou bem… bem melhor do que eu esperava. Mesmo com pequenos tropeços.

Quem está cuidando da produção do programa é o nosso amigo Boninho, que apesar das escolhas questionáveis em Big Brother Brasil (sendo trollado pelo próprio pai no Altas Horas por causa disso), ao menos manteve as características básica do programa, principalmente na sua produção (diferente da bagunça que a franquia Idol/Ídolos virou aqui no Brasil). Palco, vinhetas e formato estão todos seguindo o padrão do formato original (que tem origem no The Voice of Holland – Holanda, e não nos Estados Unidos, como muitos incultos pensam), criado por John de Mol, da Endemol, que já tem parceria com a Globo no projeto Big Brother. Ou seja, a ida de The Voice para a Globo era uma escolha quase natural.

Mas a estreia foi boa. Talvez alguns problemas de edição e alguns ajustes no áudio e mixagem de som (em alguns momentos, era difícil ouvir os candidatos cantando), mas esses detalhes podem ser ajustados com o passar do tempo. Bom, eu já dou graças aos céus pelo simples fato que The Voice Brasil tirou da grade da Rede Globo (mesmo que temporariamente) porcarias gigantes da TV, como A Turma do Didi e Os Caras de Pau.

Sobre os treinadores, as opiniões são mistas.

Tudo indica que Daniel foi o que melhor viu a versão norte-americana de The Voice. Além do bom humor e da descontração (era o mais descontraído dos quatro), alguns trejeitos remetiam ao seu equivalente gringo, Blake Shelton. Exemplos? Sentar torto na poltrona, apoiado no braço esquerdo, e o dedinho apontando para a cabeça, pedindo “me escolha”. Mas nada disso é tão ruim quanto se pode imaginar.

Cláudia Leitte… essa, no primeiro programa, já sentiu “a dor da rejeição” logo de cara, como disseram no Twitter. Ficou bem evidente que a cantora é a mais fraca escolha entre os candidatos. Suas primeiras escolhas não foram boas (cantam bem, mas perto do que os seus concorrentes escolheram, não estão entre os favoritos iniciais), e alguns jargões como “você é massa” não ajudam muito na sua avaliação musical. Vamos esperar os próximos episódios, mas pelo menos nessa primeira audição, ela deixou a desejar.

Carlinhos Brown foi o que, ao meu ver, escolheu os melhores cantores do programa. Brown pode não ter “a voz”, mas possui um ouvido apuradíssimo para música. Eu o imaginava como uma persona mais exótica no programa, mas pelo menos nesse começo, está mais contido e comportado. Vamos ver na sequência. Quando o nervosismo passar e a empolgação vier, talvez as coisas mudem.

E Lulu Santos estava calmo, tranquilo, simpático. Diferente daquilo que muitos previram (eu, inclusive), se mostrou calmo e equilibrado em seus comentários. Fez escolhas que alinhavam em seu estilo musical. É um hitmaker, logo, é ao meu ver a escolha mais acertada do programa.

Sobre o apresentador, Tiago Leifert, tenho pouco a dizer. Assim como Carson Daly, Tiago aparece pouco no programa, e nesse momento de audições, tem mais a função de acompanhar os bastidores dos candidatos e familiares do que propriamente apresentar o programa. Menos engraçadalho que no Globo Esporte, também deve se soltar ao longo da temporada. Por enquanto, ainda está comportado. Afinal, o papo agora é outro. Estamos falando de um programa em “rede nacional”.

Por fim, The Voice Brasil está aprovado nesse primeiro episódio. Bons candidatos, boas performances, a mesma mecânica do original, e é uma opção melhor para o horário de domingo a tarde. Vai valer a pena acompanhar uma temporada completa do reality nacional. Só espero que, dessa vez, o vencedor desse tipo de programa (reality musical) efetivamente consiga chegar ao sucesso no mercado musical brasileiro.