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Durma com um barulho desses. Em pleno carnaval, ser obrigado a assistir um piloto de uma minissérie cuja premissa não me chamou a atenção, mas que, de forma surpreendente, tem o seu valor. The Slap é a série de vida curta da NBC que estreou na janela errada, e por isso será esmagada na audiência. Em compensação, oferece mais uma opção novelesca dentro de um universo familiar complicado, onde a vida de todos muda em função de um único evento.

É o seguinte: todas as famílias contam com uma coisa em comum: problemas. Alguns mais complexos, outros mais simples, e alguns deles criados por situações inesperadas e imprevisíveis. No caso de The Slap, vamos ver uma grande família, que não tem nada de unida, mas é muito ouriçada (pegaram a referência? Hein? Hein?). Não existe um personagem central na trama – mais ou menos no estilo de Parenthood, apesar dos patriarcas da família Braverman segurar as buchas dos demais filhos -, mas sim personagens que se alternarão no centro das atenções confirme a temporada avança.

Fato é que no piloto nós vemos como o tal tapa acontece, as circunstâncias envolvidas, quem são os responsáveis diretos pelo incidente, e as consequências que o tapa devem causar naquela família, que, repito, já não era feliz logo de cara. Um marido infiel, uma esposa fria e problemática, um irmão agressivo, uma cunhada bêbada, pais inconsequentes e, como ‘cereja do bolo’ disso tudo (por favor, não me entendam mal; quando falo isso, quero dizer ‘como se não pudesse ser mais difícil’), uma das crianças da família tem um problema mental.

É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

As diferentes personalidades e interesses dessas pessoas entrarão em rota de colisão com facilidade, por conta de um tapa. Pode até parecer um gesto de reprimenda corriqueira, mas essa atitude automaticamente levanta o conceito do ‘ninguém põe a mão no meu filho’. E é verdade: ninguém deixa um filho seu apanhar de alguém em sã consciência, mesmo que esse alguém seja um membro da família. Mesmo que seja para corrigir seu filho.

A situação só piora quando, no meio do tumulto, insinua-seque o autor do tapa já tem um histórico de violência doméstica. Mais ainda por conta do tapa ser justamente na criança com o distúrbio mental, que na maior parte do tempo não tem plena consciência do que está fazendo, ou não possui a mesma racionalidade dos demais.

Cada episódio vai mostrar a perspectiva de cada personagem sobre esse evento, e como esse tapa mudou a vida de cada um deles.

Apesar de inicialmente achar a história insossa (com o potenciômetro do ‘quem se importa’ lá em cima), o piloto de The Slap não foi de todo mal. Veja bem, eu ainda acho a série fraca, mas ao menos o primeiro episódio cumpre com o seu papel de despertar a curiosidade mórbida na audiência para ver o que vai acontecer a seguir. Não é uma missão difícil quando você passa o final de semana sem ter muitas opções para assistir na TV.

A NBC não economizou no elenco de The Slap. Nomes de peso como Uma Thurman e Zachary Quinto emprestam o seu talento, e apesar de um roteiro com várias escorregadas e algumas situações absurdas, é um episódio que não compromete como um todo – desde que você decida se desprender de alguns critérios e conceitos de coerência com a realidade, é claro.

Eu confesso que esperava bem menos do piloto, e talvez seja por isso que minhas impressões sobre a série sejam tão brandas. Em outros tempos, já estaria amaldiçoando quem aprovou um plot desses. Como estou aprendendo que nem tudo na vida pode ser assim, estou dando um desconto. De fato, eu entendi qual é o objetivo da série, e acho mesmo que ela poderia ser uma alternativa interessante… mas para a summer season, e não para esse período do ano, ainda mais quando precisa competir com as séries de Shonda Rhimes na ABC.

A estreia da série já teve uma audiência fraca (pouco mais de 5 milhões) e não creio que ela terá alguma chance de ser prorrogada. Acho que vai até o fim na grade da NBC, apenas porque é uma minissérie. E acho que, como um todo, a série é fraca, e só com muito desprendimento vale a pena seguir em frente. Mas… e se a sua curiosidade mórbida falar mais alto? Quem sabe The Slap te conquista com o estilo novelesco de dramatizar as relações familiares.

E sempre tentando responder a pergunta: o que aconteceu? Reprimenda? Ou agressão doméstica?

De que lado você está?