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E eles voltaram! The Voice Brasil inicia a sua quarta temporada no começo de outubro, o que deve ser um indício que o programa ficará no ar até, no máximo, final de dezembro. Com sorte, até o dia 17 de dezembro, a temporada acaba, já que não imagino Tiago Leifert e sua turma invadindo a nossa TV na véspera de Natal e Ano Novo. De qualquer forma, temos algumas mudanças nessa quarta temporada. Sutis, mas temos.

Começar uma temporada com uma audição (e não com alguma performance de gosto duvidoso dos próprios treinadores) é um bom diferencial. Tentar colocar o telespectador no clima da disputa, evidenciando quem deveria ser mais o destaque do programa: os candidatos. Mais: destacar as audições mais do que as histórias pessoais, algo que a versão brasileira faz melhor do que a norte-americana.

Porém, isso tudo começa a ir por água abaixo quando (mais uma vez) os treinadores querem aparecer mais do que os candidatos. É inacreditável como você assiste The Voice Brasil, e tem a nítida sensação que Lulu Santos, Claudia Leitte, Carlinhos Brown e Michel Teló se esquecem completamente para que serve uma cadeira. Sabe, levantar e ir até o candidato uma vez ou outra até que é legal. Mas todas as vezes que você escolhe o candidato é simplesmente irritante!

E não me venham com a desculpa que eles querem parecer simpáticos. Não… é chato. Uma coisa é ser próximo e acessível daquele candidato que você quer ou escolheu. Outra – bem diferente – é não deixar o infeliz falar quem é ou sua idade, lançando frases desconexas (beijo, homem da caxirola), ou assediando o candidato (beijo, claudinha bagunceira).

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De qualquer forma… a versão brasileira também decidiu apostar em um novo pacote gráfico, com vinhetas customizadas e um novo palco, buscando reforçar a sua própria identidade. Particularmente, as mudanças visuais me agradam, apesar de considerar o estúdio desse ano ligeiramente menor que o das temporadas anteriores. Não sei se foi apenas uma primeira impressão, mas as cadeiras dos treinadores estão mais próximas, assim como a área do palco. Ficou mais “pocket” para todo mundo.

Talvez por consequência disso a qualidade final do áudio acabou prejudicada. Achei que a mixagem final do som do programa teria falhado, já que o áudio da banda estava acima do áudio do candidato em vários momentos, mas quando Lulu Santos reclama do mesmo problema, eu concluí que era uma deficiência local.

Atenção, Rede Globo! Vamos colocar essa p*rra pra funcionar, como diria o Caetano. Em um programa onde o foco principal é a música, não saber ajustar a qualidade de áudio é o mesmo que colocar a Regina Casé para apresentar um programa de variedades no domingo, na hora do almoço, e…. não…. pera…

Bom, eu não preciso ficar comentando muito sobre o desempenho de Tiago Leifert como apresentador, de Lulu Santos com suas performances esquisitas, de Claudia Leitte e sua “simpatia”, e de Carlinhos Brown que só aumenta a minha lista de motivos para processá-lo por ofender o bom senso. Vamos então focar nossos comentários no novato: Michel Teló.

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O substituto de Daniel (e vencedor dos Prêmios Tim Kring antes mesmo de começar a nova temporada de The Voice Brasil) divide opiniões. Acho até que Michel Teló é um cara legal, tranquilo, na dele. Ele é mais expressivo que Daniel, o que não é algo tão difícil assim. É o tipo de cara que você até chamaria para um churrasco na sua casa no final de semana.

Porém, quando Claudia Leitte consegue fazer comentários técnicos mais relevantes que algum outro treinador, é sinal que temos aqui problemas sérios. Não vi Teló fazer comentários tão relevantes, ou identificando problemas na parte de canto presentes em alguns candidatos, algo que os demais treinadores (incluindo Milk bagunceira) fizeram. Não que isso seja relevante para o grande público (já que é um programa de popularidade, e não de quem é o melhor cantor), mas como imaginamos que a carreira desses cantores está em jogo, e eles serão orientados de forma mais técnica, Teló tinha que mostrar mais a que veio nesse aspecto.

Resultado: os candidatos que escolheram Michel Teló o fizeram pela afinidade com o estilo musical praticado pelo mesmo. Pode ser que o vencedor venha do seu time, porque a maioria dos brasileiros entendem de música tanto quanto eu entendo de física nuclear. Mas nem de longe isso será mérito do treinador que tem que agradecer todos os dias por Cristiano Ronaldo publicar um vídeo na internet dançando ao som de sua música.

Enfim, The Voice Brasil estreou a sua quarta temporada. Provavelmente não vou acompanhar até o final, mas não me irritou tanto assim o programa de estreia. Para quem vai continuar, boa sorte, como sempre. É uma pena que minha religião não permite aguentar o Carlinhos Brown por 1h30 toda semana.