Vamos lá. Para acabar com todo o falatório sem ver sobre o que estão falando, a NBC decidiu exibir de forma antecipada o piloto de The New Normal, a nova série da dupla Ryan Murphy e Brad Falchuk (Nip/Tuck, Glee, American Horror Story). Depois de 24 minutos, é possível fazer duas análises bem diferentes sobre o piloto, com espectros bem diferentes.

Apenas para te colocar na trama. A série conta a história de um casal, Bryan (Andrew Rannels) e David (Justin Bartha), que vivem em Los Angeles, são bem sucedidos na carreira, são felizes, mas falta alguma coisa: um filho. Mas, sem um útero, fica difícil, não é mesmo? Então, eles começam a procurar a barriga de aluguel perfeita, que não seja apenas aquela pessoa que seja a locatária do primeiro apartamento do filho deles por nove meses, mas que realmente se importe com a causa deles de paternidade.

Depois de muito procurar (nem tanto, ok…), eles encontram Goldie (Georgia King), uma mãe solteira que se mudou recentemente para Los Angeles, com sua filha de oito anos de idade Shania (Bebe Wood), tentando dar um novo rumo para a sua vida depois de descobrir que o seu namorado a traía com uma asiática que aparentemente buscava o Green Card (na cama, com o namorado dela). Além disso, Goldie quer algo melhor da vida do que viver no crivo de sua avó, Jane (Ellen Barkin), uma pessoa rancorosa, controladora e cheia de preconceitos.

E é nesse encontro que a história começa a se desenvolver.

Bom, como disse lá em cima, podemos avaliar The New Normal sobre duas óticas: o seu objetivo como série, e como o seu piloto se desempenhou. Começamos pelo primeiro prisma.

De fato, não houve até hoje na história da TV um plot sequer semelhante à esse que Ryan Murphy está propondo. Ok, eu sei, você tem birra dele por causa de Glee, mas uma coisa muito pontual que a série quer explorar é mostrar para todos que, finalmente, vivemos em um tempo onde não é nenhum absurdo um casal gay desejar ter um filho onde um deles fornece o espermatozoide, e uma terceira pessoa (uma mulher, óbvio), que não pertence à esta relação, entra com o óvulo. Aliás, The New Normal tem o desafio de afirmar que os homossexuais tem, na prática, o mesmo direito dos heterossexuais de formar uma família, prover uma vida, cuidar dessa vida, sendo responsáveis pela educação e princípios morais… enfim, ter uma vida normal.

Nesse sentido, a série certamente vai abrir a discussão para esses e outros temas. E acho isso muito válido. Vamos admitir: o mundo (como um todo, pois cada um cuida de si) ainda é cheio de preconceitos. De raça, de classe social, de opção orientação sexual, entre outras pequenas diferenças que tornam algumas pessoas simplesmente imbecis. Em alguns momentos do piloto, The New Normal levanta bem essa bola, e em alguns momentos brinca com isso (quando até uma “vovó vadia” pode se tornar uma avó exemplar de vários netos). Uma coisa importante que a série lembra é que família nem sempre é aquela formada de “pai, mãe e filhos”. Família é aquele grupo de pessoas que são o seu porto seguro nos momentos de dificuldade, que te orienta quando você está perdido, e que te ama incondicionalmente. E, particularmente, não é a opção sexual orientação sexual de alguém que vai mudar esse princípio.

Bom, agora vamos ver como esse piloto se saiu, como piloto de série de comédia.

Eu terminei o piloto de The New Normal com dor de cabeça!

Mas, calma! A série não é uma porcaria. Quero dar mais algumas chances, por causa de tudo o que eu disse nas últimas linhas acima. Porém, como piloto de comédia, para ser engraçado, eu achei fraco. Ou é aquele “humor sutil”, que fica nas entrelinhas. Não sei. De qualquer forma, não consegui me importar muito com os personagens, ou a ponto de considerar ver mais um episódio por causa da história deles. Achei Goldie um tanto quanto “sem gosto” (talvez porque sua personagem esteja realmente em um momento onde se vê perdida), e mesmo sua filha Shania não tem aquela carisma que eu espero que uma criança de oito anos de idade (culpa de Mondern Family, admito).

O casal gay até que é bacana, e realmente se mostra como um casal moderno (um deles gosta de esportes a ponto de apostar em esportes), mas ainda falta ver um pouco mais para saber se eles podem mesmo ser os grandes protagonistas da série que eu espero. Talvez o melhor personagem desse piloto seja a avó de Goldie, que mesmo em um piloto truncado e meio devagar, se destacou fazendo bem o seu papel de megera insensível e preconceituosa.

Destaco aqui algumas referências leves do universo gay (não me perguntem como eu entendi, pois jamais contarei para vocês), e a parte final do piloto, quando Jane revela por que tem esse rancor todo sobre os homossexuais. E acredite: explica mesmo.

Eu recomendo que você veja o piloto de The New Normal pelos dois motivos apresentados. No meu gosto, é fraco como comédia, mas quero ver se a dupla Ryan/Brad vai manter a proposta de levantar a discussão sobre “o que é normal nessa vida?”. Afinal de contas, “família é família; e amor, é amor”. Tanto na lei dos homens quanto na Lei de Deus (ou de qualquer outra entidade que você, leitor, acredita), o que importa é que…

…a melhor família que você pode ter é aquela que você vai dar e receber amor. Incondicionalmente. E o mais importante: sem preconceitos.