A gente insiste em julgar pelas aparências. Eu, @oEduardoMoreira e @vanamedeiros julgamos de forma implacável o promo de The Playboy Club (NBC), liberado no meio do ano. No promo, tudo indicava que estávamos diante de uma série fútil, sexista, que iria apelar para o estilo de vida das coelhinhas, que usam roupas curtas e fazem de tudo para subir na escala social. Bom, tem isso também. Mas está bem longe de ser a porcaria que o promo veiculou.

Para começar, reclamaram e julgaram demais a série antes de ver o seu piloto. A série tem uma boa trama no seu começo, mostrando um assassinato em legítima defesa, e todas as consequências que essa morte pode causar, não só dentro da escala hierárquica do Playboy Club, mas também nas atividades criminosas clandestinas de Chicago, já que o morto era um chefão da máfia. A protagonista se envolve na mega confusão, tendo como protetor um dos gerentes do Clube Playboy, um advogado com cara de canastrão (nos anos 60, muita gente tinha essa cara), que também está envolvido com a máfia e (sexualmente falando), com a coelhinha mais antiga do clube.

A ambientação dos anos 60 é bem feita, e acredito que a série consegue reproduzir o status que o Playboy Club tem de ser o “local top”, onde todo homem gostaria de estar. Isso criou uma mística dentro da cultura norte-americana, que perdura até hoje. Porém, a série não é sobre o mundo proibido criado por Hugh Hefner. De cara, temos pelo menos três tramas caminhando em paralelo. A primeira, eu já contei: o assassinato do mafioso, e dependendo de como os roteiristas conduzirem essa trama, pode render uma boa história.

A segunda trama envolve um casal de funcionários do Playboy Club. Ele quer casar. Ela não. Ele questiona por que. Ela não pode dizer. O que será que temos escondido nessa história? E a terceira é sobre a formação de uma espécie de comunidade ou associação homossexual, algo que na década de 60 era mais do que proibido, e que deve render uma boa história pelo contexto de “esse assunto causava polêmica na época”. Será interessante ver a reação da sociedade da época diante dessa iniciativa.

O ponto negativo estão nas atuações. Os três principais personagens da série estavam mecanizados, ou tinha cara de canastrão (Nick Dalton principalmente). Ter que aguentar uma cara de “tento ser o Jon Hamm, mas não consigo” durante uma temporada inteira vai ser complicado, mas particularmente, eu esperava tão pouco da série, que nem isso vai me impedir de dizer que o piloto é muito bom, por tudo o que foi comentado.

Vale a pena pelo menos assistir o segundo episódio para confirmar se The Playboy Club é a primeira surpresa positiva dessa sofrível fall season. O desafio é fazer audiência no quarto canal do país, e em uma segunda-feira à noite, onde os concorrentes colocam excelentes programas para competir na grade de programação. Mas, o que posso dizer é que exagerei nas críticas antes de ver o piloto, e que os norte-americanos também estão exagerando quando dizem que a série vai debandar para o sexismo descarado. Acho que tem história para render, que vai além das coelhinhas gostosas.

Aliás, um recado para a Vana Medeiros, que tende a aumentar as coisas que vê. No final do piloto, o que é dito é que “no Playboy Club, as mulheres podem ser o que elas quiserem”. E deixam claro que a escolha é da própria garota. Ninguém chegou ao Playboy Club forçado. E em nenhum momento eles dão a entender que quem está lá é candidata à prostituta.

Mesmo porque elas não estão no cardápio. Logo, não podem ser compradas…