The-Returned

E temos aqui Carlton Cuse trabalhando mais uma vez com o seu tema favorito: o mistério. Só que para não ter muito trabalho, ele decidiu adaptar uma série francesa, ‘Les Revenants’. Brincadeiras à parte, The Returned estreou pelo A&E, e como fatalmente me veio à cabeça a sonolenta Resurrection, eu fui encarar o piloto pronto para dormir. E surpreendentemente, não foi isso o que aconteceu.

Para quem não conhece a trama, The Returned mostra como a vida dos habitantes de uma pequena cidade vai mudar completamente quando os mortos começam a ‘voltar para casa’. Tudo começa com uma jovem que foi para uma excursão escolar, cujo ônibus despenca de um barranco. Ela é dada como morta, mas volta quatro anos depois da tragédia.

Um detalhe importante é que pelo menos esse evento do ônibus não é algo isolado. Um dos ‘retornados’ é um garoto chamado Victor, que basicamente provocou o acidente no passado, e agora reaparece para comer e dormir às custas de uma psicóloga. Além desses, uma esposa que morreu a 13 anos reaparece na cama do marido, que basicamente surta com a situação. Um jovem um tanto quanto perturbado decide procurar a noiva, que agora está casada e com filho. E por aí vai.

Não só isso: a volta desses entes vai trazer à tona os segredos que alguns deles guardavam na época, e o confronto direto e inevitável com a nova realidade, já que alguns deles decidiram reconstruir suas vidas. A trama deve pelo menos movimentar as peças do jogo dos vivos e dos mortos. Os dois grupos vão ter que lidar com o fato que as suas histórias de vida mudaram sensivelmente durante o tempo de separação. E precisam descobrir como tudo isso pode culminar em um futuro mais promissor para todos.

Cada episódio vai mostrar esse processo de retorno, e como essa volta afeta cada uma das pessoas próximas à essa pessoa. Em cada episódio, a história se centra em cada um dos retornados.

Então… eu gostei do piloto de Resurrection, e achei o piloto de The Returned mais movimentado, com uma história mais promissora. Talvez parte do elenco da série peque um pouco nas interpretações, mas não podemos ter tudo nessa vida. Entendo que o roteiro desse primeiro episódio foi bem competente na hora de retratar essa história, e já considero isso um ponto positivo da série.

Como não vi a original francesa, não tenho o parâmetro para saber se a versão de Carlton Cuse faz justiça ao original. Mas vendo o piloto isoladamente, eu acredito que o A&E não fez um mal negócio colocando The Returned no ar. É uma série que sempre vai correr o risco de desafiar o plano do crivo, onde muita gente vai pensar ‘é impossível as pessoas começarem a reviver’. Eu sei disso, mas… compra um pouco a ideia da série, vai!

Fazendo um comparativo bem raso, me empolga mais ver The Returned do que voltar a assistir Resurrection (resisti bravamente pela primeira temporada da série). Não devo assistir a nova série do A&E por pura falta de tempo (e interesse), mas posso dizer que você tem mais chances de ser feliz com essa série. É claro que as resoluções absurdas podem aparecer aos montes – e não me responsabilizo se isso acontecer.

Mas não custa tentar.