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Ok, levou mais tempo que o desejado, mas o feriado serve para isso mesmo. Quando pensei no projeto de The Royals, rapidamente fiz a pergunta na minha cabeça: “o que esperar de uma série que passa no canal que exibe o reality das irmãs Kardashian?”. Pois é… sem muitas perspectivas e cheio de preconceito no coração, lá fui eu encarar os 56 minutos de piloto. E não é que a experiência não foi um desastre completo?

The Royals é centrada em uma fictícia família real britânica, e a sua luta para manter o mínimo de privacidade e dignidade enquanto pessoas públicas. É claro que isso fica difícil quando a filha do casal real é fotografada em uma balada completamente bêbada, drogada e sem calcinha. Ou quando o filho desse mesmo casal leva uma vida igualmente irresponsável, cheio de festas e baladas… e mulheres. Bom, algumas.

Liam, o filho baladeiro, se tornou o sucessor imediato do trono, depois que o irmão mais velho – muito mais responsável e adorado pelo povo – morre durante um exercício militar. O rei Simon Henstridge se preocupa com o futuro da nação, pois seus sucessores são verdadeiros desastres, com poucas perspectivas de futuro. Já a rainha Helena está mais preocupada sobre qual será o próximo escândalo que os seus filhos vão se meter e, assim, envergonhar ainda mais a realeza.

A esperança de Helena para salvar o futuro da imagem da realeza é uma plebeia. Ophelia Price, filha do chefe de segurança real, é o interesse amoroso de Liam, e além de endireitar o moço com a proposta de um relacionamento estável, ela pode ser uma boa influência para Eleanor, irmã gêmea de Liam, que vive uma vida completamente perdida. Ao assumir o relacionamento com Ophelia, Liam pode começar a reconstruir sua imagem, se tornando um sucessor a altura do irmão que faleceu.

Até porque o rei Simon está tão desesperado com a situação, que pensa até em transformar a monarquia britânica em uma república, abrindo mão de todo o seu poder e prestígio para ser um homem como outro qualquer. Isso é, se o seu irmão Cyrus não evitar isso, tirando Simon do caminho por meios pouco lícitos.

Quero deixar algo bem claro: The Royals não é uma série boa, maravilhosa ou que vai mudar a sua vida. Ainda é possível detectar argumentos discrepantes e absurdos na série (a própria história do rei querer transformar a monarquia em república, ou o rei passeando por Londres como se fosse um cidadão comum, à noite, sem qualquer tipo de escolta ou segurança), e algumas interpretações são bem ruins.

Porém, eu imaginava algo muito pior. Levando em conta que estamos falando do canal E! (onde a bagaceira impera), o resultado final de The Royals é até coerente, e a ideia de fazer a série sob a perspectiva dos tablóides sensacionalistas e em como essa família real tenta (ou não) evitar manter a sua imagem é algo interessante. Repito: não que eu ache a série essa maravilha toda (em alguns momentos ela lembra e muito Gossip Girl, e acho que o Sacer – que vive esse submundo como ninguém – vai pensar a mesma coisa), mas eu confesso que esperava algo muito pior.

Por fim, The Royals não é um tiro no pé. É uma série que é condizente com o canal que a exibe, e até pode oferecer algum entretenimento para a audiência do canal das fofocas e celebridades. Não diria para você passar longe da produção, mas aviso desde já que fãs de obras como Mad Men, The Walking Dead, Breaking Bad e True Detective jamais chegarão perto dessa série.

Exceto o Sacer, é claro! :D