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O bom filho à casa torna. Mas se for em um rancho, esse filho não é tão amado assim…

The Ranch marca a volta da parceria de Ashton Kutcher e Danny Masterson em uma sitcom. Os dois trabalharam por oito temporadas em That ’70s Show, e dividem o cenário em uma comédia que fala das diferenças entre as gerações, estilos de vida, sonhos perdidos, decepções e, principalmente, a difícil e conturbada relação entre pais e filhos que não se entendem.

Você pode dizer que já viu várias comédias como The Ranch. E já viu mesmo. O esquema “papai sabe tudo… só que não” não é uma novidade na TV e, nesse aspecto, a nova série da Netflix não apresenta novidades. Logo, só é preciso compreender qual é a função de cada um dos personagens (algo que também não é difícil) e decidir se vale a pena seguir com a trama ou não. Nenhum desses personagens tem um perfil psicológico muito complexo, onde o pai é sem dúvida o personagem mais interessante, justamente por ser o grande desafio emocional dos demais.

Kutcher interpreta Colt Bennett, um mal sucedido jogador de futebol americano que decide voltar para a sua pequena cidade natal no Colorado para seguir com a vida de forma insossa. Lá, ele encontra o pai Beau, o mesmo inflexível, exigente e sem sentimentos. A relação dos dois é instável, onde ambos se atribuem culpas dos acontecimentos do passado.

No meio de tudo isso, temos Jameson “Rooster” Bennett (Masterson), irmão de Colt, que se torna o braço direito do pai depois do mesmo ser abandonado pela esposa e, logo depois, pelo filho. É desprezado pelo pai, e para seguir vivendo de forma emocionalmente estável, usa de um humor sarcástico para tudo e todos. A mãe de Colt e Jameson, Maggie, que comanda um bar e ainda faz um “flashback safado” com Beau quando os dois discutem.

Fato é que Colt volta para ajudar o pai a recuperar os negócios no rancho, e indiretamente fazer com que eles voltem a ser uma família. Entre uma coisa e outra, ele vai pegar algumas meninas da cidade, apenas para manter a sua fama de macho-alfa às custas dos louros do passado.

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The Ranch não é excepcional, nem é um desastre. É uma sitcom como outra qualquer, com um texto com piadas localizadas na maior parte do tempo, mas que acabam funcionando dentro do contexto restrito proposto pela série. Algumas das piadas definitivamente não funcionam, tornando a série sem graça. Na verdade, o seu piloto de quase 30 minutos tende a se arrastar, onde em vários momentos tive vontade de parar. Mas segui em frente, de forma corajosa.

Na parte de produção, não há muito o que comentar. É uma sitcom clássica, gravada diante do público. Logo, não tem muito como errar nesse aspecto. O elenco é reduzido, mas bem escolhido. Você pode questionar a capacidade de interpretação de Ashton Kutcher, mas basicamente temos que entender que ele sempre será fadado a fazer esse tipo de papel (bonitão/meio burro/pegador). Até porque ele faz muito bem esse tipo de personagem. Alguns tiveram um certo lampejo de esperança quando ele interpretou Steve Jobs em um filme independente. Mas nesse caso, a esperança acabou rapidamente.

The Ranch é recomendada para os fãs de sitcoms, fãs de Kutcher e Masterson, e para quem está disposto a encarar os dez episódios dessa primeira temporada. Não dá para cravar que a série é ruim. Particularmente, achei o piloto fraco, mas tenho mais pelo menos dois episódios para mudar de opinião. Minha regra agora é: se em um terço de temporada uma série não me convencer, é ‘cancelada’ na minha grade. Não dá para perder muito tempo com isso, e não vou cometer o mesmo erro que cometi com Mozart in the Jungle (Amazon), que assisti à meia temporada para concluir que aquela série não ia descer bem no meu estômago.