The Secret Circle
(CW), série baseada nos livros de L. J. Smith, que também é autor dos livros que inspiram The Vampire Diaries, até que não faz feio. É evidente que eu, no alto dos meus 32 anos de idade, e com todo o meu instinto de macho-alfa, não sou o público-alvo da série. Mas, se eu fosse uma adolescente de 16 anos, com um poster do Fiuk no quarto, e com uma infância regada com Clube das Winx, certamente gastaria uma hora da minha semana para assistir a série (pelo amor de Deus, leitores, ignorem essa sentença do texo).

A série não apresenta nada de especial, mas como o seu promo previa, é uma das propostas mais honestas que a CW pode apresentar ao seu público. Tudo bem, todos os clichês estão lá: protagonista que não sabe absolutamente nada sobre o seu passado (e sobre o que pode fazer do seu futuro com os seus poderes), uma cidade pequena à beira-mar, onde todo mundo conhece todo mundo, as musiquinhas pop que estarão nas paradas de sucesso na semana que vem, a (falsa) melhor amiga, o galã com cara de pálido (que é namorado da melhor amiga), a bitch, que quer fazer o que dá na telha, o saradão (que é o seu vizinho), o vilão mega-evil da vez… enfim, todos os clichês dignos de uma série da CW.

Porém, o enredo de The Secret Circle é até bem montado, exceto alguns furos aqui e ali. Pelo menos em seu piloto, a história não é canastrona (como em Ringer), e mesmo com uma protagonista que faz a mesma cara para tudo (a CW tem sérios problemas em escolher elenco #fato), o primeiro episódio se desenvolve com uma certa competência. Tudo está muito bem explicadinho, para que o telespectador já comece o segundo episódio a par de todos os acontecimentos, quem é quem e para quem deve torcer.

Alguns aspectos da trama me lembraram Heroes (bate na madeira três vezes), pois a série vai mostrar claramente o conflito entre pais e filhos e seus poderes. E Heroes, em um determinado momento, foi a batalha entre pais e filhos. Me pergunto se, em algum momento da série, eles vão se pegar na porrada. Não que eu queira ver sangue entre pais e filhos, que fique claro. Mas é a tendência natural das coisas. Senão, essas pessoas vão ficar fazendo bruxaria pra quê? Para fazer gotinhas de água levitarem? É muito pouco.

Outra coisa a ser registrada. A série se chama The Secret Circle, porém, todos (e eu disse TODOS) os personagens que apareceram na série sabem que a tal comunidade de bruxos existe. Logo, esse troço não é segredo nem para mim, nem para você, nem para a comunidade de senhoras carmelitas de Paracambi (abraço, Isabela Cabral). Ainda mais que a cidade é pequena o suficiente para todo mundo conhecer todo mundo, literalmente. Tá, o nome da comunidade dos bruxos é “O Círculo Secreto”, por causa dos livros. Mas, convenhamos: todo mundo sabe o que rola na cidade, e convivem bem com isso. Afinal de contas, um carro tem “combustão espontânea” e ninguém chama os bombeiros, já que tem sempre um bruxo para salvar quem está em apuros.

No final das contas, The Secret Circle deve agradar em cheio o público da CW, e deve conseguir renovação fácil. Se não se perder na história, pode ser uma das séries da CW que vai se manter no ar por anos. Ainda temos que ver a parte romântica da série para dizer se a coisa desanda ou não. Mas, entre ela e Ringer, a série da cidade dos bruxos vai muito melhor.

E você? O que achou?